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Assalariados japoneses nao gostam de tirar férias


Do Diário do Grande ABC

22/08/2000 | 10:07


Os assalariados japoneses nao mostram nenhum entusiasmo em deixar seus locais de trabalho para sair de férias, embora o governo do país os pressione a fazer isso, enaltecendo os benefícios de um merecido repouso.

Os trabalhadores japoneses têm direito em média a 17,5 dias de férias por ano, mas só tiraram 9,1 dias no ano passado, ou seja, apenas pouco mais da metade, segundo dados do Ministério do Emprego.

Esta atitude dos japoneses de nao gozar todo seu período de férias se deve, principalmente, segundo vários estudos, a que nao sentem necessidade de descansar, nem desejam perturbar suas empresas.

``Muitos sao os que consideram um pecado tirar férias'', explica Masanori Nosaka, funcionário do Ministério do Emprego. ``Além disso, há muitos trabalhadores, principalmente entre os de mais de 40 anos, que nao sabem o que fazer durante seu tempo livre'', acrescenta.

``Durante as férias, meu marido se sente inteiramente desamparado e até perde o bom humor. É por isso que nunca deixa seu trabalho por mais de uma semana'', conta Rieko, 44 anos, esposa de um executivo.

Efetivamente, o trabalho e o ambiente de trabalho sao valores importantes para os japoneses, que gostam inclusive de fazer horas extras, trabalhar aos sábados e, para nao se desligarem inteiramente do ambiente, sair à noite com seus colegas.

Em termos percentuais, 68,6% dos assalariados reconhecem que sentem ``pouco entusiasmo'' por férias, segundo uma pesquisa divulgada recentemente pelo instituto Sanwa Research and Consulting. Somente 20,8% dos consultados responderam que querem sair de férias ``por todo o tempo possível''.

Os mais resistentes às férias alegam os problemas que acarretam ao bom andamento do trabalho na empresa. As principais razoes de tal resistência dadas aos pesquisadores sao: ``o ambiente do trabalho é bom, por isso nao tenho vontade de sair'', ``minha saída perturba meus colegas'' ou ``terei muito mais trabalho na volta''.

``Nas empresas ocidentais, cada empregado tem uma funçao determinada, o que lhe permite organizar mais facilmente suas férias. Nao é esse o caso nas empresas japonesas, onde o trabalho de equipe é essencial. O empregado sabe por isso que sua saída perturba a harmonia da equipe'', explica Takuro Morinaga, do instituto Sanwa.

Para limitar esse problema, muitas empresas fecham durante vários dias três vezes por ano: no Ano Novo, em maio e em meados de agosto. Estas ``pausas'' provocam sistematicamente engarrafamentos enormes nas rodovias e um aumento vertiginoso do número de passageiros nos trens e linhas aéreas.

Em um informe a respeito publicado recentemente, o Ministério do Emprego recomenda uma distribuiçao mais organizada dos dias de férias, aconselha os japoneses a tirar duas semanas seguidas de descanso, para superar o estresse do trabalho, favorecer a vida em família e poder dedicar-se a passatempos criativos.

O Ministério considera que isto seria benéfico para todos, em particular para as empresas, pois os japoneses consumiriam mais e reativariam a demanda interna afetada por dez anos de estancamento econômico.



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