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Longe da banalidade cotidiana

Guga Melgar/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

30/06/2011 | 07:00


Caco Ciocler já se sentiu desesperado no palco assim como o personagem do monólogo "45 Minutos", que estreia no Centro Cultural São Paulo, na Capital, depois de cumprir temporada no Rio.

Com dramaturgia de Marcelo Pedreira e direção de Roberto Alvim, o drama é centrado na história de ator que tem a obrigação de entreter o público por exatos 45 minutos (tempo mínimo para a duração de uma peça).

Ele deseja ardentemente não estar ali, mas o faz em troca de lugar para viver - mora em pequeno quarto aos fundos do teatro. Sem trama ou personagem, o ator procura, desesperadamente, maneiras de preencher o tempo.

Segundo Ciocler, o espetáculo cria situação ficcional para despertar debate mais amplo, não restrito ao teatro. "As pessoas não estão mais dispostas a entrar em contato com o vazio existencial, condição humana. Existe uma ânsia por preencher o tempo com algo que as distraia da vida", diz.

Ciocler atua diante de letreiro em neon que acende de tempos em tempos para lembrar os espectadores o lugar onde estão. O aparente improviso é oriundo de texto fechado, embora o ator tenha a intenção de lançar essa dúvida.

O espetáculo não apresenta a crise de um ator específico. "Não queríamos que as pessoas criassem uma relação de pena com o personagem e se isentassem da própria crise. Ele provoca crise no público: 'Por que vocês estão aqui? Por que vocês compraram ingresso? O que vocês querem da vida? Vão ficar felizes se eu fizer gracinhas?'", reproduz.

Em dado momento, o ator se nega a preencher o tempo porque já não enxerga o teatro só como entretenimento. "Às vezes, é preciso se distrair, mas as pessoas estão se confundindo, acham legal ficar o tempo inteiro se distraindo da vida. Assim, elas deixam de pensar no que é fundamental como se fosse resolver alguma coisa", lamenta.

E, para piorar, vão ao teatro com a intenção de passar o tempo de maneira agradável. "Se a pessoa quiser ficar só se distraindo durante a vida, é problema dela. Mas estão exigindo isso na arte também", afirma. "O papel da arte nunca foi distrair da vida, mas colocar o público em contato com as questões mais profundas da existência para que assim cada um conseguisse sair da banalidade cotidiana e partir para coisas mais sublimes", afirma o ator.

Caso haja dúvidas, Caco Ciocler se diz a favor do humor desde que seja instrumento para levar a plateia à reflexão. "Não adianta o público rir durante horas e ir para casa comer pizza como se nada tivesse acontecido", defende.

45 Minutos Teatro. No Centro Cultural São Paulo - Rua Vergueiro, 1.000, São Paulo. Tel.: 3397-4002. Estreia amanhã, às 21h. Temporada: quinta-feira a sábado, às 21h; e aos domingos, às 20h. Ingr.: R$ 20. Até 14/8.



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Longe da banalidade cotidiana

Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

30/06/2011 | 07:00


Caco Ciocler já se sentiu desesperado no palco assim como o personagem do monólogo "45 Minutos", que estreia no Centro Cultural São Paulo, na Capital, depois de cumprir temporada no Rio.

Com dramaturgia de Marcelo Pedreira e direção de Roberto Alvim, o drama é centrado na história de ator que tem a obrigação de entreter o público por exatos 45 minutos (tempo mínimo para a duração de uma peça).

Ele deseja ardentemente não estar ali, mas o faz em troca de lugar para viver - mora em pequeno quarto aos fundos do teatro. Sem trama ou personagem, o ator procura, desesperadamente, maneiras de preencher o tempo.

Segundo Ciocler, o espetáculo cria situação ficcional para despertar debate mais amplo, não restrito ao teatro. "As pessoas não estão mais dispostas a entrar em contato com o vazio existencial, condição humana. Existe uma ânsia por preencher o tempo com algo que as distraia da vida", diz.

Ciocler atua diante de letreiro em neon que acende de tempos em tempos para lembrar os espectadores o lugar onde estão. O aparente improviso é oriundo de texto fechado, embora o ator tenha a intenção de lançar essa dúvida.

O espetáculo não apresenta a crise de um ator específico. "Não queríamos que as pessoas criassem uma relação de pena com o personagem e se isentassem da própria crise. Ele provoca crise no público: 'Por que vocês estão aqui? Por que vocês compraram ingresso? O que vocês querem da vida? Vão ficar felizes se eu fizer gracinhas?'", reproduz.

Em dado momento, o ator se nega a preencher o tempo porque já não enxerga o teatro só como entretenimento. "Às vezes, é preciso se distrair, mas as pessoas estão se confundindo, acham legal ficar o tempo inteiro se distraindo da vida. Assim, elas deixam de pensar no que é fundamental como se fosse resolver alguma coisa", lamenta.

E, para piorar, vão ao teatro com a intenção de passar o tempo de maneira agradável. "Se a pessoa quiser ficar só se distraindo durante a vida, é problema dela. Mas estão exigindo isso na arte também", afirma. "O papel da arte nunca foi distrair da vida, mas colocar o público em contato com as questões mais profundas da existência para que assim cada um conseguisse sair da banalidade cotidiana e partir para coisas mais sublimes", afirma o ator.

Caso haja dúvidas, Caco Ciocler se diz a favor do humor desde que seja instrumento para levar a plateia à reflexão. "Não adianta o público rir durante horas e ir para casa comer pizza como se nada tivesse acontecido", defende.

45 Minutos Teatro. No Centro Cultural São Paulo - Rua Vergueiro, 1.000, São Paulo. Tel.: 3397-4002. Estreia amanhã, às 21h. Temporada: quinta-feira a sábado, às 21h; e aos domingos, às 20h. Ingr.: R$ 20. Até 14/8.

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