Fechar
Publicidade

Sexta-Feira, 26 de Novembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

dmais@dgabc.com.br | 4435-8396

Não ao abuso e à exploração


Caroline Ropero
Do Diário do Grande ABC

18/05/2014 | 07:00


O Brasil espera 600 mil turistas estrangeiros e milhões de brasileiros para a Copa do Mundo. Muita gente nem imagina, mas isso pode trazer riscos a milhares de crianças e jovens. O abuso e a exploração sexual contra esses públicos tendem a aumentar durante grandes eventos. Segundo a Brunel University de Londres, o número de casos cresceu 63% na África do Sul, quando sediou o Mundial, em 2010. Por isso, organizações e poder público querem alertar a população. Hoje é Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração de Crianças e Adolescentes.

“A proteção da infância e juventude é tarefa de todos. Temos de denunciar”, afirma Casimira Benge, chefe da área de proteção à criança do Unicef Brasil. Sem aulas durante a competição, jovens se tornam alvos fáceis. “Ficam expostos e vulneráveis. Sem controle do turismo sexual, a possibilidade de serem explorados cresce”, diz Monica Souza, gerente de marketing e comunicação da Plan International Brasil.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a cada 15 segundos uma criança é abusada no mundo. No Brasil, são apenas 8 segundos. Participar de programas da comunidade ajuda a evitar o problema, segundo Luciano Araújo, do Fórum Estadual de Defesa dos Direitos Humanos da Criança e do Adolescente de São Paulo. “Por trás da vítima tem o adulto que comanda. Ao se envolver com associações, o jovem vê que pode ter realidade melhor.”

Vale lembrar que a violência sexual acontece com todos os gêneros e classes sociais. “Com meninos é até mais grave, tem muito preconceito”, explica Anna Flora, coordenadora de projetos da Childhood Brasil.

Pela lei, qualquer relação ou ato sexual com menores de 14 anos é considerado estupro de vulnerável, e o abusador deve ser preso. Exploração também é crime e a pena, mais rigorosa. Na quarta, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que torna a exploração de crianças e jovens crime hediondo, impedindo o condenado de ter benefícios, como liberdade provisória. Para valer, falta sanção da presidente.

É preciso saber diferenciar os tipos de violência. Abuso é qualquer ato sexual em que o adulto força o menor de idade a fazer. Exploração é estabelecer relação de troca, como dinheiro ou comida, por sexo. Denúncias pelos números 100 e 181, nos conselhos tutelares e delegacias.


Vítima precisa de atendimento médico e psicológico

Vítima de abuso ou exploração sexual tem de passar por atendimento médico e psicológico. Em geral, é machucada pelo abusador e pode desenvolver transtornos emocionais. É comum sentir insegurança, ter distúrbios de sono e alimentares sérios. “Na adolescência, pode querer transformar o corpo em algo que não seja desejável”, diz Rosemary Peres Miyahara, coordenadora do Centro de Referência à Vítima de Violência do Instituto Sedes Sapientiae São Paulo. Alguns mantêm o chamado pacto do silêncio, quando a vítima recebe ameaças para ficar calada. “Se for um familiar, pode dizer que vai deixá-lo ou que ninguém vai acreditar na história. Existe também a vergonha.”

No caso do jovem explorado, o principal risco é fazer parte de uma organização criminosa. “Aquele que tem carências materiais, em um mundo onde o importante é o que a gente tem, acaba se tornando presa fácil para o mercado do sexo”, afirma a psicóloga.

Ao longo dos anos, o abuso tem impacto na construção da identidade da vítima. “Meninas e meninos acham que faz parte de si ser explorado. Então, não se previnem. Há riscos de gravidez, aborto e doenças sexualmente transmissíveis. Não têm critérios sobre com quem transar.” Além disso, quando a comunidade descobre, sofrem preconceito. “Começam a tratar mal e a rotular (o jovem abusado).”


Livros falam sobre o tema

Após os acontecimentos na festa dos veteranos do Ensino Médio, Melinda vive calada e sozinha. Nem pais, professores ou colegas percebem que as notas baixas e a reclusão vão além da distração. Neste contexto, Fale! (Ed. Valentina, 248 págs., R$ 29,90) retrata a violência sexual e o bullying na adolescência. A autora norte-americana Laurie Halse Anderson, que sofreu abuso na juventude, mantém história realista e na linguagem teen. Outro livro com a mesma temática é Sem Medo de Falar – Relato de Uma Vida de Pedofilia (Ed. Paralela, 232 págs., R$ 24,90), que conta a história do autor Marcelo Ribeiro.


Aplicativo ajuda a denunciar

Somente no ano passado, 7.702 casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes brasileiros foram registrados pelo Disque Denúncia. No entanto, muitas agressões ainda não são reveladas. Por isso, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lança hoje a campanha Está em suas Mãos Proteger as Crianças, incentivando o uso do aplicativo Proteja o Brasil, disponível gratuitamente para sistemas iOS e Android.

A inovação traz explicações sobre formas de violência e facilita a denúncia. Por reconhecer a localização do usuário, indica qual é a delegacia mais próxima, conselho tutelar ou até mesmo para onde pode ligar. “As pessoas precisam saber identificar a violência e como reagir. Se virem uma criança trabalhando ou adolescente prostituído, vão saber que é violação de direitos, que é inadmissível e têm de fazer a denúncia”, explica Casimira Benge, chefe da área de proteção à criança do Unicef. 



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;