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Presidente eleito do Sebrae priorizará APLs


Frederico Rebello Nehme
Do Diário do Grande ABC

25/12/2004 | 15:38


O recém-eleito presidente do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Okamotto, 48 anos, comandará a partir de janeiro um orçamento de R$ 900 milhões anuais concentrando esforços nas chamadas “ações coletivas entre empresários”. Essas “ações” respondem por 60% dos investimentos do órgão, e englobam, entre outras coisas, os APLs (Arranjos Produtivos Locais).

Nascido em Mauá, Okamotto já foi diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (1981 a 1990) e possui forte ligação com o PT e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tendo atuado como tesoureiro de suas campanhas. Okamotto terá um mandato de dois anos e sucederá Silvano Gianni, atual presidente. A eleição foi definida pelo Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae no último dia 8, em processo que reconduziu à presidência do mesmo conselho Armando Monteiro Neto, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e deputado federal (PTB/PE).

Apesar de apontar as “ações coletivas” como um de seus principais objetivos, o presidente eleito do Sebrae defende o continuísmo administrativo – Okamotto já atuava como diretor de finanças e administração do órgão há dois anos. Nesse continuísmo, a defesa da legislação a favor da micro e pequena empresa – como o projeto de lei que prevê simplificação no pagamento de impostos para microempreendedores, em tramitação no Congresso Nacional – e o fortalecimento do acesso ao crédito têm espaço reservado.

Sobre o desenvolvimento dos APLs no Grande ABC, Okamotto demonstra ter pressa para observar resultados. “Eu tenho muita esperança que projetos como esse do Grande ABC se desenvolvam, até de uma forma mais rápida.” No último dia 21, o presidente eleito do Sebrae, que foi um dos grandes incentivadores dos APLs no Grande ABC, visitou a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC para obter mais detalhes dos APLs na região, que estão organizados em três frentes: autopeças, plástico e ferramentaria.

Metas – “Vou fazer a partir de janeiro o que já faço há dois anos na diretoria do Sebrae. É o que o Conselho Nacional definiu como prioridade. O conselho já tinha colocado como um dos objetivos principais trabalhar pela melhoria do chamado ambiente legal das empresas – ambiente em que vivem as empresas, em que elas trabalham e realizam suas atividades. Outra questão, que será desenvolvida com ênfase, é o que se chama de ações coletivas entre empresários. Ações coletivas são redes de relacionamento entre empresas, os APLs, agrupamentos de empresas, associações, coisas dessa natureza. Cerca 60% dos recursos de nosso programa nacional estão focados em atividades desse tipo. A questão do acesso ao crédito também está entre os nossos objetivos, e por isso estamos trabalhando duro para melhorar a legislação que regulamenta a questão do nível de crédito e dos empréstimos para as pequenas empresas, além da regulamentação das cooperativas de crédito.”

APLs – “Nos APLs é preciso trabalhar um conceito muito forte de associação, para que as empresas interajam e criem sinergia para seus negócios, o que é uma coisa muito importante. Na verdade, é uma outra atitude que os empresários precisam ter, porque partimos do pressuposto de que não há recursos suficientes para financiar o desenvolvimento, financiar a inovação, financiar a tecnologia. A única forma de fazer isso é trabalharmos de forma associada, cada um sabendo o que o outro faz, focando mais sua atividade empresarial em específico, com mais planejamento e uma visão de mercado mais ampla. Eu tenho muita esperança que projetos como esse do Grande ABC se desenvolvam, até de uma forma mais rápida. Aqui temos empresas que já sofreram, sentiram na pele as dificuldades do nosso país. É muito mais fácil você trabalhar mudanças de comportamento com empresas que já encararam o mercado, já tiveram vitórias e reveses.”

Grande ABC – “Eu acho que existem muitas oportunidades no Grande ABC, quer seja na área gráfica, quer seja na indústria petroquímica, de plásticos, na própria área de ferramentaria, de cosméticos, entre outras. Aqui nós temos um mundo todo especial, porque é o lugar mais industrializado do Brasil, é o lugar do país em que há mais experiências empresariais. Portanto, existe uma janela de oportunidades fantástica que a gente tem de aproveitar. Há muitos espaços, numa região como esta, para o desenvolvimento, especialmente tendo em vista a questão do consumo, pois temos uma grande renda per capita. Existe também uma grande concentração de empresários com muita experiência, e há espaço para atividades que são mais compatíveis com serviços empresariais, serviços para outras indústrias, que podem ser desenvolvidos sem serem necessariamente atividade industrial. Temos grande concentração de conhecimento por causa das universidades, que estão próximas de empresários e trabalhadores. Nós temos de aproveitar todo esse potencial, porque isso é um investimento de muitos anos que foi feito e que agora tem de ser melhor aproveitado, nas vocações e nas vantagens competitivas que gerou.”

Legislação – “O Sebrae tem obrigação de produzir estudos e pesquisas sobre as melhores práticas empresariais, trabalhistas, administrativas, previdenciárias e até tecnológicas, e apresentar propostas para o poder público colocá-las em prática, eventualmente em forma de lei. Nossa expectativa é que até o final de 2005 a lei enviada pelo governo que cria incentivos ao microempreendedor seja aprovada. É uma lei, do nosso ponto de vista, que vai possibilitar a formalização de muitas empresas, de muitas pessoas que trabalham em atividades pequenas. Esse projeto acaba levando à cidadania empresarial, ao acesso ao crédito e à tecnologia que possibilitará a esses empresários trabalhar de forma mais organizada. Mas essa é uma primeira etapa. Queremos que o governo federal aprecie em 2005 a chamada a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que é uma revolução do ponto de vista empresarial.”


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