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Incor planeja teste de vacina por spray nasal

Primeiros resultados em animais surtiram resultados satisfatórios na proteção contra Covid



24/10/2021 | 00:12


Inédita, a vacina contra Covid administrada por spray nasal do Incor (Instituto do Coração) pretende ser opção de dose de reforço. Após bons resultados com camundongos, é hora da testagem em humanos. A execução das duas primeiras fases de estudos clínicos depende da aprovação dos documentos submetidos à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na quinta-feira. Coordenador da pesquisa, Jorge Elias Kalil Filho acredita que os testes devem começar em janeiro com pacientes já imunizados.

Em cenário de avanço da vacinação, Kalil avalia que o imunizante intranasal será “um sucesso”, pois, caso se mostre eficaz ao fim das fases clínicas, a previsão é de que ataque a transmissão do coronavírus. “O problema das vacinas atuais é que impedem a doença grave, mas o paciente ainda pode ser infectado e transmitir. Queremos evitar a infecção do nariz, ‘pegamos o comecinho’”, explica Kalil, que também chefia o laboratório de imunologia clínica e alergia do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo) e é docente da universidade.

Outra vantagem do imunizante é que, conforme Kalil, com algumas adaptações da indústria nacional será possível produzir o IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) no Brasil. Com os imunizantes aprovados e ministrados até agora, o País depende da importação da matéria-prima, o que chegou a atrasar a chegada e produção de vacinas. “A resposta dos animais foi fantástica”, conta Kalil sobre as fases pré-clínicas do estudo. A experimentação em camundongos, conforme o pesquisador, resultou em altos níveis de anticorpos de memória (IgG) e daqueles encontrados nas mucosas (IgA), como também boa resposta celular protetora.

O imunizante desenvolvido pelo Incor está ligado também a outros setores da USP, ao ICB (Instituto de Ciências Biomédicas) e à Faculdade de Ciências Farmacêuticas; bem como conta com a parceria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da Fiocruz.

As primeiras fases de estudo clínico terão 280 participantes, todos imunizados com a vacina da Astrazeneca. Serão sete grupos analisados: um deles recebe o placebo e outros doses do imunizante, 30, 60 ou 120 microgramas. Com duração de três meses, as fases 1 e 2 devem ser encerradas no primeiro semestre.



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