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Em 23 dias, região teve 32% a mais de chuvas que o previsto para o mês

Até a última quinta-feira (23), volume de água no Grande ABC chegou à marca de 2.141 mm, enquanto o esperado era 1.624,5 mm

Thainá Lana
27/02/2023 | 06:17
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Municípios do Grande ABC registraram volume de chuva acima da média em fevereiro e sofreram com os efeitos dos temporais; em Mauá, uma pessoa morreu após um deslizamento de terra (Foto: Celso Luiz/DGABC)


Os municípios do Grande ABC registraram, nos 23 primeiros dias de fevereiro, 32% a mais de chuva do que o volume esperado para todo o mês. Segundo dados pluviométricos da Defesa Civil do Estado, a região registrou 2.141 mm (milímetros) de acumulado de água, enquanto a média mensal prevista era de 1.624 mm.

As sete cidades contabilizaram chuva acima do previsto. Rio Grande da Serra (331 mm), Ribeirão Pires (328 mm) e Mauá (323 mm) foram os municípios que tiveram o maior volume de água durante o período. Com 291 mm de chuva em Santo André, 24% maior que o previsto, a Prefeitura precisou atender 377 ocorrências entre quedas de árvores, pontos de alagamento, desabamentos e assistência humanitária.

Os temporais que atingiram a região na semana passada ocasionaram deslizamentos de terra em Mauá, sendo três acidentes no Jardim Zaíra. O desabamento destruiu pelo menos três casas, deixou uma pessoa morta e duas feridas. Desde a última quarta-feira (22) o município está em estado de emergência e a Prefeitura já interditou 52 imóveis em áreas de alto risco.

Entre os motivos que ajudam a explicar o alto volume está a presença do fenômeno La Niña pelo terceiro ano consecutivo. Isso porque o fenômeno provoca o resfriamento das águas do oceano Pacífico Equatorial, responsável pelo aumento e diminuição das chuvas em diversas áreas do País, conforme explica a meteorologista do Climatempo, Carine Gama. "São Paulo tem sido um dos estados que tem recebido chuva acima da média devido a esse fenômeno. Além disso, o La Niña aumenta a frequência de frente fria, que encontra o oceano Pacífico Equatorial um pouco mais aquecido, por conta das águas quentes da costa do sudeste, acelera a evaporação e aumenta o número de nuvens carregadas", ressalta Carine.

A especialista alerta para mais chuvas nas próximas semanas. "Os temporais de fim de tarde vão continuar ocorrendo até o fim da próxima estação, que só ocorre no dia 22 de março. Então, seguimos em alerta máximo pelas próximas semanas por conta das chuvas. É uma situação de cuidado máximo porque o solo ainda está muito encharcado e deslizamentos de terra, em áreas de encostas de todo leste de São Paulo, não estão descartados", complementa.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS
As mudanças climáticas podem contribuir para o aumento da frequência de fortes chuvas, destaca a meteorologista Carine Gama. "Sempre tivemos esses eventos severos, principalmente durante o Verão, porém, observamos maior periodicidade e intensidade nos últimos anos".

"Um exemplo é o temporal que atingiu a Capital em fevereiro de 2020 e que ocasionou o transbordamento do rio Pinheiros, além das chuvas que ocorreram em 2022 em Petrópolis, no Rio de Janeiro", cita a Carine.

O mais recente evento severo no País foi a pancada de chuva no litoral norte de São Paulo, que deixou ao menos 65 mortos. Em apenas 24 horas, choveu 683 mm na região e se tornou o maior registro do sistema até o momento, segundo dados do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

DIADEMA CRIA COMITÊ DE MONITORAMENTO PARA O PERÍODO DE TEMPORAIS
Para minimizar os prejuízos causados pelos temporais, a Prefeitura de Diadema criou o Comitê Intersecretarial de Monitoramento de Ações Preventivas, que vai funcionar durante o período de chuvas de Verão. O grupo terá a missão de adotar medidas combativas e ações para eventuais intercorrências relacionadas ao assunto. O bloco, instituído pelo decreto Nº 8.258 de 24 de fevereiro de 2023, terá nove integrantes de várias secretarias da administração. Reuniões periódicas serão realizadas para avaliação dos trabalhos executados pelo Comitê.

Diadema foi atingida por fortes chuvas nas últimas semanas que, mesmo sem vítimas, provocaram alagamentos, pontos de deslizamentos de terra e queda de árvores. Em casos de emergência, o morador tem à disposição os telefones 199 e (11) 4072-9239.

Conforme o decreto assinado pela prefeita em exercício Patty Ferreira (PT), ficará sob responsabilidade do Comitê Intersecretarial de Monitoramento de Ações Preventivas adotar medidas necessárias ao bom andamento dos trabalhos preventivos e de socorro realizados pela Coordenadoria Municipal e Proteção e Defesa Civil e demais órgãos públicos; definir estratégia de comunicação social para difusão de informações à população sobre alertas de riscos; estabelecer o fluxo de informações entre os diversos órgãos públicos empenhados nas ações de proteção; elaborar escalas de plantões das equipes de atendimento emergencial; promover a atualização dos termos e regulamentações da legislação municipal relativa ao Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil, bem como do Plano Municipal de Contingência e seus correlatos.

O decreto também estipula que é necessário deliberar sobre quaisquer temas relacionados às ações preventivas e de socorro a serem adotadas no município de Diadema durante o período das chuvas de Verão, observadas as competências, orientações e diretrizes das Coordenadorias Municipal, Estadual e Nacional de Proteção e Defesa Civil, nos termos da Lei Federal nº 12.608/2012, que institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.




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