Delegados seccionais destacam o COI (Centro de Operações Integrada) em Santo André e as muralhas de monitoramento em São Caetano
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A união entre a investigação da Polícia Civil, o trabalho ostensivo da Polícia Militar e das GCMs (Guardas Civis Municipais), além dos investimentos do Estado e das prefeituras, forma um dos pilares da segurança no Grande ABC. Em entrevista ao Diário, os delegados seccionais da região exaltaram essa integração e as atuações do COI (Centro de Operações Integrada) de Santo André e das muralhas de monitoramento, em São Caetano, como exemplos de atuação.
“Fiz um trabalho em conjunto com o prefeito Paulo Serra. Santo André tem dois policiais civis dentro do Centro Integrado. Geralmente, esse espaço fica na mão da Polícia Militar, que acaba não passando os dados para nós por questões burocráticas. Então, coloquei lá dois agentes em convênio firmado com a Secretaria de Segurança Pública. Com isso, sabemos tudo o que acontece na hora da ocorrência”, declara o delegado da Seccional andreense, Francisco José Alves Cardoso.
Segundo ele, faz parte da rotina da Polícia Civil compartilhar com as outras delegacias do Grande ABC fotos e dados dos investigados. “Isso ajuda a elucidar mais crimes. O relacionamento entre as três forças de segurança é muito bom e os prefeitos costumam gostar e ajudar suas policias.”
Recentemente, Francisco Cardoso, Kelly Cristina Sacchetto de Andrade, titular da Seccional de São Bernardo, e Marcelo Francisco Augusto Dias, de Diadema, realizaram reunião com o coronel Carlos Alberto Rodrigues Sanches Júnior, novo comandante do CPA/M-6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana 6). A agenda foi justamente para estreitar relações com a Polícia Militar.
“Combinamos de nos encontrarmos novamente para falar de índices, trocarmos informações e tentarmos alinhar algo para fazer em conjunto. É importante que todos os gestores de segurança conversem”, analisa Marcelo Dias. “É interessante as prefeituras investirem em segurança também. (Esse setor) é como se fosse um condomínio. Só quem mora lá sabe o que acontece. O Estado não dá conta de tudo. O município deve estar inteirado”, conclui.
Kelly Sacchetto detalha que, em São Caetano, a muralha eletrônica foi integrada com a muralha paulista. “Nossa gestão conseguiu fazer com que esse sistema de monitoramento da cidade (feito pela GCM e Polícia Militar) se integrasse com a do Estado. As imagens capturadas ajudam na identificação de procurados pela Justiça, a achar veículos com queixas de furto, roubo, estelionato, entre outros casos.”
De acordo com ela, apesar de São Bernardo ter o centro de gerenciamento conectado à Prefeitura, não existe um sistema de monitoramento completo. “Para interligar, é necessário um número específico de câmeras, um investimento tecnológico muito alto”, revela a delegada. “Acredito que São Caetano seja um exemplo, ainda mais porque oferece uma verba de subvenção. Cada policial, seja militar ou civil, que trabalha na cidade recebe um adicional por estar no município”, completa.
DESENCARCERAMENTO
Questionado sobre a atuação do Judiciário em relação ao trabalho da Polícia Civil, o delegado Júlio Gustavo Vieira Guebert, chefe do Demacro (Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo), disse considerar que, atualmente, existe uma política de desencarceramento.
“Não sei dizer se o encarceramento é bom ou ruim. Todo o crime organizado se desenvolveu nas prisões. Os grandes líderes das organizações estão presos. Temos uma política criminal de desencarceramento, no qual fica preso quem realmente faz mal para a sociedade”, pontua Guebert.
Para o delegado-chefe, o senso comum de que “a polícia prende e a Justiça solta” pode se tratar mais dos casos de flagrante. Na avaliação dele, um inquérito robusto não abre margens para esse cenário.
“Você realiza o flagrante, a pessoa segue para audiência de custódia e, depois, vai embora (é liberada). A reclamação é que o policial se sente desmoralizado. Em crimes maiores, é difícil isso acontecer, porque existe uma investigação antes. Tirar a liberdade de alguém é algo complexo e tem que ser complexo mesmo. Devemos fazer com muita responsabilidade. Não pode ser simples”, diz.
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