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Rio + 10 discute o futuro dos países pobres


Da AFP

01/09/2002 | 10:54


As negociações da Cúpula da Terra de Johannesburgo, presididas a partir desta segunda-feira por líderes políticos do mundo inteiro, continuam bloqueadas em vários pontos-chave, a maioria relacionados com a redução da pobreza, o que faz prever uma maratona de debates diplomáticos até o último minuto.

A questão explosiva dos subsídios agrícolas, somada ao acesso à água corrente e ao aumento das fontes de energia renováveis continuam completamente paralisadas e são alvo de intermináveis discussões que fazem tremer os países em vias de desenvolvimento.

"Conseguimos alguns acordos como o Foro da Solidaridade Mundial, que é um banco de contribuições voluntárias que nos ajudará a paliar a pobreza, mas tudo está muito lento", explicou este domingo a ministra venezuelana de Meio Ambiente, Ana Elisa Osorio, cujo país preside o G-77 (que agrupa os Estados em vias de desenvolvimento).

O Plano de Ação de Johannesburgo pretende ser um marco de atuação para os próximos anos e buscará reconciliar crescimento econômico com redução das desigualdades sem que isso danifique o meio ambiente. A união destas três premissas é conhecida como desenvolvimento sustentável.

Mas reduzir à metade, até 2015, o número de pessoas que não têm acesso a um correto sistema de saneamento (2,4 bilhões em todo o mundo, segundo a ONU), eliminar progressivamente os subsídios agrícolas que reduzem a competitividade dos produtos do primeiro mundo ou levar eletricidade às regiões rurais do terceiro mundo continuam sendo as questões mais espinhosas.

"Na questão dos subsídios não vamos avançar com respeito ao dito em Doha. É um fato", lamentou Osorio.

Na reunião da Organização Mundial de Comércio (OMC), em Doha (Catar), em novembro passado, previu-se negociar nos próximos três anos (2002-2004) a redução progressiva das subvenções, mas sem fixar metas concretas.

Segundo um responsável da ONU, Luis Gómez-Echeverri, no Plano de Ação de Johannesburgo deve haver pelo menos uma referência à questão dos subsídios e o ideal seria que "se reconhecesse que existem subvenções em energia e agricultura que não estão promovendo a sustentabilidade".

Dado o bloqueio, os 103 chefes de Estado e de Governo que já começaram a chegar a Johannesburgo têm muitas possibilidades de encontrar sobre a mesa de negociações a difícil questão dos subsídios agrícolas.

"No entanto, a presidência sul-africana está pressionando para que o Plano de Ação fique pronto este domingo à noite, antes da chegada dos chefes de Estado e de Governo, porque a ONU necessita de um tempo para imprimir e traduzir. Isso nos preocupa porque existem muitas questões a serem resolvidas", acrescentou.

De um lado as negociações sobre subsídios estão os países do Norte, do outro lado os países do hemisfério Sul, que considera que, para paliar a pobreza, seus produtos devem poder chegar em condições justas aos mercados dos países industrializados.

Europa e Estados Unidos, que compartilham interesses comuns na questão dos subsídios, se enfrentam no referente à energia ou saneamento. Washington rejeito qualquer objetivo concreto multilateral por considerá-lo irreal e prefere comprometer-se em programas individuais.

"As cúpulas são decididas nos últimos momentos, a hora-chave da negociação é a última noite. Assim funciona, essa é a forma de fazer valer os interesses e compará-los com os de outros países", garantiu Gómez-Echeverri.



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Rio + 10 discute o futuro dos países pobres

Da AFP

01/09/2002 | 10:54


As negociações da Cúpula da Terra de Johannesburgo, presididas a partir desta segunda-feira por líderes políticos do mundo inteiro, continuam bloqueadas em vários pontos-chave, a maioria relacionados com a redução da pobreza, o que faz prever uma maratona de debates diplomáticos até o último minuto.

A questão explosiva dos subsídios agrícolas, somada ao acesso à água corrente e ao aumento das fontes de energia renováveis continuam completamente paralisadas e são alvo de intermináveis discussões que fazem tremer os países em vias de desenvolvimento.

"Conseguimos alguns acordos como o Foro da Solidaridade Mundial, que é um banco de contribuições voluntárias que nos ajudará a paliar a pobreza, mas tudo está muito lento", explicou este domingo a ministra venezuelana de Meio Ambiente, Ana Elisa Osorio, cujo país preside o G-77 (que agrupa os Estados em vias de desenvolvimento).

O Plano de Ação de Johannesburgo pretende ser um marco de atuação para os próximos anos e buscará reconciliar crescimento econômico com redução das desigualdades sem que isso danifique o meio ambiente. A união destas três premissas é conhecida como desenvolvimento sustentável.

Mas reduzir à metade, até 2015, o número de pessoas que não têm acesso a um correto sistema de saneamento (2,4 bilhões em todo o mundo, segundo a ONU), eliminar progressivamente os subsídios agrícolas que reduzem a competitividade dos produtos do primeiro mundo ou levar eletricidade às regiões rurais do terceiro mundo continuam sendo as questões mais espinhosas.

"Na questão dos subsídios não vamos avançar com respeito ao dito em Doha. É um fato", lamentou Osorio.

Na reunião da Organização Mundial de Comércio (OMC), em Doha (Catar), em novembro passado, previu-se negociar nos próximos três anos (2002-2004) a redução progressiva das subvenções, mas sem fixar metas concretas.

Segundo um responsável da ONU, Luis Gómez-Echeverri, no Plano de Ação de Johannesburgo deve haver pelo menos uma referência à questão dos subsídios e o ideal seria que "se reconhecesse que existem subvenções em energia e agricultura que não estão promovendo a sustentabilidade".

Dado o bloqueio, os 103 chefes de Estado e de Governo que já começaram a chegar a Johannesburgo têm muitas possibilidades de encontrar sobre a mesa de negociações a difícil questão dos subsídios agrícolas.

"No entanto, a presidência sul-africana está pressionando para que o Plano de Ação fique pronto este domingo à noite, antes da chegada dos chefes de Estado e de Governo, porque a ONU necessita de um tempo para imprimir e traduzir. Isso nos preocupa porque existem muitas questões a serem resolvidas", acrescentou.

De um lado as negociações sobre subsídios estão os países do Norte, do outro lado os países do hemisfério Sul, que considera que, para paliar a pobreza, seus produtos devem poder chegar em condições justas aos mercados dos países industrializados.

Europa e Estados Unidos, que compartilham interesses comuns na questão dos subsídios, se enfrentam no referente à energia ou saneamento. Washington rejeito qualquer objetivo concreto multilateral por considerá-lo irreal e prefere comprometer-se em programas individuais.

"As cúpulas são decididas nos últimos momentos, a hora-chave da negociação é a última noite. Assim funciona, essa é a forma de fazer valer os interesses e compará-los com os de outros países", garantiu Gómez-Echeverri.

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