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Fernando Alfredo: ‘Senadores do
PSDB estão distantes da sigla’

Claudinei Plaza/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

26/07/2021 | 00:01


Presidente do PSDB na Capital e uma das figuras mais próximas do prefeito paulistano, Bruno Covas (morto em maio), Fernando Alfredo diz que sua pré-candidatura ao Senado decorre da ausência de relação dos senadores José Serra e Mara Gabrilli da militância tucana. Ele assegura que só retira seu projeto se o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) aceitar ser o postulante da legenda ao Senado e avisa que o suporte a Alckmin não se estende à corrida ao Palácio dos Bandeirantes. “Meu candidato a governador é Rodrigo Garcia”, sentencia o tucano. Alfredo vê força do tucanato do Grande ABC no ano que vem e aposta em João Doria à Presidência.

Por que o senhor decidiu lançar candidatura para as prévias do PSDB ao Senado?

Política não é vontade individual, é um preposto de vontade coletiva. Há meses eu ouvia de militantes do partido que o PSDB precisava voltar a ter protagonismo no Senado. Ter uma participação mais efetiva (como mandato) e que a militância tivesse participação mais efetiva também. Com a morte do Bruno (Covas, prefeito de São Paulo) essa questão ficou mais latente e as pessoas continuaram me procurando. Tomei a iniciativa de consultar meu grupo mais próximo e me inscrever na disputa das prévias. Nada contra a história dos senadores José Serra e Mara Gabrilli, mas (decidiu ingressar na disputa) porque o PSDB precisa renovar. A política tem fila. E onde está meu espaço para ser ocupado? Se não for por meio do espaço democrático de prévias, talvez a gente nunca tenha essa oportunidade (de saber o espaço na fila). Eu me inscrevi, procurei o senador José Serra por diálogo, mas ele teve Covid, ficou internado, teve complicações cardíacas e precisou passar por operação e não tivemos contato. Ideia é discutir dentro do partido a melhor candidatura. Dentro de uma boa candidatura eu me coloco à disposição do partido no qual estou desde meus 13 anos de idade.

O senhor fez crítica ao trabalho de Serra e Mara. O que lhe incomoda mais na atuação deles no Senado?

Não incomoda só a mim, mas várias pessoas do partido. Sou presidente que rodo a base do partido, ouço anseios da militância. Por que nunca tivemos reunião com o senador José Serra? Por que nunca tivemos reunião com a senadora Mara Gabrilli? Por que nossa voz não ecoa no Senado? Por que não há interação? Eu não tenho resposta para essas perguntas. Eu tentei essa interação e não consegui. São dois excelentes quadros do partido, mas falta, neste momento de pandemia em especial, dialogar um pouco com aquele que formou a base da eleição de ambos, que é o partido político.

Estão distantes da base, o senhor diz?

Totalmente. Não há nem o que falar. Realmente estão.

O senhor sempre foi muito próximo do prefeito Bruno Covas, o conheceu ainda no clube dos tucaninhos, acompanhou de perto a ascensão dele. A morte de Bruno atrapalha ou ajuda o senhor na empreitada interna?

É indiferente. Fui eleito (presidente do PSDB na Capital) sem apoio dos medalhões políticos. Por todo respeito e amizade que tinha com o Bruno, que era meu irmão, eu fui eleito presidente pela base. Foi o movimento dos diretórios de base que me fez chegar à presidência. Só quando esse movimento estava consolidado que as lideranças vieram apoiar, o Bruno, (governador João) Doria, o Serra, Geraldo (Alckmin, ex-governador). A eleição do Bruno e do João Doria (em 2016, à prefeitura paulistana) rompeu paradigma de fila. Qualquer um pode ser candidato desde que coloque nome à disposição no instrumento de prévias que o PSDB tem. Foi o que fiz ao Senado. Julgo estar preparado para isso, me preparei ao longo da minha vida e posso contribuir muito mais.

É uma candidatura irreversível ou há fato que pode fazer o senhor reconsiderar?

Estamos em um processo de diálogo constante com as lideranças do partido e deixei claro que, se o nosso governador Geraldo Alckmin for candidato ao Senado, não tem por que eu ser candidato, porque me sinto contemplado com a candidatura dele. Assim como a base do partido enxerga desse jeito, porque ele sempre foi governador de diálogo, de ouvir as pessoas. Eu me sinto contemplado se o Geraldo topar o desafio de ser candidato a senador. Acredito que o próprio José Serra tem esse entendimento.

O Bruno, antes de ser vice e de ser prefeito da Capital, tinha um grupo no Grande ABC, que era capitaneado por Ricardo Torres. O senhor dialoga com esse bloco? Vai em busca dos principais atores políticos do PSDB na região?

Minha campanha sai de São Paulo nos próximos dias. A maioria do partido me conhece, sou um cara bem provinciano, sempre fiz política na cidade de São Paulo. Até brinco que muita gente me conhece, mas eu não conheço as pessoas. Parto a partir desta semana ao diálogo com militantes e com forças políticas. Vou conversar com o Orlando (Morando, prefeito de São Bernardo), com o Paulinho (Paulo Serra, prefeito de Santo André), com o (José) Auricchio (Júnior, ex-prefeito de São Caetano). Quero explicar os motivos da minha candidatura e por que ela se faz tão importante para este momento do partido.

As prévias estão marcadas?

Em novembro são as prévias nacionais. A executiva estadual deve publicar regramento sobre as prévias paulistas. Como ainda não teve, estamos acreditando que as prévias serão em novembro. Para governo (do Estado) e para o Senado.

Até quando o senhor espera por posicionamento do Alckmin acerca da corrida ao Senado?

Política é arte do diálogo. Minha candidatura está posta. Em respeito ao governador Alckmin, se ele decidir ser candidato ao Senado um dia antes das prévias, eu retiro sem problema algum. Acredito que ele será senador que ouvirá as bases do partido como eu ouço hoje. A única condição que cria empecilho é se tiver prévias e eu ganhar. Fica mais difícil, porque fica consolidado um processo de disputa interna. Fica ruim. Eu não sou cavalo paraguaio. Não vou ganhar processo de disputa interna para abrir mão de alguém lá na frente. Se houver composição, é fazer antes do processo de disputa de prévias. Incansavelmente estamos atrás do diálogo.

Para o governo do Estado Alckmin tem seu apoio?

Não. Meu candidato é o Rodrigo Garcia (PSDB).

Por quê?

A candidatura do Rodrigo vem sendo construída ao longo do mandato do governador João Doria. E o Rodrigo foi peça fundamental para a eleição do prefeito Bruno Covas (em 2020). O último ato em vida do prefeito Bruno Covas foi a filiação do Rodrigo. É muito emblemático para nós, porque no outro dia o Bruno foi sedado e, infelizmente, não acordou mais. Isso enquanto eu estiver no PSDB vou respeitar esse legado do Bruno incondicionalmente.

As pesquisas mostram o Rodrigo ainda distante do topo na corrida eleitoral paulista. Há tempo de ele chegar até lá? Mesmo com a pulverização de candidaturas da direita que se avizinha?

Não só tem espaço para ele crescer como o Rodrigo será o próximo governador do Estado. O PSDB vai continuar governando o Estado. É só você rodar o Estado vai constatar isso. O Rodrigo tem o mesmo perfil do governador Geraldo Alckmin, só que 25 anos mais novo. Se você pega as figuras são iguais. O jeito de trabalhar, de agir. Evidentemente que têm seus traços de personalidade. Mas são parecidos. Nada contra o governador Geraldo Alckmin. Mas vou seguir à risca o que o Bruno deixou para a gente em vida. O candidato do Bruno é o Rodrigo Garcia. O Bruno daria apoio ao Rodrigo incondicionalmente.

E sobre a vice do Rodrigo? Muito se fala de o número dois da chapa vir do Grande ABC...

Tem espaço para tudo. Política é dinâmica. Pode ser que hoje não tenha e amanhã tenha. PSDB e Doria foram audaciosos. O próprio Serra quando foi governador foi audacioso, quando escolheu o (Alberto) Goldman (como vice, em 2006). O Geraldo sempre escolheu vice de coligação. O Doria, candidato a prefeito, escolheu vice do PSDB. O Aécio (Neves) também, quando foi candidato a presidente (o vice era Aloysio Nunes). Espaço tem e muito. O Grande ABC tem grandes nomes, como Orlando Morando, Paulo Serra e Auricchio. É decisão que o PSDB vai tomar pós-prévia, mais para frente.

O senhor acredita que Alckmin sairá do PSDB?

Não acho que saia. Pelo que eu conheço do governador Geraldo Alckmin, acho difícil ele sair. Pela história que ele tem no PSDB, por toda história que construiu, por tudo que ele foi. Uma coisa é o governador Geraldo Alckmin no PSDB. Outra é ele fora do PSDB. São dois tamanhos. Todo mundo o quer neste momento porque ele é puxador de voto. Mas o Geraldo tem outro tamanho nesses outros partidos. Sem demérito aos demais partidos. O PSDB é partido orgânico, que tem regra, tem estatuto. Os outros partidos têm dono. O dono fala e o resto ouve. No PSDB não há dono. Se tivesse, o PSDB não teria ido às ruas nas manifestações (contra Jair Bolsonaro). Se tivesse dono, o Bruno Covas não teria sido eleito. Se tivesse dono, não teríamos apresentado o pedido de expulsão do Aécio e dentro de processo democrático perdemos essa votação. Eu costumo dizer que no Brasil ainda há dois partidos com militância orgânica, que são PT e PSDB. No restante não existe isso. Tudo partido cartorial.

O senhor defende a candidatura de Doria à Presidência da República e o PSDB se mostra crítico de Bolsonaro neste momento. Mas o senhor acredita que o BolsoDoria, movimento do hoje governador em 2018, terá peso em 2022?

O Bolsonaro vai falar isso, que o Doria buscou se vincular a ele quando havia utilidade. O Doria percebeu no segundo mês de governo que ele não era o cara que disse na eleição e saiu fora. O Doria fez sim o BolsoDoria porque acreditou que ele era a melhor opção para o Brasil do que o Haddad. E sabiamente e rapidamente tomei a decisão de romper com você quando vi que você não era o sujeito que defendia na eleição. O PSDB não tem compromisso com erro. Poucos partidos têm essa posição de admitir o erro. O Doria admitiu. Acreditou em alguém que não era aquilo que falou. Eu, Fernando, não votei no Bolsonaro. Eu anulei meu voto. Como fez o Bruno Covas. Não tinha nenhuma condição de votar no PT e no Bolsonaro. Eu votei 45. Mas não recrimino quem votou no Bolsonaro porque ali eram duas decisões. O que a gente viu, com o PT, ou esperança. Votaram na esperança, que, infelizmente, não se reverberou.


RAIO X:

Nome: Luiz Fernando Alfredo da Silva

Estado civil: casado

Idade: 39 anos

Local de nascimento: São Paulo

Formação: pesquisador social, administrador, jornalista, pedagogo e estudante de filosofia

Hobby: cozinhar, lutar e ler

Livro que recomenda: A Arte da Guerra, de Sun Tzu

Artista que marcou sua vida: não citou

Profissão: político

Onde trabalha: PSDB da Capital



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