Iniciativa pretende difundir o encontro de rappers que existe em São Bernardo há mais de 11 anos
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A Batalha da Matrix, manifestação cultural de rap nascida no Centro são-bernardense, criou neste ano um selo para se tornar independente de gravadoras e lançar suas próprias produções. A marca, batizada de Direto da Matrix, é organizada por nove artistas e produtores que participam da tradicional competição ritmada no pátio da Igreja Matriz, sempre às quintas-feiras.
Há mais de 11 anos, tudo acontece quando o vaivém comercial da rua Marechal Deodoro adormece e, pelas noites, jovens se aglomeram em frente ao pátio paroquial. A partir dos improvisos e rimas, nasceu de forma natural a necessidade de um estúdio para um grupo de talentos que se destacou.
“Montamos alguns equipamentos no bairro Baeta Neves e colocamos a meta de ter um selo próprio no ano passado, para lançar singles de forma independente. Ver toda a papelada se concretizar e conseguir tirar o projeto do papel traz uma felicidade indescritível. É bonito de ver, na real, porque a Batalha da Matrix mesmo nasceu pequena, comigo e com mais quatro amigos skatistas e grafiteiros (Guilherme Genereze, Thiago Tamaoki, Caio Cesar, Diogo de Brito Bruno e Dago Ferreira) unindo cada vez mais e mais gente em torno da arte”, comenta um dos fundadores, Lucas Fonseca do Vale.
Segundo ele, do simples quinteto de 2013, hoje o cenário foi multiplicado para 700 espectadores semanais e a proporção da iniciativa cresceu de forma surpreendente. “A Batalha é ligada com o CPMCs (Circuito Paulista de Batalha de MCs) e considerada uma das maiores do Estado. Em mais de uma década de resistência, já estiveram conosco Dexter e Emicida, por exemplo”, destaca.
A ideia é que, no rumo da independência em relação a gravadoras, o alcance da arte de resistência são-bernardense seja ainda maior no futuro. “As plataformas digitais possibilitam isso para a gente”, conta Lucas do Vale.
Atualmente, além de Lucas, outros oito membros dão corpo às gravações: três produtores e seis compositores rappers (conhecidos como MCS, os mestres de cerimônia). “Destes, todos fazem show e têm discos lançados. Juntamos esta expertise e conectamos a galera para trazer o dinamismo regional de uma forma mais unida mesmo. A gente acredita que é essa mudança na organização que pode ajudar no próprio crescimento da Batalha da Matrix, porque, com o lucro de caixa, bancaremos o transporte de alguns participantes e poderemos, para investir, premiar em dinheiro o campeão da temporada na Batalha”, afirma.
Para estrear o status autônomo, o grupo promove a nova faixa Deixa no gelo e deve recrutar mais membros no ano que vem. “O ano de 2025 é de transformação. Ainda não sabemos quando será o lançamento de um disco do nosso selo mesmo, agora, mas estamos indo de música em música, de passo em passo. O crescimento pode ser de vendas, mas a marca e, principalmente a Batalha, seguirão em crescente”, descreve, otimista.
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