Em parceria com o Estado, município será o primeiro do Grande ABC a rastrear e tratar pacientes com potencial de desenvolver doença crônica
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Santo André é o primeiro município do Grande ABC a implantar uma linha de cuidado em saúde renal, com o objetivo não apenas de tratar a doença renal crônica, mas monitorar desde a infância pacientes com potencial de desenvolver problemas renais. A oficialização do protocolo, que tem diretrizes da Secretaria de Saúde do Estado, ocorreu em evento na última semana, na sede do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, com representantes das duas esferas de governo.
A nova linha de cuidado estabelece o rastreamento adequado dos potenciais pacientes renais, por meio de exames como creatinina (substância que deve ser eliminada pelos rins na urina) e microalbuminuria em amostra isolada (que mede concentrações de proteína na urina), pela atenção primária, visando um encaminhamento oportuno à Atenção Especializada para tratamento com nefrologista e equipe multiprofissional.
“Na verdade, não estamos inventando nada, só estabelecendo que se faça o que precisa ser feito, mas, em geral, não é o que acontece. A atenção primária está nos municípios e esse protocolo faz com que as unidades básicas de saúde se apropriem desse assunto, qualificando os encaminhamentos para que somente casos graves fiquem com o nefrologista, que terá tempo de tratar o doente renal de forma adequada”, explicou o médico Farid Samaan, do GPA (Grupo de Planejamento e Avaliação) da Coordenadoria de Regiões de Saúde do Estado.
Segundo o especialista, a maioria dos investimentos dos estados brasileiros, mesmo em complemento aos recursos disponibilizados pelo Ministério da Saúde, é em diálise. Pouco se investe num protocolo adequado de exames preventivos e no rastreamento de possível doença renal crônica. “É isso que estamos fazendo aqui em Santo André, capacitando médicos, enfermeiros, nutricionistas, agentes de saúde e gestores da Atenção Primária para que peçam os exames necessários”, complementou Samaan.
Segundo a coordenadora da Atenção Primária de Santo André, Marinalva Chiafarelo Ulian, o município já está adequado aos protocolos e iniciando as condutas (atendimentos, exames, capacitações etc), conforme nota técnica existente. “Posteriormente, apresentaremos os resultados ao Estado”, disse.
No Brasil, a idade média dos pacientes que iniciam diálise é de 59 anos, e nos países desenvolvidos é de 69 a 74 anos. Isso se deve a um cuidado pré-dialítico inadequado.
Pelo menos 10% da população adulta têm doença renal crônica e os transplantes consomem de 2% a 5% dos gastos em saúde, tornando oneroso algo que pode ser prevenido, pois o diagnóstico precoce é simples, de baixo custo e o tratamento factível e disponível no SUS (Sistema Único de Saúde). Deve-se levar em conta ainda que os fatores de risco para a doença renal crônica são conhecidos: idade avançada, obesidade, diabetes e hipertensão arterial.
O evento, voltado à toda a rede de saúde do município (atenção primária, especializada, hospitalar, saúde mental, vigilância em saúde, urgência e emergência), contou também com a participação do médico nefrologista Caio Malerbi, coordenador da Nefrologia ambulatorial de Santo André.
“Diante de todos os desafios da gestão de saúde no Brasil, para Santo André o pioneirismo da implantação dessa linha de cuidado, em parceria com o Estado, é muito importante e estamos felizes com esse reconhecimento, que é resultado do trabalho e dedicação de todas as nossas equipes. Nós estamos focando em prevenção e, certamente, teremos resultados significativos para apresentar”, destacou o secretário municipal de Saúde, Acacio Miranda.
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