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Em 2015 o Brasil registrou 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, com mais de 800 mortes confirmadas, enquanto em 2024 foram registrados 6,6 milhões de casos prováveis com aproximadamente 6.000 mortes.
O brutal aumento do número de casos através dos anos se relaciona a inúmeros fatores, são as altas temperaturas dos últimos anos que promovem o cenário para o fenômeno.
Sabe-se que os ovos postos pelas fêmeas ficam viáveis por aproximadamente um ano e para eclodirem bastam um a dois dias de imersão em água, restando então, sete a dez dias para que os mosquitos alcancem a vida adulta, quando as fêmeas estarão aptas a picar seres humanos e transmitir alguns vírus, notadamente os quatro subtipos da dengue.
Os indivíduos infectados podem evoluir com quadros clínicos variáveis, que em suas apresentações mais graves apresentam febre alta, cefaleia, dores musculares e nos olhos, petéquias (manchas vermelhas de 1 a 2 mm), falta de apetite, mal-estar, náuseas e vômitos.
Muito embora a primeira infecção pelo vírus da dengue possa ser grave, habitualmente a reinfecção oferece mais riscos, independentemente do sorotipo contraído, o que torna importante a confirmação do diagnóstico nas duas situações, cabendo a procura pelo serviço de saúde, também para estimar a gravidade.
O uso de repelentes contendo Icaridina, DEET ou IR3535, conquanto não infalíveis, são reconhecidamente eficazes contra o mosquito, estabelecendo bom lastro de proteção.
A vacinação é a alternativa mais promissora no enfrentamento desta doença, batalha para qual contamos atualmente apenas com a QDenga, da farmacêutica japonesa Takeda Pharma, que aplicada em duas doses com intervalo de 3 meses, oferece cerca de 63% de eficácia para doença sintomática de qualquer gravidade e 85% para internação.
Esta imunização é indicada para indivíduos com idade entre 4 e 59 anos, contudo, em virtude do elevado custo e escassez deste imunizante, quando ofertada pelo SUS está indicada apenas para a população entre 10 e 14 anos, faixa etária com maior número de internações por esta doença.
Mas, as ações mais impactantes no enfrentamento deste iminente e brutal transtorno sanitário devem ser executadas pela união de forças entre a população e o poder público, no empenho conjunto de esforços para eliminação dos focos de potenciais criadouros, representados por objetos que permitem acúmulo de água de chuvas.
Ser atingido pelo inesperado é infortúnio, mas não se preparar para o óbvio é falta de inteligência!
Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.
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