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Falta espaço para guardar pirataria


Danilo Angrimani
Do Diário do Grande ABC

27/07/2005 | 08:17


Se a polícia fizesse hoje uma megablitz no comércio de produtos piratas da região, haveria um sério obstáculo a ser enfrentado: não haveria lugar nas delegacias para guardar as mercadorias apreendidas.

Além da falta de espaço, outros detalhes atuam como freios na iniciativa da polícia de atacar a pirataria. O comércio ilegal emprega milhares de pessoas e existe uma sensação de impunidade em relação a esse tipo de crime.

"O problema (da revenda de produtos piratas) é mais social do que criminal", aponta um integrante da Polícia Civil. "A maioria das pessoas (que trabalha com mercadoria de origem duvidosa) sustenta a família com esse tipo de negócio", diz outro.

As fontes policiais dizem que a prisão em si também é pouco eficaz. "Eles não vão para a cadeia. Pagam fiança e no dia seguinte estão na rua, respondendo ao processo em liberdade."

Na edição de domingo, o Diário publicou uma reportagem sobre os focos de revenda de produtos piratas no Grande ABC. São pontos fixos e intocáveis, que resistem à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), prisão de chefões do contrabando e campanhas institucionais.

A reportagem mostrou que em Santo André encontra-se produtos piratas no quadrilátero central formado pelas ruas Bernardino de Campos, General Glicério e avenidas 15 de Novembro e Queirós dos Santos. Em São Bernardo, a referência é o Paraguaizinho (espaço de ambulantes criado atrás da praça Lauro Gomes). Em Diadema, um dos maiores redutos de produtos de origem duvidosa é o Shopping Popular. Em Mauá, é a feirinha formada por ambulantes que estavam no incendiado Shopping Popular. Os revendedores de produtos pirata de São Caetano ficam nas proximidades do terminal rodoviário.

Se quem vive na região sabe onde estão esses produtos, por que a venda não é reprimida? Por que a Polícia Federal não age?

A responsabilidade, no caso, não é da PF (Polícia Federal). O Diário entrou em contato com a PF e o órgão informou que cabe à Polícia Civil reprimir esse tipo de comércio nos municípios. Em contato com o jornal, policiais civis queixaram-se, então, da falta de espaço e de outros problemas circunstanciais.

O delegado seccional de São Bernardo, Marco Antonio de Paula Santos, confirmou que existe dificuldade para guardar os produtos apreendidos. "Nós chegamos a fazer uma reunião com vários segmentos da sociedade organizada para atuarmos na repressão à pirataria, mas esbarramos na falta de local para guardar as mercadorias apreendidas."

Paula Santos disse que, em resposta à reportagem publicada pelo Diário, pretende convidar os outros dois delegados seccionais (de Santo André e Diadema) para propor uma ação conjunta contra os piratas.

O delegado seccional de Diadema, Sérgio Abdalla, lembrou que no final do ano passado houve uma operação parecida, da qual tomaram parte as nove delegacias seccionais da Região Metropolitana de São Paulo. "A nossa delegacia foi a que mais apreendeu produtos piratas. Foram 30 mil itens, 12 mil deles eram CDs."

Abdalla igualmente confirmou que existe o problema de "estocagem" dos produtos apreendidos. "Depois de muitas solicitações, as mercadorias acabaram sendo levadas pela Polícia Federal que fez umas cinco viagens para retirar toda a mercadoria apreendida."



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Falta espaço para guardar pirataria

Danilo Angrimani
Do Diário do Grande ABC

27/07/2005 | 08:17


Se a polícia fizesse hoje uma megablitz no comércio de produtos piratas da região, haveria um sério obstáculo a ser enfrentado: não haveria lugar nas delegacias para guardar as mercadorias apreendidas.

Além da falta de espaço, outros detalhes atuam como freios na iniciativa da polícia de atacar a pirataria. O comércio ilegal emprega milhares de pessoas e existe uma sensação de impunidade em relação a esse tipo de crime.

"O problema (da revenda de produtos piratas) é mais social do que criminal", aponta um integrante da Polícia Civil. "A maioria das pessoas (que trabalha com mercadoria de origem duvidosa) sustenta a família com esse tipo de negócio", diz outro.

As fontes policiais dizem que a prisão em si também é pouco eficaz. "Eles não vão para a cadeia. Pagam fiança e no dia seguinte estão na rua, respondendo ao processo em liberdade."

Na edição de domingo, o Diário publicou uma reportagem sobre os focos de revenda de produtos piratas no Grande ABC. São pontos fixos e intocáveis, que resistem à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), prisão de chefões do contrabando e campanhas institucionais.

A reportagem mostrou que em Santo André encontra-se produtos piratas no quadrilátero central formado pelas ruas Bernardino de Campos, General Glicério e avenidas 15 de Novembro e Queirós dos Santos. Em São Bernardo, a referência é o Paraguaizinho (espaço de ambulantes criado atrás da praça Lauro Gomes). Em Diadema, um dos maiores redutos de produtos de origem duvidosa é o Shopping Popular. Em Mauá, é a feirinha formada por ambulantes que estavam no incendiado Shopping Popular. Os revendedores de produtos pirata de São Caetano ficam nas proximidades do terminal rodoviário.

Se quem vive na região sabe onde estão esses produtos, por que a venda não é reprimida? Por que a Polícia Federal não age?

A responsabilidade, no caso, não é da PF (Polícia Federal). O Diário entrou em contato com a PF e o órgão informou que cabe à Polícia Civil reprimir esse tipo de comércio nos municípios. Em contato com o jornal, policiais civis queixaram-se, então, da falta de espaço e de outros problemas circunstanciais.

O delegado seccional de São Bernardo, Marco Antonio de Paula Santos, confirmou que existe dificuldade para guardar os produtos apreendidos. "Nós chegamos a fazer uma reunião com vários segmentos da sociedade organizada para atuarmos na repressão à pirataria, mas esbarramos na falta de local para guardar as mercadorias apreendidas."

Paula Santos disse que, em resposta à reportagem publicada pelo Diário, pretende convidar os outros dois delegados seccionais (de Santo André e Diadema) para propor uma ação conjunta contra os piratas.

O delegado seccional de Diadema, Sérgio Abdalla, lembrou que no final do ano passado houve uma operação parecida, da qual tomaram parte as nove delegacias seccionais da Região Metropolitana de São Paulo. "A nossa delegacia foi a que mais apreendeu produtos piratas. Foram 30 mil itens, 12 mil deles eram CDs."

Abdalla igualmente confirmou que existe o problema de "estocagem" dos produtos apreendidos. "Depois de muitas solicitações, as mercadorias acabaram sendo levadas pela Polícia Federal que fez umas cinco viagens para retirar toda a mercadoria apreendida."

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