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Putin admite conversar com Biden sobre a guerra

Presidente russo rejeita a possibilidade de retirar as tropas do território ucraniano

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04/12/2022 | 07:36
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, está disposto a conversar sobre a guerra na Ucrânia com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, mas não vai ordenar uma retirada de tropas do país vizinho para viabilizar o diálogo diplomático, disse ontem o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. O anúncio foi feito um dia após Biden afirmar que poderia falar com Putin sobre a Ucrânia.

O que Biden disse na realidade? Ele disse que as negociações são possíveis apenas depois que Putin abandonar a Ucrânia”, afirmou Peskov a jornalistas. “Moscou evidentemente não tem intenção de aceitar essas condições. A operação militar especial vai continuar”.

ANEXAÇÕES

Ainda de acordo com Peskov, Putin está aberto a conversar com Biden para garantir os interesses da Rússia, mas a posição de Washington dificultaria qualquer diálogo, mencionando a questão sobre as províncias de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzia, anexadas por Moscou.

“O governo dos EUA não reconhece os novos territórios como parte da Federação da Rússia”, disse Peskov, indicando que a questão tem um peso decisivo para o Kremlin.

A declaração do Kremlin é uma resposta às afirmações de Biden durante uma entrevista coletiva com o presidente francês, Emmanuel Macron. Biden disse que poderia abrir uma linha direta com Putin sobre o conflito, após consultar seus aliados da Otan, e desde que não prejudicasse os interesses ucranianos. Ele não mencionou como condição a retirada prévia das tropas russas.

O diálogo entre EUA e Rússia está limitado desde o início da invasão da Ucrânia. O chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou em entrevista na quinta-feira (1) que foram estabelecidos canais separados de comunicação para tratar de temas de interesse compartilhado, como o caso de americanos presos na Rússia, como a jogadora de basquete Brittney Griner.

“Nunca pedimos conversas, mas sempre dissemos que estamos prontos para ouvir os que estão interessados em um acordo negociado”, disse Lavrov.

Embora conversações de paz já tenham sido pedidas e mediadas por líderes mundiais e organizações internacionais, as negociações para um eventual acordo não evoluem por discordâncias acentuadas entre Ucrânia e Rússia.

CRIMEIA

Uma das exigências do lado russo, por exemplo, é que o governo ucraniano reconheça a Crimeia, tomada em 2014, e os territórios de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzia e Kherson, como parte do território da Rússia. Não se sabe se o Kremlin aceitaria a manutenção do governo ucraniano atual, a quem acusa de ter orientação neonazista.

Do lado ucraniano, o governo do presidente Volodmir Zelenski já se posicionou contra a perda de qualquer território para a Rússia e cobra a responsabilização de autoridades russas por crimes de guerra. Mykhailo Podolyak, um dos principais assessores de Zelenski, disse ontem ao Canal 24 que entre 10 mil e 13 mil soldados ucranianos morreram na guerra.

Putin conversou ontem por telefone com o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, e defendeu os bombardeios de Moscou a alvos na Ucrânia, classificando-os como “necessários e inevitáveis”. Ele também disse que o Ocidente assume uma posição “destrutiva” ao dar apoio político, financeiro e militar ao País. Segundo o governo alemão, Scholz “pediu ao presidente russo que encontre uma solução diplomática o mais rápido possível, o que envolve a retirada das tropas russas”.


TETO DE PREÇO

As nações do G-7 e a Austrália concordaram ontem em adotar um teto de US$ 60 (R$ 313) para o preço por barril do petróleo russo. A decisão foi anunciada no mesmo dia em que a União Europeia chegou a um consenso sobre esse mesmo valor.

A medida é um passo fundamental, já que as sanções do Ocidente a Moscou visam reordenar o mercado global de petróleo para evitar picos de preços e privar Putin de financiamento para sua guerra. 




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