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São Bernardo é a terceira cidade do
Estado em mortes causadas pela polícia

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta agressividade nas operações


Artthur Gandini
Diário do Grande ABC

23/10/2021 | 08:09



A cidade de São Bernardo foi a terceira do Estado de São Paulo com o maior número absoluto de mortes decorrentes de intervenção policial em 2020, com o registro de 26 ocorrências. O dado representou 3,1 mortes a cada 100 mil habitantes. Já Santo André ocupou a sétima posição, com 18 ocorrências e 2,5 mortes a cada 100 mil habitantes. Os dados foram retirados do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A entidade é responsável por organizar um ranking das 50 cidades do Brasil com o maior número absoluto de casos, no qual apenas as duas cidades do Grande ABC foram classificadas.


O levantamento foi divulgado com base em informações das secretarias de segurança pública estaduais e das polícias civis, militares e federal. Foi a primeira vez que a entidade forneceu dados municipais. A cidade no topo do ranking nacional é o Rio de Janeiro, com 415 mortes e uma taxa de 6,2 casos por 100 mil habitantes. Já no ranking do Estado, a Capital registrou os maiores números: 390 registros, o que equivalem a taxa de 3,2 casos a cada 100 mil moradores. Não foram levantados dados sobre todos os 5.570 municípios do País, o que o impossibilita a organização do ranking pela taxa por 100 mil habitantes.


Carlos Augusto Pereira, especialista em segurança pública e pesquisador do Seviju (Grupo de Pesquisa em Segurança, Violência e Justiça) da UFABC (Universidade Federal do ABC) afirma que São Bernardo é pioneira no uso de câmeras em uniformes de policiais para combater abusos. Contudo, defende que é preciso evitar políticas públicas punitivas. “É um remédio pautado no indivíduo. Não adianta, tem que ter uma política de conscientização e humanização”, defende.


Já Jorge Lordello, escritor internacional e especialista em segurança pública, opina que municípios possuem diferentes particularidades relacionadas às ocorrências policiais, o que dificulta um comparativo. Ele analisa que a presença de rodovias na região resulta em intervenções policiais relacionadas a fugas de criminosos, onde há mortes. “A tendência do criminoso é fugir. Em um dado momento, ou ele vai bater o carro ou vai se entregar”, aponta.

JOVENS SÃO VÍTIMAS
Levantamento divulgado ontem pelo fórum junto à Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) também demonstrou que 787 crianças e adolescentes brasileiras de 0 a 19 anos foram mortas no ano passado por conta de intervenção policial. No Estado de São Paulo, os óbitos representaram 44,4% do total de mortes violentas internacionais na faixa etária.


Danilo Moura, oficial de monitoramento e avaliação do Unicef, aponta que o recorte demonstra como as polícias no País são violentas. “Jovens, pela idade, têm menos experiência em evitar conflitos. Quem tem responsabilidade de evitar (a escalada) é a polícia”, defende.


O professor de direito penal da Estácio São Paulo, Douglas Galiazzo, ressalta que é necessário que o Estado invista em melhores condições de trabalho para os policiais. “Não se pode deixar de levar em consideração a remuneração, o treinamento e as condições que é submetido as jornadas de trabalho”, pontua.


Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) tem adotado medidas para evitar mortes em intervenções policiais, como a investigação de denúncias, a responsabilização administrativa, o reforço de saúde mental dos policiais e o uso de câmeras corporais.


Já o Centro de Comunicação Social da PM-SP (Polícia Militar do Estado de São Paulo) também cita medidas como a aquisição de equipamentos de menor potencial ofensivo, a exemplo dos lançadores de gás de pimenta. 



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