Setecidades Titulo Cenário alarmante

Região soma três agressões a médicos em menos de dois meses

Desta vez, o caso ocorreu na UPA Perimetral, em Santo André, na noite dessa quinta-feira (31), e envolveu um paciente agressivo desde o início do atendimento

01/08/2025 | 15:24
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FOTO: Google Maps Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC voltou a registrar um episódio de violência contra profissionais da saúde. Desta vez, o caso ocorreu na UPA Perimetral, em Santo André, na noite dessa quinta-feira (31), e envolveu um paciente agressivo desde o início do atendimento. Segundo nota oficial da Prefeitura, ele chegou à unidade com queixas de formigamento nas mãos e cefaleia e tentou agredir a equipe médica enquanto recebia medicação. A GCM (Guarda Civil Municipal) foi acionada e conseguiu conter a situação rapidamente, sem feridos. O atendimento aos demais pacientes não foi comprometido.

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“O paciente foi agressivo desde o começo do atendimento e, quando estava recebendo medicação, tentou agredir a equipe. A GCM foi acionada e teve uma pronta resposta, controlando a situação. Não houve lesão física dos servidores ou do paciente. O atendimento não foi prejudicado”, informou a Secretaria de Saúde do município, em nota ao Diário.

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Este é o terceiro caso de agressão contra profissionais da saúde pública registrado na região em menos de dois meses. Os episódios recentes acendem um alerta sobre a segurança nas unidades de atendimento e expõem a vulnerabilidade de médicos, enfermeiros e demais trabalhadores do setor.

No início de julho, no dia 5, uma médica foi agredida por uma paciente na UPA Alvarenga, em São Bernardo. A situação ocorreu após a recusa da profissional em emitir um atestado considerado clinicamente injustificável. A médica acionou o botão de pânico da unidade, e a GCM, junto à Polícia Militar, controlou a ocorrência. A vítima, com cerca de três anos de atuação na rede, recebeu acompanhamento da Secretaria de Saúde, que repudiou a violência e destacou que todas as UPAs do município contam com dispositivos de emergência.

Em 14 de junho, a violência atingiu também o Hospital Municipal Márcia Braido, em São Caetano, onde uma médica pediatra foi fisicamente agredida pela mãe de um paciente durante o plantão noturno. A agressora também destruiu parte da estrutura do hospital, incluindo a recepção e a área do laboratório, o que provocou a transferência dos atendimentos emergenciais para o Hospital Zerbini até a liberação do prédio. A identidade da agressora não foi divulgada. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

À época, a Prefeitura de São Caetano afirmou que adotou todas as medidas legais e ofereceu apoio psicológico à equipe atingida. “A todos os profissionais de saúde, o nosso agradecimento e profundo respeito”, dizia o comunicado oficial da administração.

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Problema nacional

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Grande ABC, José Roberto Cardoso Murisset, a situação vivida na região reflete um problema nacional. Em entrevista ao Diário, concedida logo após o caso em São Caetano, ele revelou que mais de 4.500 médicos já haviam sido vítimas de violência em 2024 no Brasil, conforme dados do CFM (Conselho Federal de Medicina). Isso representa uma média alarmante de 12 agressões por dia.

“O caso ocorrido no Hospital Márcia Braido foi extremo, mas infelizmente não é isolado”, afirmou Murisset. “Temos percebido um aumento não só na frequência, mas também na gravidade das agressões dentro das unidades de saúde.”

O dirigente sindical também chamou atenção para a falta de estrutura adequada para acolhimento emocional dos profissionais agredidos e defendeu medidas mais duras contra os agressores. “É preciso ter seguranças especializados, preparados para agir diante de ameaças verbais ou físicas. Muitas vezes, a violência começa com ofensas, e já seria o momento de acionar as autoridades antes que piore.”

Além do impacto físico, as agressões geram efeitos psicológicos profundos. “Casos assim podem desencadear transtornos de estresse pós-traumático, levar ao afastamento do trabalho e até à aposentadoria precoce. Já tivemos profissionais com décadas de carreira que pensaram em abandonar a profissão após episódios de violência”, alertou Murisset.

O sindicato defende a criação de políticas permanentes de acolhimento e acompanhamento psicológico, além da implantação de delegacias especializadas para casos de violência contra trabalhadores da saúde.

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(Colaborou Gabriel Gadelha)




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