Grande ABC tem 3.500 pacientes na fila por transplante e 270 pessoas na espera por doação de medula óssea, estima Ipes
ouça este conteúdo
|
readme
|
No Grande ABC, pelo menos 270 pessoas aguardam na fila por doação de medula óssea – tecido líquido que ocupa o interior dos ossos e cujo transplante auxilia no tratamento de doenças relacionadas com o sangue e com deficiências no sistema imunológico. A fila de espera para doação de outros órgãos é ainda maior e chega a 3.500 pacientes na região, segundo estimativa do Ipes (Instituto Paulista de Educação em Saúde).
Para tentar mudar esse cenário, a entidade promove desde o dia 16 ação de conscientização no Shoppinho Santo André, na Rua Coronel Oliveira Lima, região central da cidade. A atividade é realizada das 9h às 19h e acontece até o dia 28.
A iniciativa, que faz parte do Setembro Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a doação de órgãos, busca esclarecer dúvidas sobre doação, desmistificar medos relacionados ao transplante e assim aumentar o número de doadores na região, principalmente os de medula óssea. Além dos usuários que passam pelo local, o trabalho educativo também é promovido com os comerciantes do shopping.
A fundadora do Ipes, Wilma Maria Moraes, 66 anos, diz que a chance de compatibilidade de um indivíduo encontrar um doador de medula óssea é de um em 100 mil.
“Quando realizamos esse trabalho percebemos o quanto as pessoas desconhecem sobre doação. Acredito que falta informação e mais ações de conscientização na rede pública e privada de saúde. Muita gente tem medo de falar sobre o assunto, precisamos desmistificar isso e ajudar a salvar vidas”, afirma Wilma.
A fundadora luta há anos para que sejam criados na região um banco de medula óssea, um hospital de transplante e uma unidade da OPO (Organização de Procura de Órgãos). Wilma diz acreditar que, com a criação desses equipamentos, a doação de órgãos poderia ser maior e facilitaria o tratamento de pacientes na fila de espera. Atualmente, o procedimento é realizado na Santa Casa de Misericórdia, na Capital.
“Muitas pessoas morrem na cadeira da hemodiálise sem conseguir um transplante. Elas saem de casa para o tratamento e não retornam. Precisamos mudar esse cenário”, diz.
Atualmente, o Ipes acompanha 20 pessoas que aguardam por doação de órgãos no Grande ABC – o instituto realiza o acolhimento, acompanhamento e encaminhamento dessas pessoas à rede de saúde.
COMO DOAR?
Para doar a medula óssea é preciso ter entre 18 e 35 anos, estar em bom estado de saúde e não ter doença infecciosa transmissível pelo sangue. Segundo o Ministério da Saúde, para o cadastramento, o doador deve apresentar um documento original de identidade e preencher um formulário com suas informações pessoais. Além disso, será necessária a coleta de uma amostra de sangue (5 ml) para testes de tipificação HLA – fundamental para a compatibilidade do transplante.
Em relação à doação de órgãos, a recomendação é que a intenção do paciente seja discutida com os familiares, já que no Brasil não é possível deixar autorizada em vida a doação de órgãos.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.