Câmara dos vereadores põe tema em pauta; Cetesb ainda não finalizou relatório, mas pode aplicar multas e fazer exigências técnicas
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A Câmara dos Vereadores de Mauá vota nesta terça-feira um requerimento para cobrar respostas referentes ao episódio da precipitação de um pó branco na região do Polo Petroquímico da cidade, emitido pela Recap (Refinaria de Capuava, da Petrobras) a partir do último dia 25 de maio.
“É crucial destacar que essa situação lamentável não é um incidente isolado, mas recorrente, afetando não apenas os moradores do Parque São Vicente, mas também os residentes do Sônia Maria e áreas adjacentes, que sofrem com essa ‘geada química’”, disse o vereador Leonardo Alves (PSDB), autor do requerimento.
“Nosso questionamento à Prefeitura busca compreender os riscos enfrentados pela população devido a essa fuligem, os impactos ambientais que ela acarreta no município e, caso os índices tenham se agravado, queremos saber que medidas a administração pretende adotar em conjunto com o Polo para lidar com essa questão”, continuou.
Em nota ao Diário, a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) ressaltou novamente que o episódio “está na fase final do relatório técnico” e que pode acarretar penalidades e exigências técnicas à refinaria – não há, porém, um prazo para a conclusão da análise.
A Cetesb destaca ainda que a precipitação foi um “episódio pontual” e que, por isso, não há necessariamente relação direta com a qualidade do ar no município. Ontem, às 14h, a estação fixa de monitoramento do ar na cidade de Mauá apontava qualidade boa, de acordo com a companhia.
“O monitoramento ocorre minuto a minuto, todos os dias do ano, e leva em consideração, também, as condições meteorológicas para dispersão dos poluentes”, afirma a nota da Cetesb.
Caso o requerimento de explicações seja aprovado na Câmara dos Vereadores, o Executivo mauaense terá prazo legal de 15 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 15 dias, para responder a todas as perguntas levantadas.
HISTÓRICO
Moradores do Parque São Vicente e Jardim Araguaia, que ficam perto do Polo Petroquímico de Mauá, acordaram no dia 25 com um pó fino e branco na superfície dos carros e nas áreas abertas das residências. A fuligem que caiu do céu pela madrugada era fina e não apresentava cheiro.
Pelas redes sociais, moradores se queixaram da frequência dos episódios. “Sempre vimos espumas caindo e sentimos um cheiro forte, mas esse pó é a segunda vez que vejo em um volume tão grande. Meu marido tem asma e minha filha, rinite. Até meu gatinho tem problemas respiratórios e está doente desde o ocorrido”, disse a técnica em enfermagem Claudia Alessandra Betfuer, 45 anos, que mora há três no Parque São Vicente.
A Recap foi multada pela Cetesb em 2000 por ocorrência semelhante. Na época, a empresa admitiu a emissão de 20 toneladas de material particulado na atmosfera e a multa ambiental foi equivalente a R$ 69.525.
Embora a Petrobras tenha afirmado em comunicado que “o pó é inofensivo às pessoas e ao meio ambiente”, a médica endocrinologista Angela Zaccarelli, que estuda os impactos do Polo Petroquímico na região há mais de 30 anos, aponta que não é possível dizer as partículas não causam impactos na saúde. “Ele (o pó) ainda não foi analisado, então como a empresa pode dizer que o teor é inofensivo?”, reflete Angela.
(Colaborou Lays Bento)
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