Fechar
Publicidade

Quinta-Feira, 24 de Junho

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Mãe Nossa de Cada Dia:
Acolhimento e amor

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ter filhos transgêneros reforçou em mães a disposição em lutar por igualdade, tolerância e contra o preconceito


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

09/05/2021 | 07:00


A atriz Talita Araújo de Jesus, 37 anos, mora em Santo André e é mãe de Léu Nino, 8. A decisão de ser mãe foi construída ao longo de seu antigo relacionamento, não era um desejo que a acompanhava há tempos. Talita relata que suas expectativas com relação à maternidade foram todas frustradas. “Imaginava que ser mãe fosse algo muito mais fácil, não demandasse uma atenção tão frequente.” Já a radialista Fabiana Campos, 35, foi mãe aos 19. A maternidade precoce trouxe outras prioridades e caminhos e a pouca diferença de idade tem feito com que sua relação com a filha Tatianna, 17, seja de amizade.

Talita e Fabiana têm algo em comum: as duas são mães de pessoas transexuais. Indivíduos que têm um gênero atribuído ao nascer, de acordo com seus corpos e genitais (masculino ou feminino), mas que em algum momento da vida se identificam e se expressam no gênero oposto. Em um País preconceituoso como o Brasil, que registra o maior número de assassinatos de pessoas transexuais e transgêneros do mundo, ter um filho que pertence à comunidade LBGT+ (lésbica, bissexual, gay, travesti, transexual, transgênero, entre outras identidades de gênero e orientações sexuais) é um motivo para se temer. Mas, também, para lutar por igualdade, tolerância e pelo fim do preconceito.

Talita acompanha a transição de gênero do filho desde que ele tinha 4 ou 5 anos. “Era bastante ignorante sobre o assunto, no real sentido da palavra. Não tinha a menor sensibilidade sobre como era a realidade de uma pessoa trans, em uma sociedade tão ciscentrada (com o foco em pessoas cisgêneras, ou seja, aquelas que têm um gênero atribuído no nascimento e não se identificam com outro ao longo da vida) e, principalmente, com uma criança”, relembra.

Para Fabiana, lidar com a transição da filha é um evento mais recente, de poucos meses. “As questões do universo LGBT+ sempre estiveram dentro da nossa vida. A transição ocorre desde o fim do ano passado e agora a gente vem lidando, lutando com isso. Um corpo trans é um corpo de luta, sempre”, definiu.

As duas mães afirmam que nunca sentiram qualquer tipo de preconceito ou dificuldade de aceitação, mas ambas mencionam que foi preciso um tempo para elaborar sobre a nova situação dos filhos. “A transição do Léu mudou a forma como eu entendia a maternidade, especialmente sobre entendê-lo como uma pessoa, um ser autônomo e não como uma derivação minha, algo que é parte de mim”, pontua Talita. “Passei a respeitar mais a individualidade e a subjetividade dele como indivíduo”, completa a atriz.

Fabiana considera que poder falar sobre a transição da filha é uma superação. “Acho que, como ocorre com tantas mães, tive várias questões. Precisei de desconstrução e maturidade”, cita. A radialista afirma que seu maior choque foi pensar na segurança da filha, sabendo da violência que ainda é comum na sociedade contra mulheres trans. “Fiquei extremamente assustada de não garantir a segurança da minha filha, isso no começo me chocou muito”, pontua.

Sobre o papel de mãe, Talita o define como uma tentativa de tutelar sem enlouquecer. “Ser próxima, auxiliando nos processos educativos, de afeto, e tentando fazer isso por si, não se anular”, declara. Para Fabiana, é deixar para o mundo uma pessoa boa, daquela que se possa contar. “Me realizo vendo que minha filha é uma pessoa que tem essas características. Que estou formando uma pessoa e que até aqui o meu caminho tem feito total diferença na vida dela”, finaliza a radialista.

Para ler as outras matérias da série clique aqui.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;