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O comportamento dos vereadores Tite Campanella (PL), pré-candidato governista à Prefeitura de São Caetano, e Gilberto Costa (Progressistas), líder do governo na Câmara, durante a sessão que aumentou em 76,31% os salários do primeiro escalão da administração municipal, é incompatível com o ambiente democrático. O primeiro debochou do público que acompanhava a votação da galeria, acenando e mandando beijos para quem protestava. O segundo bateu boca com manifestante que lhe cobrava explicações sobre o projeto, que vai representar impacto de R$ 3,5 milhões por ano nos cofres públicos. Fosse decente o Legislativo são-caetanense, a dupla seria severamente punida.
Mas é possível que nada aconteça com os dois vereadores que escarneceram da população indignada. Pior. Gilberto Costa deve ser reeleito facilmente pelo eleitor a quem ele sonega esclarecimentos. Tite pode ser eleito prefeito e se beneficiar diretamente do salário de R$ 35.262 mensais que, desavergonhadamente, ele mesmo aprovou. Para começar a valer em janeiro de 2025, quando a nova gestão toma posse, o pornográfico aumento no valor dos salários do primeiro escalão do Poder Executivo precisa ser sancionado pelo atual prefeito, José Auricchio Júnior (PSD) – o que deve ocorrer, já que a ordem para a apresentação do projeto partiu do próprio, conforme apurou o Diário.
Comportando-se como o Reizinho Mandão da história infantil idealizada por Ruth Rocha, que a todos mandava calar a boca porque odiava ser contrariado e questionado, Auricchio passou a ignorar todos os que lhe questionam sobre assuntos que julga inconvenientes, deste jornal à Globo. A conduta do prefeito faz lembrar a anedota que circulava nos bastidores do regime militar, quando a imprensa era censurada. Dizia-se que a condessa Pereira Carneiro, proprietária do Jornal Brasil, tentara argumentar ao então presidente Costa e Silva que o seu veículo não fazia oposição ao governo, mas praticava a “crítica construtiva”, ouvindo como resposta: “Mas não quero crítica construtiva, quero é elogio mesmo”.
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