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Após acidente com ácido em Diadema, jovem precisará de 19 cirurgias plásticas

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Lethicia, 15 anos, teve 70% do corpo queimado por líquido que vazou de ecoponto municipal


Thainá Lana
Do Diário do Grande ABC

20/10/2021 | 00:01


A vida da adolescente Lethicia Soares Bezerra, 15 anos, nunca mais foi a mesma depois do acidente com ácido que sofreu no Ecoponto Naval, em Diadema. A jovem teve 70% do corpo queimado e precisará de 19 cirurgias plásticas para recuperar as partes mais afetadas pela queimadura, como rosto, pés e ombro. 

O caso aconteceu em abril deste ano, no Corredor ABD, e deixou outras quatro pessoas feridas. A adolescente estava indo ao supermercado com uma vizinha de 3 anos quando as duas foram atingidas por ácido sulfúrico que estava na pista. O acidente foi ocasionado porque o líquido estava armazenado irregularmente no ecoponto, e um dos reservatórios tombou e vazou o produto químico na via. Os carros que passavam no local espirraram o ácido nas pessoas que ficaram feridas. 

Lethicia precisou ficar três meses internada, onde realizou diversas cirurgias para retirar totalmente o ácido da pele. “Ela passava por cirurgia dia sim dia não, até perdemos as contas de quantas foram. Todo o processo no hospital foi muito doloroso, ela precisou realizar cinco enxertos no corpo”, conta Antônia Soares da Silva, 65, avó da menina. 

Além das marcas na pele, o acidente também mexeu com a autoestima e com a saúde mental da adolescente. Ainda no hospital, Lethicia não suportava mais passar por tantos procedimentos médicos e se recusou a continuar com o tratamento. “Por conta das anestesias e os fortes medicamentos ela perdeu quase dez quilos e teve queda de cabelo, e isso mexeu muito com ela. Para tentar amenizar a dor chegou a se machucar diversas vezes com qualquer coisa que encontrava pela frente, como tesouras e até talheres de plástico”, relata a irmã mais velha, Eluana Pamela Cardoso de Freitas, 29.

A rotina da adolescente mudou completamente desde aquele trágico dia. De uma menina alegre e comunicativa, a jovem passou a ficar cada vez mais reclusa e quieta. Não tem vontade de ir à escola e muito menos de sair com os amigos. A família relata que para andar na rua ela só utiliza roupas que cubram todo o corpo (para esconder as marcas) e tem dias que chora durante todo o dia. 

Abandonada pela Prefeitura, que não procurou a família desde o acidente, a esperança da adolescente está nas cirurgias plásticas recomendas pelo seu médico. A avó conta que a neta está bastante empolgada com a ideia, e que as intervenções cirúrgicas são a luz no fim do túnel. “O problema é que o convênio dela não cobre os procedimentos de reparação, que no total chegam a R$ 190 mil. Somente no rosto, um dos locais mais afetados, as cirurgias ficam em R$ 30 mil. Não temos esse dinheiro e não sabemos para quem recorrer. Só quero a vida da minha neta de volta”, desabafa Antônia. A família vai processar a Prefeitura e a empresa responsável pelo ácido. 

Logo após o acidente, a família arrecadou, por meio de doações, cerca de R$ 12 mil para custear os medicamentos, locomoção até o hospital e alimentação da jovem. 

As cirurgias plásticas que a adolescente precisa para recuperar a autoestima parece um sonho cada vez mais distante. Isso porque a renda da família não chega a um salário mínimo, já que sua mãe precisou sair do emprego para acompanhá-la quase que diariamente até o hospital, que fica no bairro da Liberdade, em São Paulo. 

A alternativa foi recorrer novamente as doações on-line (http://vaka.me/2102403). A família espera poder contar novamente com a ajuda de desconhecidos para realizar os procedimentos. “Todas nossas esperanças estão nas cirurgias. A pele dela não vai voltar completamente ao que era antes, mas vai dar a oportunidade da minha filha ter uma nova chance”, finaliza Eliejania Soares da Silva, 43, mãe de Lethicia. 

Procurada pelo Diário, a Prefeitura de Diadema não respondeu sobre como anda a operação do Ecoponto Naval e nem sobre à falta de assistência às vítimas do acidente.



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