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Disciplina medieval


Do Diário do Grande ABC

09/07/2020 | 23:59


É de estarrecer o conteúdo de cinco cartas assinadas por adolescentes internados na unidade de Diadema da Fundação Casa. Escritos de próprio punho, no Português sofrível que denuncia a falência do Estado na educação dos seus cidadãos, os documentos enumeram episódios de agressões, maus-tratos e chantagens cometidas por funcionários e pelo próprio diretor. Recolhidos por servidor que se condoeu da situação degradante dos garotos, os manuscritos foram encaminhados a departamentos de controle, como o Ministério Público e a Corregedoria da Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania. Espera-se que, amplificados por reportagem deste Diário, os pedidos de socorro sejam ouvidos.

No dia em que o jornal chegava às bancas e à casa dos assinantes com os relatos dos adolescentes, conselheiros tutelares de Diadema denunciaram que foram impedidos de exercer seu papel fiscalizador, garantido pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Avisados da tortura praticada na Fundação Casa, tentaram checar as informações, mas foram barrados. Por quê? Eis questão que precisa ser respondida imediatamente – e não pelo diretor da unidade, Marcelo Aparecido de Campos, apontado nominalmente por um dos internos como responsável por sessão de maus-tratos. A*, um dos denunciantes, cujo nome foi trocado pela reportagem, teria levado chutes e socos do comandante.

É de se perguntar qual resultado o Estado espera obter no futuro ao impor tais métodos de ressocialização a estes cidadãos, que mais cedo ou mais tarde estarão nas ruas. Que a secretaria paulista de Justiça e Cidadania aja imediatamente para cessar a barbárie denunciada de maneira crua nas garatujas assustadas dos adolescentes. Não é de se estranhar, aliás, que as cartas escritas pelos jovens internados em Diadema contenham tantas imperfeições de caligrafia e ortografia. Em vez de noções da Língua Portuguesa, a Fundação Casa prefere discipliná-los recorrendo a práticas medievais de tortura, tão desumanas quanto estéreis. Já passou da hora do basta! A sociedade espera por respostas urgentes.
 



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Disciplina medieval

Do Diário do Grande ABC

09/07/2020 | 23:59


É de estarrecer o conteúdo de cinco cartas assinadas por adolescentes internados na unidade de Diadema da Fundação Casa. Escritos de próprio punho, no Português sofrível que denuncia a falência do Estado na educação dos seus cidadãos, os documentos enumeram episódios de agressões, maus-tratos e chantagens cometidas por funcionários e pelo próprio diretor. Recolhidos por servidor que se condoeu da situação degradante dos garotos, os manuscritos foram encaminhados a departamentos de controle, como o Ministério Público e a Corregedoria da Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania. Espera-se que, amplificados por reportagem deste Diário, os pedidos de socorro sejam ouvidos.

No dia em que o jornal chegava às bancas e à casa dos assinantes com os relatos dos adolescentes, conselheiros tutelares de Diadema denunciaram que foram impedidos de exercer seu papel fiscalizador, garantido pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Avisados da tortura praticada na Fundação Casa, tentaram checar as informações, mas foram barrados. Por quê? Eis questão que precisa ser respondida imediatamente – e não pelo diretor da unidade, Marcelo Aparecido de Campos, apontado nominalmente por um dos internos como responsável por sessão de maus-tratos. A*, um dos denunciantes, cujo nome foi trocado pela reportagem, teria levado chutes e socos do comandante.

É de se perguntar qual resultado o Estado espera obter no futuro ao impor tais métodos de ressocialização a estes cidadãos, que mais cedo ou mais tarde estarão nas ruas. Que a secretaria paulista de Justiça e Cidadania aja imediatamente para cessar a barbárie denunciada de maneira crua nas garatujas assustadas dos adolescentes. Não é de se estranhar, aliás, que as cartas escritas pelos jovens internados em Diadema contenham tantas imperfeições de caligrafia e ortografia. Em vez de noções da Língua Portuguesa, a Fundação Casa prefere discipliná-los recorrendo a práticas medievais de tortura, tão desumanas quanto estéreis. Já passou da hora do basta! A sociedade espera por respostas urgentes.
 

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