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'E.T.' será relançado com novidades em 2002


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

22/12/2001 | 14:54


Bastaram três palavras, pronunciadas em inglês trôpego e rouco por um sujeito cabeçudo, enrugado e amável, para enternecer críticos, público e a comunidade cinematográfica em geral. “E.T., phone, home”. Equivalentes em inglês para “E.T.”, “telefone” e “casa”, os três vocábulos foram colocados, em 1982, na boca do protagonista de E.T. – O Extraterrestre, vindo sabe-se lá de onde, sabe-se lá porque, para botar o mundo de joelhos, curvado frente ao tino comercial e criativo de Steven Spielberg.

Foi assim e assim será, 20 anos depois de sua estréia nos Estados Unidos. Em março do próximo ano, a fim de celebrar as duas décadas de lançamento do maior filme dos anos 80, os estúdios Universal preparam um relançamento que sucumbirá à práxis da temporada, manifestada entre cineastas como George Lucas, Francis Ford Coppola e William Friedkin. E.T. finalmente terá o seu “director’s cut”, a versão do diretor.

O significado disso, todo bom cinéfilo conhece. Cenas novas, discretas (mas fundamentais) mudanças em seqüências conhecidas e toda sorte de facilidades que só a tecnologia digital advinda após Jurassic Park (do mesmo Spielberg), em 1993, pode proporcionar.

Spielberg, de tesoura empunhada, e a produtora Kathleen Kennedy, com as justificativas na ponta da língua. “Não é pelo dinheiro. Nós queremos apresentar o filme apropriadamente, em uma tela de cinema, para novas gerações.” OK, as finanças ficam em segundo plano, mas seria tolice não considerar um faturamento inflável para a reestréia, que engordaria os US$ 702 milhões já arrecadados em todo o mundo de 1982 para cá. O cofrinho entupido de dólares é a prova de que também pode ser atribuído a Spielberg o milagre da multiplicação – ele precisou de pouco mais de US$ 10 milhões para concluir E.T..

O retorno da cambaleante criatura aos projetores promete um arrastão de novidades. Serão dez minutos a mais de filme, que incluem a cena em que E.T. e o garoto Elliott (Henry Thomas) tomam banho – excluída na época dadas as limitações dos efeitos especiais; os movimentos dos lábios do alienígena serão aperfeiçoados graças ao tratamento do CGI (tecnologia digital); a tomada do Halloween, quando Elliott e seu irmão passeiam com o extraterrestre de estimação fantasiado de fantasma, será esticada; e ainda haverá a aparição-relâmpago de Harrison Ford, excluída pelo temor de que o ator, então ascendente, pudesse roubar a cena.

Tudo dentro dos conformes até Spielberg decalcar um certo maneirismo politicamente correto, evidente em mudanças cabais na nova versão de E.T.. As armas portadas pelos agentes do governo que rastreiam a molecada serão substituídas digitalmente por walkie-talkies e palavras como “pênis” e “terrorista” foram excluídas dos diálogos. Quem diria, até mesmo o famoso pacifista interplanetário, retratado pelo cineasta como uma versão em crepon da saga cristã, contribuiria para a infantilização crescente do cinema hollywoodiano.



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'E.T.' será relançado com novidades em 2002

Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

22/12/2001 | 14:54


Bastaram três palavras, pronunciadas em inglês trôpego e rouco por um sujeito cabeçudo, enrugado e amável, para enternecer críticos, público e a comunidade cinematográfica em geral. “E.T., phone, home”. Equivalentes em inglês para “E.T.”, “telefone” e “casa”, os três vocábulos foram colocados, em 1982, na boca do protagonista de E.T. – O Extraterrestre, vindo sabe-se lá de onde, sabe-se lá porque, para botar o mundo de joelhos, curvado frente ao tino comercial e criativo de Steven Spielberg.

Foi assim e assim será, 20 anos depois de sua estréia nos Estados Unidos. Em março do próximo ano, a fim de celebrar as duas décadas de lançamento do maior filme dos anos 80, os estúdios Universal preparam um relançamento que sucumbirá à práxis da temporada, manifestada entre cineastas como George Lucas, Francis Ford Coppola e William Friedkin. E.T. finalmente terá o seu “director’s cut”, a versão do diretor.

O significado disso, todo bom cinéfilo conhece. Cenas novas, discretas (mas fundamentais) mudanças em seqüências conhecidas e toda sorte de facilidades que só a tecnologia digital advinda após Jurassic Park (do mesmo Spielberg), em 1993, pode proporcionar.

Spielberg, de tesoura empunhada, e a produtora Kathleen Kennedy, com as justificativas na ponta da língua. “Não é pelo dinheiro. Nós queremos apresentar o filme apropriadamente, em uma tela de cinema, para novas gerações.” OK, as finanças ficam em segundo plano, mas seria tolice não considerar um faturamento inflável para a reestréia, que engordaria os US$ 702 milhões já arrecadados em todo o mundo de 1982 para cá. O cofrinho entupido de dólares é a prova de que também pode ser atribuído a Spielberg o milagre da multiplicação – ele precisou de pouco mais de US$ 10 milhões para concluir E.T..

O retorno da cambaleante criatura aos projetores promete um arrastão de novidades. Serão dez minutos a mais de filme, que incluem a cena em que E.T. e o garoto Elliott (Henry Thomas) tomam banho – excluída na época dadas as limitações dos efeitos especiais; os movimentos dos lábios do alienígena serão aperfeiçoados graças ao tratamento do CGI (tecnologia digital); a tomada do Halloween, quando Elliott e seu irmão passeiam com o extraterrestre de estimação fantasiado de fantasma, será esticada; e ainda haverá a aparição-relâmpago de Harrison Ford, excluída pelo temor de que o ator, então ascendente, pudesse roubar a cena.

Tudo dentro dos conformes até Spielberg decalcar um certo maneirismo politicamente correto, evidente em mudanças cabais na nova versão de E.T.. As armas portadas pelos agentes do governo que rastreiam a molecada serão substituídas digitalmente por walkie-talkies e palavras como “pênis” e “terrorista” foram excluídas dos diálogos. Quem diria, até mesmo o famoso pacifista interplanetário, retratado pelo cineasta como uma versão em crepon da saga cristã, contribuiria para a infantilização crescente do cinema hollywoodiano.

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