Fechar
Publicidade

Quarta-Feira, 12 de Maio

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Estudo mostra que professor tem
3 vezes mais chances de pegar Covid

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Documento, produzido por grandes universidades, compara infecções em ambiente estudantil com a população em geral


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

20/04/2021 | 00:01


Estudo produzido pela Repu (Rede Escola Pública e Universidade), com base em dados coletados em 229 escolas estaduais em 15 cidades, incluindo Santo André, mostrou que o risco de um professor ou um funcionário se contaminar com coronavírus com o retorno às atividades presenciais é quase três vezes maior (192%) do que a população em geral, entre 25 e 59 anos. Os dados consideram os casos confirmados e suspeitos da doença reportados em recorte de quatro semanas, em 7 de fevereiro e 6 de março, período em que as atividades presenciais foram retomadas na rede.

A nota técnica, formulada em conjunto por pesquisadores da UFABC (Universidade Federal do ABC), Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), USP (Universidade de São Paulo), UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo), em parceria com as subsedes da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), é contraponto ao boletim epidemiológico divulgado em março pela Sedec (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo). O documento produzido pela Seduc aponta que a taxa de incidência da doença nas escolas era 33 vezes menor do que no Estado de São Paulo.

Professor de políticas educacionais da UFABC e integrante da Repu, Fernando Cássio afirmou que o estudo mostra que a Sedeuc usou dados inadequados para fazer a projeção de incidência de Covid. “É impossível isso, é o mesmo que dizer que ir para as escolas é mais seguro do que ficar em casa, em isolamento”, disse. O estudo aponta que o governo estadual considerou toda a população de alunos matriculada nas escolas para fazer a projeção, quando, desde o início do ano, menos de 35% dos estudantes retornaram para atividades presenciais.

O documento também aponta que a Seduc não forneceu os dados primários que foram solicitados pelos pesquisadores, em descumprimento à LAI (Lei de Acesso à Informação). “Além de mostrar os dados alarmantes, sobretudo, mostra como a secretaria sonega ativamente o acesso a dados públicos. Ela controla o debate público”, afirmou o docente. “Nosso estudo consegue romper essa barreira porque fizemos monitoramento independente, o que dá um trabalho enorme. E é por isso que o governo tem muita dificuldade em refutar os dados”, pontuou. “Se o estudo é ruim, fica o desafio para que a secretaria forneça os dados. Adoraríamos que o estudo fosse refutado com argumentos científicos, mas o que eles fazem é desqualificar os pesquisadores e os professores”, completou Cássio. 

Conselheiro de Apeoesp em Santo André e colaborador do estudo, o professor Raphael Bueno Bernardo da Silva afirmou que os dados corroboram com o que o sindicato vem apontando há meses: que o retorno para as atividades presenciais coloca toda a comunidade escolar em risco. “Foi uma pesquisa ampla e feita por inúmeros profissionais. O resultado é um estudo embasado e palpável,  descrito em nota técnica da Repu, detalhando toda a metodologia e resultados”, pontuou.

Silva lembrou que no Grande ABC são decretos municipais que impedem as aulas presenciais na rede pública, pelo menos até o fim de abril. “Mas e depois? Teremos condições de retornar presencialmente já em maio? O cenário grave de pandemia que vivemos hoje terá sido solucionado até lá ou veremos novamente escolas reabrindo e os números de contaminados subindo semana após semana”, questionou. 

O estudo, que também aponta falta de dados sobre escolas municipais, está disponível em repu.com.br/notas-tecnicas.

Seduc reafirma segurança na retomada

Questionada pelos apontamentos feitos pelo estudo da Repu (Rede Escola Pública e Universidade), a Seduc (Secretaria da Educação São Paulo) reforçou que investe na segurança dos professores e alunos e destacou que as atividades presenciais nas escolas ocorrem de forma gradual e reduzida, com adoção de protocolos rígidos de segurança sanitária, de acordo com as classificações das fases previstas no Plano São Paulo. “Além disso, o governo do Estado antecipou a vacinação dos profissionais sendo que, desde o dia 10, já foram vacinados mais de 209 mil trabalhadores da área do ensino”, informou, em nota. 

A pasta esclareceu que, em sua pesquisa, que apontou que a incidência de Covid é 33 vezes menor na escola do que no público geral do Estado, o cálculo de casos da doença considera o número de positivos de estudantes e profissionais, dentre eles professores. Que não foi realizado recorte específico para o público docente porque o monitoramento realizado pela Seduc, por meio da plataforma Simed, se dá sobre toda comunidade escolar. “O uso de dados gerais foi o número confiável a ser utilizado diante das incertezas, como metodologia possível. A Seduc também ressalta que a escolha pelo fornecimento de dados por parte das escolas municipais ao Simed cabe aos municípios. Um novo boletim epidemiológico será divulgado em breve.”

A secretaria afirmou que o boletim divulgado em março foi financiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e desenvolvido por pesquisadores do CCWD (Center for Child Well-Being and Development), centro de pesquisa da Universidade de Zurique, na Suíça, em parceria com a Seduc. “A comparação foi entre o aumento de casos nos municípios onde as escolas abriram para os alunos e onde não abriu, com frequência controlada de até 35% e de forma não obrigatória”, explicou a pasta. “O recorte foi de outubro a dezembro de 2020, quando 1.800 escolas retomaram com as atividades presenciais, atendendo cerca de 1,7 milhão de estudantes. Naquele momento a pesquisa comparou os 131 que reabriram com todos os outros do Estado de São Paulo, garantindo que os dados de cada município foram contrastados com pares de municípios comparáveis. A frequência desses alunos foi comprovada pelas atividades e avaliações que foram feitas em sala de aula”, completou o comunicado. A Seduc também informou que os pedidos via LAI (Lei de Acesso à Informação) estão sendo respondidos dentro do prazo legal.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Estudo mostra que professor tem
3 vezes mais chances de pegar Covid

Documento, produzido por grandes universidades, compara infecções em ambiente estudantil com a população em geral

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

20/04/2021 | 00:01


Estudo produzido pela Repu (Rede Escola Pública e Universidade), com base em dados coletados em 229 escolas estaduais em 15 cidades, incluindo Santo André, mostrou que o risco de um professor ou um funcionário se contaminar com coronavírus com o retorno às atividades presenciais é quase três vezes maior (192%) do que a população em geral, entre 25 e 59 anos. Os dados consideram os casos confirmados e suspeitos da doença reportados em recorte de quatro semanas, em 7 de fevereiro e 6 de março, período em que as atividades presenciais foram retomadas na rede.

A nota técnica, formulada em conjunto por pesquisadores da UFABC (Universidade Federal do ABC), Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), USP (Universidade de São Paulo), UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo), em parceria com as subsedes da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), é contraponto ao boletim epidemiológico divulgado em março pela Sedec (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo). O documento produzido pela Seduc aponta que a taxa de incidência da doença nas escolas era 33 vezes menor do que no Estado de São Paulo.

Professor de políticas educacionais da UFABC e integrante da Repu, Fernando Cássio afirmou que o estudo mostra que a Sedeuc usou dados inadequados para fazer a projeção de incidência de Covid. “É impossível isso, é o mesmo que dizer que ir para as escolas é mais seguro do que ficar em casa, em isolamento”, disse. O estudo aponta que o governo estadual considerou toda a população de alunos matriculada nas escolas para fazer a projeção, quando, desde o início do ano, menos de 35% dos estudantes retornaram para atividades presenciais.

O documento também aponta que a Seduc não forneceu os dados primários que foram solicitados pelos pesquisadores, em descumprimento à LAI (Lei de Acesso à Informação). “Além de mostrar os dados alarmantes, sobretudo, mostra como a secretaria sonega ativamente o acesso a dados públicos. Ela controla o debate público”, afirmou o docente. “Nosso estudo consegue romper essa barreira porque fizemos monitoramento independente, o que dá um trabalho enorme. E é por isso que o governo tem muita dificuldade em refutar os dados”, pontuou. “Se o estudo é ruim, fica o desafio para que a secretaria forneça os dados. Adoraríamos que o estudo fosse refutado com argumentos científicos, mas o que eles fazem é desqualificar os pesquisadores e os professores”, completou Cássio. 

Conselheiro de Apeoesp em Santo André e colaborador do estudo, o professor Raphael Bueno Bernardo da Silva afirmou que os dados corroboram com o que o sindicato vem apontando há meses: que o retorno para as atividades presenciais coloca toda a comunidade escolar em risco. “Foi uma pesquisa ampla e feita por inúmeros profissionais. O resultado é um estudo embasado e palpável,  descrito em nota técnica da Repu, detalhando toda a metodologia e resultados”, pontuou.

Silva lembrou que no Grande ABC são decretos municipais que impedem as aulas presenciais na rede pública, pelo menos até o fim de abril. “Mas e depois? Teremos condições de retornar presencialmente já em maio? O cenário grave de pandemia que vivemos hoje terá sido solucionado até lá ou veremos novamente escolas reabrindo e os números de contaminados subindo semana após semana”, questionou. 

O estudo, que também aponta falta de dados sobre escolas municipais, está disponível em repu.com.br/notas-tecnicas.

Seduc reafirma segurança na retomada

Questionada pelos apontamentos feitos pelo estudo da Repu (Rede Escola Pública e Universidade), a Seduc (Secretaria da Educação São Paulo) reforçou que investe na segurança dos professores e alunos e destacou que as atividades presenciais nas escolas ocorrem de forma gradual e reduzida, com adoção de protocolos rígidos de segurança sanitária, de acordo com as classificações das fases previstas no Plano São Paulo. “Além disso, o governo do Estado antecipou a vacinação dos profissionais sendo que, desde o dia 10, já foram vacinados mais de 209 mil trabalhadores da área do ensino”, informou, em nota. 

A pasta esclareceu que, em sua pesquisa, que apontou que a incidência de Covid é 33 vezes menor na escola do que no público geral do Estado, o cálculo de casos da doença considera o número de positivos de estudantes e profissionais, dentre eles professores. Que não foi realizado recorte específico para o público docente porque o monitoramento realizado pela Seduc, por meio da plataforma Simed, se dá sobre toda comunidade escolar. “O uso de dados gerais foi o número confiável a ser utilizado diante das incertezas, como metodologia possível. A Seduc também ressalta que a escolha pelo fornecimento de dados por parte das escolas municipais ao Simed cabe aos municípios. Um novo boletim epidemiológico será divulgado em breve.”

A secretaria afirmou que o boletim divulgado em março foi financiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e desenvolvido por pesquisadores do CCWD (Center for Child Well-Being and Development), centro de pesquisa da Universidade de Zurique, na Suíça, em parceria com a Seduc. “A comparação foi entre o aumento de casos nos municípios onde as escolas abriram para os alunos e onde não abriu, com frequência controlada de até 35% e de forma não obrigatória”, explicou a pasta. “O recorte foi de outubro a dezembro de 2020, quando 1.800 escolas retomaram com as atividades presenciais, atendendo cerca de 1,7 milhão de estudantes. Naquele momento a pesquisa comparou os 131 que reabriram com todos os outros do Estado de São Paulo, garantindo que os dados de cada município foram contrastados com pares de municípios comparáveis. A frequência desses alunos foi comprovada pelas atividades e avaliações que foram feitas em sala de aula”, completou o comunicado. A Seduc também informou que os pedidos via LAI (Lei de Acesso à Informação) estão sendo respondidos dentro do prazo legal.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;