Legislativo As investigações começaram em julho de 2025, após a apreensão de R$ 14 milhões em espécie — entre reais e dólares — com um servidor municipal suspeito de integrar a organização criminosa
FOTO: André Henriques | DGABC

Atualizada às 19h20
A Operação Estafeta, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (14), pode provocar mudanças também no Legislativo de São Bernardo. Entre os alvos das medidas cautelares expedidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo está o vereador e presidente da Casa, Danilo Lima (Podemos), afastado do cargo por um ano após decisão da 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Apesar da deliberação, a Câmara não havia sido oficialmente informada até o ínico da noite quinta-feira (14). LEIA MAIS: Marcelo Lima é afastado da Prefeitura e usará tornozeleira eletrônica
Com a saída temporária de Lima, ainda não há definição de como será conduzida a presidência da Câmara. O Regimento Interno da Casa apresenta pontos ambíguos sobre a sucessão, deixando em aberto se a vice-presidenta, Ana Nice (PT), assumirá o cargo. Por isso, vereadores têm se reunido durante o dia para a definição. Além de Danilo Lima, também foi afastado o vereador Ary José de Oliveira (PRTB). A ofensiva da PF mobilizou 70 agentes e cumpre 16 mandados de busca e apreensão, duas prisões temporárias, quebras de sigilos bancário e fiscal, e bloqueio de até R$ 13 milhões em bens e valores. As ações ocorrem em São Bernardo, Santo André, Mauá, Diadema e na Capital. As investigações começaram em julho de 2025, após a apreensão de R$ 14 milhões em espécie — entre reais e dólares — com um servidor municipal suspeito de integrar a organização criminosa. O inquérito aponta para um esquema estruturado entre integrantes da alta administração municipal, que atuariam como operadores financeiros para movimentar valores oriundos de contratos firmados pelo município e pela Fundação ABC. Parte do dinheiro teria sido usada para custear despesas pessoais do prefeito Marcelo Lima (Podemos) e de familiares, com depósitos fracionados para burlar o controle do Coaf. O prefeito também foi afastado de suas funções por um ano e obrigado a usar tornozeleira eletrônica. No Executivo, a vice-prefeita Jessica Cormick (Avante) assumiu interinamente o comando da cidade. Em nota, Ana Nice afirmou: “Na manhã desta quinta-feira (14), nosso mandato foi surpreendido com a notícia do afastamento do prefeito Marcelo Lima, após operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de corrupção na Prefeitura de nossa cidade. Seguimos defendendo a apuração rigorosa do caso, pois se trata de uma investigação policial que precisa ser conduzida com transparência e responsabilidade. A cidade não pode ser prejudicada por supostas irregularidades que impactam diretamente a vida de cada cidadã e cidadão são-bernardense. Enquanto vice-presidenta da Câmara, reafirmo nosso compromisso de seguir todas as medidas previstas no Regimento Interno, garantindo a estabilidade institucional e o bom funcionamento do Legislativo. No momento, a população de São Bernardo do Campo precisa de rigorosa apuração e justiça.” Em declaração ao Diário durante a tarde, a vereadora afirmou que Danilo "segue sendo presidente da Câmara", já que não havia notificação oficial.
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Mineira de Espinosa e filha de lavradores, Ana Nice superou uma infância de dificuldades. Perdeu a mãe aos cinco anos e o pai aos 14, e trabalhou nas roças de algodão antes de se mudar para São Bernardo, em 1988, em busca de tratamento médico para o irmão mais novo. Foi alfabetizada já na adolescência e, mais tarde, formou-se em História pela Fundação Santo André, com especialização em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Unicamp. Metalúrgica e líder sindical, construiu sua trajetória na luta por direitos das mulheres, igualdade racial e inclusão social. Trabalhou na Panex a partir de 1993 e, em 2002, foi eleita representante dos trabalhadores, integrando o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Tornou-se diretora executiva da entidade em 2011 e licenciou-se em 2016 para disputar as eleições municipais, tornando-se a primeira mulher negra eleita vereadora em São Bernardo. Eleita pelo PT com 4.090 votos em 2016 e reeleita em 2020 com 4.728 votos — sendo a mais votada de seu partido —, Ana Nice agora está no centro das discussões sobre a sucessão na presidência da Câmara Municipal após o afastamento de Danilo Lima. LEIA MAIS: Entenda operação que afastou Marcelo Lima, prefeito de São Bernardo
Manifestação
Quem é Ana Nice
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