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Médicos no Grande ABC
criticam não revalidação

PMRP Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Profissionais do Exterior apoiam Mais Médicos,
mas dizem que exame seria garantia de qualidade


Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

03/09/2013 | 07:00


Médicos estrangeiros que já atuam na região apoiam o programa Mais Médicos, do governo federal, mas criticam o fato de os profissionais não fazerem o exame de revalidação do diploma, como eles fizeram para atuar aqui.

A primeira brasileira selecionada na ação federal começa a trabalhar hoje, em São Bernardo (leia mais abaixo). O médico de Santo André iniciará atendimento no dia 9, na Unidade de Saúde do Jardim Irene 2, e o de Ribeirão Pires, que trabalhará na USF (Unidade de Saúde da Família) do bairro Quarta Divisão, tem até sexta-feira para se apresentar à Prefeitura.

Os outros quatro médicos selecionados, que se graduaram fora do País e irão para Santo André, São Bernardo e Rio Grande da Serra, começam a partir do dia 16. Eles não precisaram passar pelo Revalida (Sistema de Revalidação de Diplomas Médicos).

Um dos que criticam a não aplicação do exame é o ginecologista obstétrico do Hospital Nardini, em Mauá, Tomás Patricio Smith-Howard, 56 anos. Ele nasceu no Panamá, onde iniciou a graduação. Há 33 anos, decidiu transferir a faculdade para a USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto, onde passou pelo exame de revalidação curricular da época, na própria universidade. “Em qualquer país sério, a revalidação do diploma é fundamental, porque atesta a qualidade da formação do médico, que lida diretamente com a vida das pessoas.”

Mesma opinião tem o cardiologista peruano Luiz Natividad, 36, há sete anos no Brasil e um ano e meio na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Santa Luzia, em Ribeirão Pires. “A universidade de Saúde de Cuba é muito conhecida em todo o mundo por sua qualidade. Os próprios cubanos que vêm para cá pelo programa deveriam manifestar o desejo de passar pelo teste para provar que são bons médicos”, diz o profissional, que atua com colegas brasileiros formados em Cuba na unidade de Saúde, e todos passaram por revalidação.

No caso de Natividad, ele fez o exame há cerca de dois anos, já que, quando chegou ao Brasil, focou-se nos estudos para o doutorado em imunologia. “Como fiquei mais na academia nesse período, a minha adaptação à Língua Portuguesa foi tranquila, porque não precisava fazer diagnóstico. Nesse caso, saber o idioma é essencial.”

Essa foi a principal dificuldade de Smith-Howard em sua adaptação no País. “Aprender o idioma exige tempo e dedicação, principalmente por conta dos regionalismos, tão comuns no Grande ABC por conta da migração.”

O médico lembra a dificuldade em compreender o que era uma casa de pau a pique, que apresenta maior risco de ter barbeiros que transmitem a doença de Chagas. “Não tinha referência no Panamá sobre esse tipo de moradia, então, só o tempo mesmo para conseguir entender tudo. E isso influencia diretamente no modo como o médico atende, pois é essencial entender a queixa do paciente para indicar os exames certos e fazer o diagnóstico.”

DIFICULDADES

O médico da Família boliviano Rolando Jorge Santivanez Villarroel, 40, atua na Unidade de Saúde do Parque Miami desde 2011. Está no País há nove anos, onde veio primeiro para o Rio de Janeiro a fim de se especializar. Ele chegou a ficar quase um ano desempregado por conta do custo de fazer o exame. “Sem registro no CRM (Conselho Regional de Medicina), não conseguia emprego. Eu e minha esposa batalhamos e fizemos a revalidação dos nossos diplomas ainda pela universidade e, para tanto, gastamos R$ 14 mil os dois.”

Na época não havia o Revalida, gratuito, que surgiu em 2011. Mesmo assim, Villarroel defende o exame. “É a forma de comprovar que os conhecimentos adquiridos na universidade estão de acordo para atender bem o paciente.”

Pacientes valorizam simpatia e atenção no Parque Miami

O médico do Programa Saúde da Família da Unidade de Saúde do Parque Miami Rolando Jorge Santivanez Villarroel, 40 anos, é querido entre os pacientes. A primeira coisa que dona Maria Lúcia da Silva Calhegare, 64, perguntou à equipe do Diário após a consulta foi se ele seria levado embora. “Não podem tirar ele daqui. Ele me ajuda, é atencioso e tem paciência para ouvir.”

Com jeito tranquilo, fala mansa e atento aos detalhes, Villarroel se destaca entre os profissionais que, muitas vezes, não dão a atenção necessária aos pacientes, algo corriqueiro no sistema público de Saúde. Abraços, apertos de mão e sorrisos são comuns na rotina de consultas na unidade e visitas aos pacientes na região do Parque Miami, uma vez por semana.

“Não acho que o fato de ele ser estrangeiro muda alguma coisa. Ele cuida bem do meu pai, é o que importa”, diz a dona de casa Silmara Gilber, 45, filha do seo Miguel Gilber, 67, que após ficar internado por causa de câncer de pulmão, é atendido em casa.

Com falta de ar, seo Miguel não consegue falar direito, mas quando é questionado se gosta do médico, abre o sorriso e balança a cabeça em sinal positivo.

Em sua carreira de nove anos no País, Villarroel atuou em cidades do Amazonas juntamente com a mulher, que também é médica. “Era um povo muito carente, principalmente em Eirunepé, cidade pequena e afastada de Manaus.”

Ele cogitou ficar em Coari, também no Amazonas, mas quando a gestão mudou, teve dificuldades em receber o pagamento. “Tenho esposa e filha e não podia ficar sem salário. Por isso, vim para cá.”

Na Bolívia, o médico passou pelo chamado serviço rural obrigatório, na universidade. “Fui enviado para Bolivar, uma região de altitude e o lugar mais carente onde trabalhei. Ali, vi a vida de outra forma e me tornei um médico melhor.” Os pacientes andreenses assinam embaixo.

Primeira médica começa a atender hoje

A primeira médica brasileira selecionada no Mais Médicos, do governo federal, a vir para a região começa a trabalhar hoje, em São Bernardo. Katia Regina Marquinis se formou em 1999 na Faculdade de Medicina de Jundiaí, no interior de São Paulo, especializou-se em oftalmologia e atuou a maior parte da carreira no SUS (Sistema Único de Saúde) ou como voluntária.

“Escolhi fazer Medicina para ajudar os outros. Sei que é uma obrigação do governo, mas acho que a sociedade deve colaborar”, disse Katia, que vai trabalhar na UBS (Unidade Básica de Saúde) Batistini.

A médica, que nasceu na Capital, mora em apartamento na Vila Mariana. Ela clinicará em região carente de São Bernardo. “Tinha passado de carro pelo local e me chamou a atenção”, disse, e acrescentou: “Se no Grande ABC, que é uma região rica, há falta de médicos, imagine como é no Nordeste do Brasil.”

Katia disse ter se surpreendido com a estrutura da UBS. “É uma unidade avançada.”

Para a médica, o programa levará atendimento a muitas pessoas que não tinham acesso a consultas. “É um projeto audacioso, que tem tudo para dar certo. Vai onde a iniciativa privada não vai”, opinou, e afirmou ainda que se inscreveu no Mais Médicos porque é uma questão de levar cidadania a quem mais precisa.

Em Santo André, que também foi contemplada pelo programa, o profissional brasileiro Pedro Ivo Cunha Barros, que se formou no Rio de Janeiro e atenderá na Unidade de Saúde do Jardim Irene 2, começa a trabalhar na segunda-feira.

Já em Ribeirão Pires, o médico brasileiro selecionado pelo governo federal tem até sexta-feira para se apresentar à Secretaria de Saúde e, só então, será definida a data em que ele começará a atuar. (Guilherme Monfardini)

Falta de profissionais adia estreia em várias partes do País

A estreia do programa Mais Médicos foi adiada em várias partes do País pela falta de profissionais. Embora o cronograma oficial estabelecesse ontem como o dia em que 1.096 médicos deveriam se apresentar para o início das atividades, em várias regiões eles não apareceram. O Ministério da Saúde não tinha estimativa sobre as ausências.

Em Brasília, dos 15 profissionais inscritos, apenas nove se apresentaram. “A leitura que se faz é que eles se inscreveram sem convicção sobre se gostariam de integrar o programa”, opina a subsecretária de Atenção Primária de Saúde do Distrito Federal, Rosalina Aratani Sudo.

Em Araguaina, no Tocantins, dos quatro médicos esperados, apenas um se apresentou. Dois disseram que não viriam e outro, que perdera o avião. “Vamos esperar esta semana. Mas a esperança é quase nula”, afirmou o superintendente de Atenção Básica da cidade, Osmar Negreiro Filho.

Em Imperatriz, no Maranhão, dos quatro inscritos, apenas um compareceu. “Está claro que essa ausência é fruto de boicote”, disse o coordenador de Atenção Básica Anderson Gomes Nascimento.

Na cidade baiana de Feira de Santana, também quatro médicos foram selecionados e somente um se apresentou.

As prefeituras têm até dia 12 para informar quantos médicos ingressaram no programa. Atrasos até essa data podem ser tolerados e compensados com desconto de dias de férias ou horas extras. (da AE) 



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