Falta de comunicação com a central coloca em risco a segurança das equipes, denunciam agentes; problema no sistema ocorre desde 2019
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Os GCMs (Guardas-Civis Municipais) de Diadema ficaram, pelo menos, três dias sem sinal nos rádios da corporação – o sistema permite a comunicação entre as equipes e também com a central de operações da corporação. A denúncia foi feita ao Diário por agentes que, sob condição de anonimato para evitar represálias, serão identificados nesta reportagem como Hugo e Fernando.
O problema teria começado no último sábado (21) com oscilação no sinal. Já a partir de segunda-feira (23) a conexão ficou totalmente fora do ar. Sem conseguir se comunicar pelo rádio, os guardas têm sido obrigados a utilizar o telefone privado. Por causa da agilidade, crucial nas ocorrências, eles têm utilizado o aplicativo de mensagens Whatsapp. A falta de sinal no sistema oficial de comunicação coloca em risco a segurança das equipes, de acordo com os agentes.
“É a vida do guarda na rua. Eles (da Prefeitura) brincam com a segurança pública do município. Em um caso de ocorrência, por exemplo, que necessita de reforço, perdemos tempo de resposta sem o rádio, que é muito mais rápido que o telefone particular. Outra questão sobre o uso dos nossos celulares é em relação à falta de sinal em determinados locais e até mesmo a duração da bateria, que pode acabar durante uma operação”, diz Hugo.
De acordo com informações do site da Prefeitura, o município tem efetivo de 313 integrantes e pelo menos 41 viaturas. Os radiocomunicadores estão acoplados aos veículos e os equipamentos móveis ficam com os integrantes da guarda.
O problema no sistema de comunicação da GCM de Diadema não é atual. Hugo afirma ainda que, desde o início da atuação da corporação no município, há 25 anos, os agentes enfrentam dificuldades para se comunicar por meio dos rádios.
“Nunca funcionou bem, porém tem momentos em que o sinal oscila com mais frequência e intensidade e, em alguns períodos, como o que estamos enfrentando agora, perdemos totalmente a comunicação”, ressalta ele.
Além de afetar os guardas-civis, a falta de comunicação impacta no cotidiano dos GCPs (Guardas-Civis Patrimoniais) – oficialmente subordinada, administrativa e operacionalmente, à GCM. Isso porque os agentes patrimoniais, que não portam armas, possuem os radiocomunicadores e solicitam reforços em casos de ocorrências mais graves, como roubos e fugas.
“Por exemplo, os guardas patrimoniais estão fazendo a vigilância de uma escola e acontece um roubo de fios com indivíduos armados. Os agentes não conseguem solicitar apoio com rapidez, ficam totalmente rendidos. Não estão nem aí para a vida do guarda. É a nossa segurança que está em jogo”, desabafa, agora, Fernando. Em 2023, Diadema contava com 125 GCPs, conforme informações do site da Prefeitura.
Sobre a falha no sistema de comunicação da GCM, a Prefeitura de Diadema informou na quarta-feira à noite (25) que teria acionado a fornecedora do serviço para resolução do caso. Porém, até ontem, o funcionamento teria sido normalizado apenas na região central do município, segundo Fernando. Ele diz que na cidade estão localizados três repetidores – equipamentos que mantêm a rede de comunicação no ar –, localizados nos bairros Piraporinha, Eldorado e no Centro.
Questionada novamente ontem, a administração afirmou que foi realizada a manutenção na rede de rádio e que a “comunicação nas viaturas foi totalmente restabelecida, em todo o município”.
PROBLEMA ANTIGO
Em abril de 2019, o Diário mostrou que os agentes enfrentaram o mesmo problema na rede de radiocomunicadores e também utilizaram o Whatsapp para se
Na época, a falha no funcionamento ocorreu porque os repetidores foram retirados pela empresa que prestava o serviço de manutenção, a Ramc Telecomunicações. Segundo informou a Prefeitura na ocasião, alguns aparelhos precisaram ser removidos para manutenção e seriam entregues no dia da publicação da reportagem (17 de abril de 2019).
GPS de viatura e radiocomunicador não funcionam juntos
O agente identificado como Fernando denunciou ao Diário que os navegadores digitais GPS (Sistema de Posicionamento Global), utilizados nas viaturas para orientar o roteiro dos deslocamentos e também para visualizar a localização das demais no município, não funcionam simultaneamente aos radiocomunicadores – sistema de comunicação. Ou seja, quando o sinal dos rádios está ativo, não é possível utilizar o GPS das viaturas.
O guarda-civil explica que, em 2021, o sistema analógico do GPS e dos radiocomunicadores foi substituído pelo digital e que, desde essa época, não é possível utilizar os dois aparelhos ao mesmo tempo.
“Já aconteceu diversas vezes de a equipe solicitar apoio durante uma ocorrência e as demais viaturas não saberem a localização dos guardas que estão pedindo suporte. Dependendo da gravidade do caso, o agente não consegue enviar o endereço pelo rádio. Por isso, é preciso que todos tenham acesso à localização e possam, assim, prestar o socorro. O serviço tem de ser feito, a população não tem culpa, mas é a vida do guarda que está em jogo. Vão esperar acontecer uma tragédia para resolver?”, pontua Fernando.
Sobre a constante falha no sistema de localização digital, a Prefeitura de Diadema não se manifestou até o fechamento desta edição.
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