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Black Pantera traz luta antirracista para Diadema

Evento realizado desta quinta-feira a sábado terá também shows de Fresno e Arnaldo Antunes

Beatriz Mirelle
12/06/2024 | 23:20
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FOTO: Marcos Hermes/Divulgação


O Diadema Rock, festival de música que celebra a potência do rock n’roll, começa nesta quinta-feira (13), a partir das 17h, na Praça da Moça. O primeiro dia de evento terá Fresno, seguido por Black Pantera, amanhã, e Arnaldo Antunes, no sábado (15). A entrada é gratuita, mas o público pode contribuir com doação de alimentos não perecíveis ao Fundo Social de Solidariedade do munícipio. 

Na quinta, o festival também terá Colina, banda underground do Grande ABC, e o trio Vital Brazil. Amanhã, acompanhando Black Pantera, estarão o grupo regional Amorfo e o conjunto Hubic. No último dia de evento, a praça receberá Quedma, com tributo a Rita Lee, e as bandas Dr. Drunk e Power Supply. 

RESISTÊNCIA 

O vocalista e guitarrista do Black Pantera, Charles da Gama, conta que Diadema será um dos primeiros locais a receber o show da nova turnê do álbum Perpétuo, lançado em maio. “Ensaiamos de forma intensa. O processo de construção desse álbum foi corrido e a recepção está maravilhosa. Conseguimos furar algumas bolhas e fazer a banda chegar a outros lugares. Em Diadema, faremos nosso segundo show oficial (do álbum). É muito bom que seja um festival gratuito. Queremos que mais pessoas conheçam nossas músicas”, diz. 

Em 2023, ao Diário, Charles Gama (vocal e guitarra), Chaene da Gama (vocal e contrabaixo) e Rodrigo Pancho (baterista) exaltaram os objetivos de serem “revolucionários e surpreendentes”. Um ano depois, a banda afirma que o desejo se concretizou. 

“Somos uma banda preta antirracista. Fazemos canções bonitas, mas que enfatizam bastante o que o racismo estrutural faz. Nesse novo projeto, trazemos punk e hardcore misturado com nossas referências de samba, maracatu e MPB. Não pensamos em rótulos. As músicas nascem naturalmente”, explica Charles da Gama. 

Durante o processo criativo, o vocalista destaca que viajar para o Chile foi essencial. “Muitas vezes ficamos focados no que acontece na América do Norte e na Europa e deixamos de valorizar as produções artísticas feitas na América Latina. Tivemos a possibilidade de ver muitas pessoas exaltarem a cultura latina no rock e isso abriu nossa mente”, descreve Charles da Gama. “Nesse álbum, usamos o termo afrolatinos e referências do afrofuturismo.” 

Em outubro, o Black Pantera fará a abertura do show do Living Colour, banda de rock estadunidense. “Não me sentia representado na questão racial porque todos os grupos que eu conhecia na adolescência eram formados apenas por integrantes brancos. Com o tempo, isso começou a me incomodar mais. Eu achava impossível encontrar a galera preta fazendo rock n’roll, até que descobri o Living Colour, com 17 anos. Desde então, persigo o sonho de também ter uma banda preta”, relembra Charles da Gama. “Senti que seria legal quando o Black Pantera chegasse nas pessoas, mas não sabia que seríamos grandes ao ponto de estarmos em tantos lugares. Abrir o show deles será mais um sonho realizado.”




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