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Teleférico apresenta
falha de manutenção

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pane no equipamento do Parque Estoril no final de
semana poderia ter sido evitada com planejamento


Fábio Munhoz
Rafael Ribeiro

14/01/2014 | 07:00


Falta de manutenção e erro de projeto podem ter ocasionado a falha no para-raio do Parque Estoril, em São Bernardo, no fim da tarde de sábado. O teleférico do espaço, localizado no Riacho Grande, foi paralisado após descarga elétrica. Seis vítimas tiveram de esperar o resgate por cerca de três horas, a dez metros de altura. Apesar dos transtornos e do susto, ninguém ficou ferido.

No dia do acidente, a cidade foi atingida por 156 relâmpagos, segundo o Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), departamento vinculado ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Considerando a área territorial do município, a densidade foi de 9,31 raios por quilômetro quadrado – índice que é elevado, segundo o coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior. A maior média do Estado é registrada em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo: 13,3.

Apesar da atividade elétrica intensa, a professora Rosângela Gin, do Departamento de Física da FEI (Fundação Educacional Inaciana), afirma que o para-raio do parque pode ter sido mal dimensionado. “Quando se instala o para-raio é preciso fazer estudo da região e ver qual é o sistema que mais vai produzir proteção.” A especialista aponta também possibilidade de manutenção inadequada. “Com o tempo, os cabos vão partindo ou saindo do lugar”, acrescenta.

A professora salienta que, dependendo da intensidade da descarga elétrica, o para-raio pode não suprir a demanda. “Mas são raríssimos os casos. As normas de proteção trabalham com a média, mas também com situações extremas. Tem de estudar a região para ver se ali há casos extremos.” Segundo ela, um relâmpago pode, também, queimar o gerador de energia – item que não funcionou no sábado.

O coordenador do Elat defende que os parques abertos precisam adotar mecanismos sofisticados para previsão de tempestades. O objetivo é evitar que as pessoas se exponham a situações de riscos. “Esses equipamentos podem gerar alertas para que a atividade seja interrompida. É arriscado deixar esse monitoramento a cargo de pessoas inexperientes. Até porque as tempestades podem se deslocar muito rapidamente, em velocidade de até um quilômetro por minuto, e pegar o operador de surpresa”, detalha Osmar.

Outra falha, acusa o especialista, foi a falta de plano de evacuação para a área. “Muitas vezes não adianta gerar alerta se não houver esquema para esvaziamento. Isso pode causar pânico e até gerar acidente pior.”

O teleférico foi reaberto em 2011 após ficar sem reforma por 15 anos. O serviço de revitalização custou R$ 1,3 milhão e foi feito pela Migliorini Artes Ltda, empresa com sede em Pindamonhangaba. O proprietário, Irineu Migliorini, foi procurado pela equipe do Diário, mas não retornou os contatos. A atração é terceirizada e a responsabilidade pela operação é da empresa Água das Rochas Ltda, razão social da Estância Alto da Serra. O proprietário da casa de shows, Eloy Carlone, afirmou que a administração municipal é responsável pelo para-raio e que, por esse motivo, não comentaria o assunto.

A Prefeitura foi questionada a respeito das declarações dos especialistas, mas se limitou a repetir as informações já divulgadas pelo prefeito Luiz Marinho (PT) no dia do acidente. O Executivo ressaltou que uma descarga elétrica afetou o painel de controle e os motores do teleférico do Parque Estoril. A assessoria de imprensa garantiu que foi formada comissão entre técnicos das secretarias de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo e de Gestão Ambiental para apurar os fatos. A administração afirmou ainda que seria “irresponsabilidade fazer qualquer avaliação antes do resultado da verificação técnica”.

Foi o pior dia da minha vida, diz vítima de acidente

Três horas. Esse foi o tempo que o administrador Nelson Carneiro da Silva Júnior, 50 anos, ficou preso no teleférico do Parque Estoril no acidente de sábado. Ainda abalado, ele não titubeou em considerar o período que passou no aparelho como o pior pesadelo de sua vida.

“Foi uma tarde de terror”, disse. “Eu ali em cima, com chuva e frio, achando que o raio podia me pegar a qualquer momento.” Durante boa parte do período, ele gravou o drama da família através do celular. Os vídeos são o retrato perfeito dos momentos de pânico vividos. Clique abaixo para conferi-los. 

Vídeo 1

Vídeo 2

Vídeo 3

A família, moradora do bairro Golden Park, frequenta o parque. Naquele dia, pai, mulher e filha só decidiram ir embora quando a chuva ameaçou aparecer. Desta forma, optaram pelo teleférico. Júnior foi sozinho em um banco da frente, com Cleide, 38, e Beatriz, 10, no assento traseiro.

Hoje, a situação da família é difícil. Beatriz ficou com hipotermia, precisou ser socorrida à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Riacho Grande e até tem as escoriações nas costas. Cleide não pode escutar trovões e ver chuva que começa a chorar.

Júnior faz diversas acusações contra os responsáveis. Disse que o teleférico não possuía sistema manual para caso de falhas de energia. Também aponta que o gerador do local não funcionou e o socorro demorou.

Diante do que viveu, Júnior não tem dúvidas. Pela ligação emocional com o parque, que frequentava desde criança com o pai, continuará indo ao local, sem passar perto do teleférico.

“Vamos cobrar dos responsáveis, seja pela esfera criminal ou civil. Vou registrar boletim de ocorrência e consultar advogados. Alguém tem de pagar”, disse o administrador. 



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Teleférico apresenta
falha de manutenção

Pane no equipamento do Parque Estoril no final de
semana poderia ter sido evitada com planejamento

Fábio Munhoz
Rafael Ribeiro

14/01/2014 | 07:00


Falta de manutenção e erro de projeto podem ter ocasionado a falha no para-raio do Parque Estoril, em São Bernardo, no fim da tarde de sábado. O teleférico do espaço, localizado no Riacho Grande, foi paralisado após descarga elétrica. Seis vítimas tiveram de esperar o resgate por cerca de três horas, a dez metros de altura. Apesar dos transtornos e do susto, ninguém ficou ferido.

No dia do acidente, a cidade foi atingida por 156 relâmpagos, segundo o Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), departamento vinculado ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Considerando a área territorial do município, a densidade foi de 9,31 raios por quilômetro quadrado – índice que é elevado, segundo o coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior. A maior média do Estado é registrada em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo: 13,3.

Apesar da atividade elétrica intensa, a professora Rosângela Gin, do Departamento de Física da FEI (Fundação Educacional Inaciana), afirma que o para-raio do parque pode ter sido mal dimensionado. “Quando se instala o para-raio é preciso fazer estudo da região e ver qual é o sistema que mais vai produzir proteção.” A especialista aponta também possibilidade de manutenção inadequada. “Com o tempo, os cabos vão partindo ou saindo do lugar”, acrescenta.

A professora salienta que, dependendo da intensidade da descarga elétrica, o para-raio pode não suprir a demanda. “Mas são raríssimos os casos. As normas de proteção trabalham com a média, mas também com situações extremas. Tem de estudar a região para ver se ali há casos extremos.” Segundo ela, um relâmpago pode, também, queimar o gerador de energia – item que não funcionou no sábado.

O coordenador do Elat defende que os parques abertos precisam adotar mecanismos sofisticados para previsão de tempestades. O objetivo é evitar que as pessoas se exponham a situações de riscos. “Esses equipamentos podem gerar alertas para que a atividade seja interrompida. É arriscado deixar esse monitoramento a cargo de pessoas inexperientes. Até porque as tempestades podem se deslocar muito rapidamente, em velocidade de até um quilômetro por minuto, e pegar o operador de surpresa”, detalha Osmar.

Outra falha, acusa o especialista, foi a falta de plano de evacuação para a área. “Muitas vezes não adianta gerar alerta se não houver esquema para esvaziamento. Isso pode causar pânico e até gerar acidente pior.”

O teleférico foi reaberto em 2011 após ficar sem reforma por 15 anos. O serviço de revitalização custou R$ 1,3 milhão e foi feito pela Migliorini Artes Ltda, empresa com sede em Pindamonhangaba. O proprietário, Irineu Migliorini, foi procurado pela equipe do Diário, mas não retornou os contatos. A atração é terceirizada e a responsabilidade pela operação é da empresa Água das Rochas Ltda, razão social da Estância Alto da Serra. O proprietário da casa de shows, Eloy Carlone, afirmou que a administração municipal é responsável pelo para-raio e que, por esse motivo, não comentaria o assunto.

A Prefeitura foi questionada a respeito das declarações dos especialistas, mas se limitou a repetir as informações já divulgadas pelo prefeito Luiz Marinho (PT) no dia do acidente. O Executivo ressaltou que uma descarga elétrica afetou o painel de controle e os motores do teleférico do Parque Estoril. A assessoria de imprensa garantiu que foi formada comissão entre técnicos das secretarias de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo e de Gestão Ambiental para apurar os fatos. A administração afirmou ainda que seria “irresponsabilidade fazer qualquer avaliação antes do resultado da verificação técnica”.

Foi o pior dia da minha vida, diz vítima de acidente

Três horas. Esse foi o tempo que o administrador Nelson Carneiro da Silva Júnior, 50 anos, ficou preso no teleférico do Parque Estoril no acidente de sábado. Ainda abalado, ele não titubeou em considerar o período que passou no aparelho como o pior pesadelo de sua vida.

“Foi uma tarde de terror”, disse. “Eu ali em cima, com chuva e frio, achando que o raio podia me pegar a qualquer momento.” Durante boa parte do período, ele gravou o drama da família através do celular. Os vídeos são o retrato perfeito dos momentos de pânico vividos. Clique abaixo para conferi-los. 

Vídeo 1

Vídeo 2

Vídeo 3

A família, moradora do bairro Golden Park, frequenta o parque. Naquele dia, pai, mulher e filha só decidiram ir embora quando a chuva ameaçou aparecer. Desta forma, optaram pelo teleférico. Júnior foi sozinho em um banco da frente, com Cleide, 38, e Beatriz, 10, no assento traseiro.

Hoje, a situação da família é difícil. Beatriz ficou com hipotermia, precisou ser socorrida à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Riacho Grande e até tem as escoriações nas costas. Cleide não pode escutar trovões e ver chuva que começa a chorar.

Júnior faz diversas acusações contra os responsáveis. Disse que o teleférico não possuía sistema manual para caso de falhas de energia. Também aponta que o gerador do local não funcionou e o socorro demorou.

Diante do que viveu, Júnior não tem dúvidas. Pela ligação emocional com o parque, que frequentava desde criança com o pai, continuará indo ao local, sem passar perto do teleférico.

“Vamos cobrar dos responsáveis, seja pela esfera criminal ou civil. Vou registrar boletim de ocorrência e consultar advogados. Alguém tem de pagar”, disse o administrador. 

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