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Grande ABC registra alta em casos de mpox; Saúde pede vigilância

De junho até a metade de agosto, região teve 13 ocorrências da doença, ante só uma no mesmo período em 2023; versão do vírus é outra

Renan Soares
16/08/2024 | 20:06
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A região registrou aumento no número de casos de mpox (varíola dos macacos) em relação ao ano passado. Segundo dados da SES (Secretaria de Estado da Saúde), o GVE (Grupo de Vigilância Epidemiológica) do Grande ABC registrou apenas uma ocorrência positiva entre o início de junho e a metade de agosto em 2023. Neste ano, o número subiu para 13 (alta de 1.200%). Apesar do aumento, os casos estão abaixo dos 131 confirmados no mesmo período em 2022, quando a doença atingiu pico no Estado. 

A preocupação, porém, é grande porque a versão atual do vírus que está se espalhando não é a mesma do surto mundial ocorrido em 2022. A OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou, nesta semana, a mpox como emergência em saúde mundial, com risco de disseminação global e de uma nova pandemia. Este é o mais alto nível de alerta da entidade. Há um surto epidêmico em países do continente africano e pelo menos um caso confirmado na Europa, na Suécia.

“A mpox se tornou uma nova emergência de saúde pública global devido à cepa 1b, que pode ter potencial transmissor ainda maior. É fundamental a vigilância e monitoramento, além de seguirmos as recomendações para que a doença não se propague. Como referência para o atendimento de casos da doença, o Governo de São Paulo conta com o Hospital Emílio Ribas”, diz Regiane de Paula, coordenadora de saúde da CCD (Coordenadoria de Controle de Doenças) da SES.

O CRT (Centro de Referência e Treinamento) DST/Aids do Estado diz estar atento ao cenário. Segundo informa o CRT, a transmissão de mpox entre seres humanos ocorre, principalmente, por meio de contatos íntimos com lesões na pele ou mucosas de pessoas infectadas. Os principais sintomas da doença são: febre, fraqueza, linfonodos inchados, dores musculares, dores nas costas, dor de cabeça, dor de garganta e congestão nasal ou tosse.

Para prevenção, é necessário evitar contato íntimo ou sexual com pessoas que tenham lesões na pele, assim como beijar, abraçar ou fazer sexo com alguém com a doença. É recomendada a higienização das mãos com água e sabão e uso de álcool gel, além de evitar compartilhamento de roupas de cama, toalhas, talheres, copos, objetos pessoais ou brinquedos sexuais. Ainda é reforçada a importância do uso de máscaras, protegendo contra gotículas de saliva.

O tratamento da doença tende a ser leve e, geralmente, os pacientes se recuperam sem uma terapia específico, apenas com repouso, hidratação oral e medicação para aliviar os sintomas, como dor e febre, e assim evitar sequelas. O Estado, de janeiro a julho deste ano, confirmou 315 casos da doença. O número é bastante inferior aos 4.129 casos confirmados em 2022, no pico. Em 2023, no mesmo período, foram confirmados 88 casos.

Na última quinta-feira (15), durante a instalação do COE (Centro de Operações de Emergência em Saúde)-mpox, em Brasília, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, enfatizou a necessidade de manter um estado de alerta. “É importante reforçar que não há motivo para alarme, como já mencionado em comunicados anteriores. Devemos permanecer vigilantes e seguir as recomendações disponíveis para lidar com essa emergência de importância internacional, considerando a presença do vírus no Brasil”, afirmou. 

VACINAÇÃO

A ministra da Saúde esclareceu ainda que não haverá vacinação em larga escala contra a mpox. “No Brasil, nós vacinamos com uma licença ainda especial da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em casos muito excepcionais, para grupos muito vulneráveis, pessoas que tinham tido contato com outras pessoas doentes. Então, a vacinação nunca será uma estratégia em massa para a mpox”, ressaltou Trindade. Ela acrescentou que os especialistas seguem estudando a eficácia da vacina no enfrentamento da nova cepa, e a dificuldade de aquisição de imunizantes ante a escassez de fabricação em massa de doses.




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