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TCE investiga falta de licitação para operadora do Cartão TOP

Administradora da bilhetagem de transporte coletivo na Região Metropolitana foi escolhida por associação criada dois anos antes de contratação

Lays Bento
25/07/2024 | 22:42
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FOTO: Celso Luiz/DGABC

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Um processo executado no TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) mira explicações do governo do Estado de São Paulo sobre a ausência de licitação para definir a atual operadora do Cartão TOP, a Autopass. 

Aceito nas linhas do Metrô, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e ônibus da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo), o serviço sucedeu ao Cartão BOM no fim de 2021 e foi escolhido arbitrariamente pela Abasp (Associação de Apoio e Estudo da Bilhetagem e Arrecadação nos Serviços Públicos de Transporte Coletivo de Passageiros do Estado de São Paulo). A ausência de concorrência foi revelada nesta quinta-feira (25) pelo jornal SP2 da Rede Globo.

Sem o procedimento padrão seguido pelas administrações públicas para concorrência pública de empresas, as suspeitas do TCE são endossadas, sobretudo, porque o órgão de direito privado responsável pela nova gestão foi criado dois anos antes, em 2019.

Em um documento emitido pelo próprio conselheiro Robson Marinho no Tribunal, “o modelo de delegação é aparentemente estranho à legislação”, diz.


AS DEFESAS

Em nota à imprensa a operadora Autopass afirma que a média de 150 milhões de transações mensais da empresa comprovam a satisfação da maioria dos clientes, já que há menos de 1% deste volume em reclamações. 

O governo de São Paulo também se pronunciou publicamente e destacou que a permissão desta escolha foi delegada à Abasp porque estudos apontaram a atual operadora do Cartão TOP como uma vantagem operacional e financeira. 

O que levou, por fim, a própria Abasp a defender sua escolha: a associação, que une Metrô, CPTM e empresas da EMTU, mencionou que a preferência foi dada à Autopass porque ela já operava o antigo cartão BOM, o que supostamente atestava a experiência da companhia em gerir os bilhetes do transporte público estadual.

A tramitação do processo, entretanto, enfatiza que, durante o processo de contratação da Autopass “não foi apresentada qualquer norma legal específica e (sic) tampouco justificativa válida”.

MOVIMENTAÇÃO

A empresa movimentou nos últimos quatro anos quase R$ 5 bilhões. Isso apenas com o que foi arrecadado com as tarifas de transporte público. No mesmo período, foram emitidos mais de 550 milhões de bilhetes unitários digitais, com receita superior a R$ 60 milhões só com essas operações. Os números não levam em conta a comissão arrecadada sobre todas as passagens pagas com os créditos do cartão TOP.




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