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Washington Olivetto, um dos mais maiores, mais bem-sucedidos e mais reconhecidos publicitários brasileiros, morreu neste domingo (13), aos 73 anos. Após cinco meses internado no hospital Copa Star, no Rio de Janeiro, por problemas pulmonares, sofreu falência múltipla de órgãos.
Ao longo de uma carreira extensa, Olivetto se consagrou como um dos nomes mais premiados do mercado publicitário brasileiro. No Cannes Lions Festival, o mais importante da publicidade global, conquistou mais de 50 estatuetas. Foi, inclusive, o primeiro brasileiro a ganhar um dos principais prêmios. Em 1969, no ano em que começou sua carreira, recebeu um leão de bronze por uma ação para a marca Deca.Cinco anos mais tarde, em 1974, Olivetto conquistou o primeiro leão de ouro da história do País com a campanha “Homem com mais de 40 anos”.
Muitos anos antes do termo “etarismo” entrar em voga, o publicitário levou à televisão brasileira a campanha que questionava a discriminação contra homens mais velhos em anúncios de trabalho. “Nenhum país pode se dar ao luxo de desperdiçar o potencial dos seus homens mais experientes”, criticava o comercial.
OBRAS-PRIMAS
Ao compilar uma centena de comerciais mais relevantes da história, em 1999, a escritora norte-americana Bernice Kanner listou dois filmes de Olivetto como obras-primas da publicidade.
No primeiro deles, de 1987, o publicitário criou a campanha “Meu primeiro sutiã” para a marca de roupa íntima Valisère. O comercial foi estrelado pela atriz Patrícia Luchesi, à época alçada à fama pela repercussão da campanha.
No filme, uma jovem de 12 anos recebia de presente um sutiã da marca, cunhando a mensagem “o primeiro Valisère a gente nunca esquece”.
No mesmo ano, viria o segundo filme listado por Bernice Kanner como um dos mais importantes da história. A agência W/Brasil desenvolveu o comercial “Hitler”, para o jornal Folha de S.Paulo. A ação ganhou repercussão e garantiu mais um leão de ouro do Cannes Lions para Olivetto.
Em 2001, foi um dos vencedores do Prêmio Clio, com uma campanha desenvolvida para a revista Época.
Em 2016, o publicitário foi reconhecido pelo Lisbon International Advertising Festival com o Prêmio Carreira. No ano anterior, havia sido escolhido como um dos membros do Creative Hall of Fame, da One Club, entre outros.
MÚSICA
Fundador da agência W/Brasil, Olivetto viu o nome de um dos seus negócios ser eternizado na música de Jorge Ben Jor. A canção começou a ser composta durante festa de fim de ano da agência de Olivetto, que convidou o cantor para se apresentar no evento. Ao cantar para o público presente, Jorge Ben brincava com os convidados dizendo: “Alô, Alô W/Brasil”.
Como lembrou Olivetto em seu podcast, depois do evento, ele e o artista conversaram sobre a situação política do País e, em tom de brincadeira, o publicitário teria dito que se o Brasil fosse um condomínio, Tim Maia seria o síndico.
O publicitário havia criado recentemente seu próprio programa de entrevistas, o podcast WCast, onde recebia autoridades, celebridades, influenciadores e outros nomes do mercado da comunicação nacional, de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), como Cármen Lúcia, a cantores como Martinho da Vila.
“O W/Cast é o novo projeto que marca a presença de Washington Olivetto no digital e traz o que ele conta como ninguém: histórias”, descreve o portal do empresário.
REPERCUSSÃO
“O Washington Olivetto não é um dos maiores nomes da publicidade brasileira. Ele é o maior nome da publicidade brasileira”, disse o empresário e publicitário Nizan Guanaes, outro grande nome do setor.
”Meu querido amigo, Washington Olivetto, gênio da publicidade. Incrível e especial. Voa mais alto agora. Descansa”, escreveu o ex-diretor da TV Globo Boninho.
“O Corinthians se solidariza com a família nesse momento de dor”, escreveu o clube em seu perfil, lembrando que Olivetto foi um dos fundadores do movimento Democracia Corinthiana. (Com o Estadão Conteúdo).
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