Setecidades Titulo Tentativa de feminicídio
Mulher toma 6 facadas do marido e fica 3 dias à espera de leito em Diadema

Violência ocorreu na noite de domingo; Jessica Alves só recebeu principais cuidados depois de 48 horas

Lays Bento
30/10/2024 | 23:38
Compartilhar notícia
FOTOS: Dino Santos/PMD

ouça este conteúdo

Uma reunião familiar terminou em tentativa de feminicídio na Rua Naochiti Tanaka, na Vila Nogueira, em Diadema, na noite do último domingo (27). O caso foi motivado por ciúmes e deixou a auxiliar administrativa Jessica de Oliveira Alves, 36 anos, com ao menos uma perfuração grave no pulmão após ataque com faca. Durante o atendimento no Hospital Municipal de Diadema, no bairro Piraporinha, ela teve de aguardar até a noite de terça-feira para ser conduzida a um leito, onde a hemorragia no órgão foi drenada. 

Segundo informações do boletim de ocorrência, eram 23h30 de domingo quando o marido, Rodrigo Oliveira Silva, deixou subitamente a mesa do bar onde estava acompanhado por esposa, filha e sobrinha. Ele foi até em casa, situada nas proximidades, e no retorno trouxe na cintura uma faca, usada para golpear Jessica. 

As facadas na mulher só pararam quando a filha, juntamente com outros clientes do estabelecimento, conseguiram derrubá-lo. Preso em flagrante, Silva confessou no 2º Distrito Policial da cidade que estava sob efeito de cocaína. Ainda no depoimento, ele refutou o auxílio de um advogado e declarou ter “perdido a cabeça”, se mostrando arrependido, por ter cinco filhos, um neto e um casamento de 23 anos com Jessica. 

Retomar a vida

Ao Diário, Jessica contou que Silva era o seu companheiro desde os 16 anos. Entretanto, a união havia sido oficializada há apenas três anos, quando os episódios de agressividade começaram a aumentar. "Das vezes que aconteceram, só prestei queixa contra ele uma vez. Hoje, se eu pudesse olhar para trás ou falar para outras mulheres, diria para não confiar na esperança de um relacionamento abusivo, porque quanto mais você prolonga, mais difícil é a saída", desabafou.

De domingo até o começo da terça, o estado de saúde a impediu de falar. Sem acompanhante, Jéssica descreveu as dificuldades para ser atendida após a agressão. "Até agora a polícia não veio me ouvir e eu não sei se ele (Rodrigo) continua preso. Só por isso a situação já é bem constrangedora (...) Eu tava sem oxigênio, querendo também alguma previsão de quando iria para um leito, mas ela não vinha. E, mesmo machucada, também emocionalmente, aqui no hospital você precisa lidar com a ignorância de alguns funcionários e ver corredores lotados, com idosos e gente em tudo quanto é tipo de situação", detalhou. 

Para ela, o sonho de completar um curso de RH (Recursos Humanos), que seguiria até o fim do ano, foi adiado. "Não sei se vou conseguir retomar a vida tão cedo, mas o primeiro passo é curar as feridas", finalizou.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga. Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga.
;