Setecidades Titulo O Natal para todos
Papai Noel marca presença no pós-Balsa de São Bernardo

Ação da Cufa São Bernardo presenteou 30 crianças em situação de vulnerabilidade

Thainá Lana
25/12/2024 | 09:18
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FOTO: Denis Maciel/DGABC

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Seja nos centros urbanos, nos morros ou nas áreas rurais, a expectativa das crianças neste Natal é a mesma: receber a visita do Bom Velhinho. Neste ano, o Papai Noel saiu das comunidades de São Bernardo para conhecer os pequenos moradores do pós-Balsa, localizado no subdistrito de Riacho Grande, às margens da Represa Billings. 

Em uma manhã mágica, cerca de 30 crianças em situação de vulnerabilidade social aproveitaram, algumas pela primeira vez na vida, a companhia do Papai Noel e receberam brinquedos e doces. A distribuição dos presentes aconteceu na última segunda-feira (23), no Taquacetuba, último bairro do Riacho Grande, já quase na divisa com a Zona Sul da Capital. 

A ação especial de Natal foi promovida pela Cufa (Central Única das Favelas) São Bernardo, em parceria com a unidade de Heliópolis, que doou parte dos brinquedos – os demais itens foram custeados pelos próprios voluntários da entidade. Com trabalho voltado para as comunidades, a Cufa atende cerca de 12 mil famílias em 108 favelas do município são-bernardense. 

Figura conhecida nos eventos natalinos solidários da cidade, o presidente da Cufa São Bernardo, Marcos Miranda, o Marcão, encarou o desafio de encenar o Papai Noel poucos dias antes do Natal para atender as crianças do pós-Balsa. Desde 2020 que ele interpreta o Bom Velhinho em ações sociais. 

Apesar da experiência, a missão deste ano foi mais desafiadora por conta da distância. Para chegar ao último bairro da área rural, o grupo de voluntários percorreu mais de 30 km, entre balsa para atravessar a represa e intensa estrada de terra. 

Com direito a carro de som com músicas natalinas, o Papai Noel da Cufa chegou à Associação de Moradores Taquacetuba e Clube de Mães, onde as crianças aguardavam ansiosamente. Recebido com abraços e gritos de euforia, Marcão ressaltou que o esforço valeu a pena. 

“Aqui é uma área esquecida por todos, poder público, empresas, ninguém realiza ações nesse território. Tinha crianças que nunca viram um Papai Noel. Fico feliz de ver a alegria deles e isso me dá forças para continuar. Mas, ao mesmo tempo é uma situação triste porque revela o descaso com esses moradores. Tem bairros que chegam a ter 30 festas de Natal. Se cada um fizer um pouco e se dividir, todos são atendidos, mas enquanto isso não acontece, nós ocupamos os espaços que estão vazios”, desabafou Marcão. 

O presidente da Cufa revelou ainda que não conseguiu arrecadar mais doações devido ao preconceito e, por conta disso, os voluntários precisaram arcar com parte dos itens entregues. “Quando pedi parceria para algumas empresas para realizar essa ação, recebi a justificativa de que não iriam participar porque a população daqui não fazia parte do ticket médio deles. É aí que se enganam. Na hora da compra, o favelado, o morador de área rural, paga o mesmo valor que qualquer outro”, contou. 

GRATIDÃO 

Não eram apenas as crianças que não conseguiam esconder a alegria com a ação de Natal. A presidente da associação de moradores, Maria Aparecida de Matos, celebrou a entrega de presentes e disse que os pequenos moradores da região não teriam nenhuma festa por falta de doações. No total, a entidade atende 115 famílias em situação de vulnerabilidade. Segundo levantamento de 2022 da associação, o bairro Taquacetuba possui 580 famílias. 

“Não tenho palavras para descrever a minha felicidade. Esse ano foi muito difícil, não conseguimos atender nem um terço do total de crianças. Essa festividade me deixa uma mensagem, a de que juntos somos mais fortes e conseguimos muito mais. Um pouco de cada um atende a todos”, falou Maria Aparecida. 

Moradora pede melhorias para 2025

Moradora há 34 anos do pós-Balsa, no Riacho Grande, Maria Aparecida de Matos, 56 anos, já montou sua lista de pedidos para o Ano Novo. Os desejos continuam os meses de décadas atrás: mais infraestrutura e investimentos para o Taquacetuba, bairro localizado no ‘fundão’ do subdistrito de São Bernardo, na divisa com a Zona Sul da Capital. 

Maria Aparecida, que é presidente da associação de moradores, revela que entre as maiores dificuldades enfrentadas pela população está a falta de pavimentação da estrada, que ainda é de terra. Em dias chuvosos, por exemplo, os ônibus municipais ficam atolados nas vias por conta do barro e, segundo a moradora, a condição interrompe a circulação do transporte coletivo.

“É uma demanda muito antiga da população. Já chegamos a ficar dois dias sem poder sair daqui por conta da estrada. Nosso desespero é também devido a emergências de saúde. O bairro tem muito morador idoso que vive sozinho”, comentou a presidente da associação.

A líder comunitária pontua ainda a necessidade de investimentos na área da educação, tanto na alfabetização de jovens e adultos quanto em cursos profissionalizantes. “Muita gente não sabe ler e escrever, e essas pessoas têm muitas dificuldades de acompanhar o EJA (Educação de Jovens e Adultos), então é preciso pensar em outra estratégia pedagógica. Além disso, é necessário oferecer qualificação profissional para que essas pessoas consigam ter uma renda”, explica. 

Desta vez, Maria Aparecida acredita que os pedidos serão realizados. “Estou esperançosa que vai dar certo, temos que acreditar que a nossa qualidade de vida vai melhorar. Em 2025 vamos prosperar”, finalizou.




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