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Menores matam carcereira em Diadema e fogem


Bruno Ribeiro
Especial para o Diário e Artur Rodrigues
Do Diário do Grande ABC

29/11/2005 | 08:03


Para fugir da carceragem do 3º Distrito Policial de Diadema, dois infratores de 17 e 15 anos mataram na madrugada de segunda-feira a carcereira Diva Aparecida Soares, 44 anos. Para golpeá-la, eles teriam usado o cabo de uma colher e uma marreta. O adolescente mais velho é acusado de furto, mas teria passagem também por lesão corporal. O mais jovem, recapturado, responde por roubo. Todas as infrações foram cometidas em São Bernardo, onde a possibilidade da construção de duas unidades da Febem (Fundação do Bem-Estar do Menor) ficou mais distante segunda-feira, quando novamente representantes de Prefeitura e Febem se reuniram. Previstos para o final deste ano, os prédios não devem sair do papel tão cedo. Uma novo encontro entre as partes só vai acontecer em 3 de fevereiro de 2006.

A dupla de infratores estava presa no 3º DP de Diadema porque em São Bernardo não há espaço para menores nas carceragens. Segundo o artigo 185 do Estatuto da Criança e do Adolescente, cinco dias é o prazo máximo que menores podem ficar em delegacias. A polícia não informou há quanto tempo os dois rapazes estavam no local.

Segundo a polícia, os menores eram mantidos na cela do seguro, separados dos demais presos por sofrerem ameaças. Às 23h30, eles teriam pedido à carcereira que recolhesse o lixo da cela. Diva abriu a grade sem pedir apoio aos colegas. Os jovens teriam rendido a policial usando um cabo de colher raspado, que teria sido espetado no ouvido da policial. Depois, ela foi levada até a sala da carceragem. Lá, os menores teriam encontrado uma marreta, que segundo a polícia estava sendo utilizada numa obra da carceragem. A polícia supõe que a marreta foi usada para golpear a cabeça da carcereira até que ela parasse de se mexer.

Em seguida, segundo depoimento do adolescente de 15 anos à polícia, o mais velho da dupla teria revistado a sala a fim de encontrar a arma de Diva, mas não achou. Enquanto isso, o mais novo estourava o cadeado para fugir.

Durante a ação, os demais presos começaram a gritar e fazer barulho. O que chamou a atenção dos dois policiais que estavam na sala do plantão. Para entrar na carceragem, segundo o delegado Alexandre Fuchicami Brisola, a pessoa que está fora precisa tocar uma campainha e se identificar para quem está na carceragem, e só então a porta é aberta. Os policiais tocaram a campainha, sem resposta. Percebendo que algo estava errado, correram por fora da delegacia para acessar a carceragem por uma entrada lateral. Encontraram a porta aberta. A carcereira estava caída na sala. Os policiais chamaram o resgate, que levou a policial até o Hospital Municipal de Diadema. Ela chegou morta na unidade de saúde.

Após a constatação da fuga dos menores e da morte da policial, diversas unidades das polícias Civil e Militar começaram a patrulhar o Grande ABC em busca da dupla de menores. O acusado de 15 anos foi encontrado na avenida Francisco Prestes Maia, no Centro de São Bernardo, onde teria chegado de ônibus. Segundo a polícia, ele “ofereceu resistência moderada” à captura – sendo necessário o “emprego de força” para dominá-lo e levá-lo novamente à delegacia, onde está detido. No DP, ele teria assumido a participação na ação. Mas transferiu a responsabilidade pelo planejamento da fuga e pelos golpes na cabeça da policial ao outro menor. Agora, a dupla deve responder por homicídio em Diadema.

Carceragem – Além da cela do seguro, existem duas celas na carceragem do 3º DP de Diadema, de acordo com o delegado titular do Distrito, Marcos Dario Mariano da Silva. A divisão entre presos maiores e menores de idade é feita por um muro no meio das celas. Segunda-feira à noite, cerca de 16 infratores ocupavam a cela para menores.

O fechamento da carceragem para menores de Diadema é uma antiga reivindicação de entidades de direitos humanos. Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, do Movimento Nacional de Direitos Humanos, o local, onde ficam em média 15 jovens, chegou a abrigar 50 menores. “Essa é uma tragédia que poderia ter sido evitada se existissem unidades da Febem na região”, afirma.

Diva – Natural de Auriflama (município paulista a 570 quilômetros da capital), Diva morava em São Paulo há cerca de 10 anos, segundo seu irmão, o contador Olivar Soares, 39. Era divorciada e não tinha filhos. De acordo com o irmão, antes de trabalhar no 3º DP de Diadema ela já tinha trabalhado em carceragens de delegacias de Mogi das Cruzes e Santo André.

 Como foi o caso

1. Por volta das 23h30 de domingo, os menores D.F.S, 17 anos, e C.F.S., 15, pediram para a carcereira Diva Aparecida Soares, 44, recolher o lixo da cela. Sem pedir apoio, a policial civil atendeu ao pedido e entrou na cela. Os menores escondiam um cabo de colher de metal raspado, que seria usado como uma faca.

2. Assim que abriu a porta a cela, Diva foi rendida pelos dois. Eles fincaram um pedaço de metal no ouvido da policial, que teria desmaiado. Os presos das outras duas celas começaram a gritar e bater nas grades para chamar a atenção dos policiais no plantão da delegacia.

3. Os garotos arrastaram a policial até a sala da carceragem, onde encontraram um martelo. Com a ferramenta, deram vários golpes na cabeça da policial.

4. Após acertar os golpes, eles estouraram o cadeado e saíram pela porta lateral da delegacia, que não tem contato direto com a sala do plantão. Um dos garotos fugiu e o outro permaneceu alguns instantes na carceragem procurando o revolver da policial. Como não encontrou a arma, fugiu sem nada.

5. Um dos adolescentes foi capturado por uma viatura do Garra no Centro de São Bernardo, por volta da 1h30 de segunda-feira. O outro estava foragido até segunda-feira.



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Menores matam carcereira em Diadema e fogem

Bruno Ribeiro
Especial para o Diário e Artur Rodrigues
Do Diário do Grande ABC

29/11/2005 | 08:03


Para fugir da carceragem do 3º Distrito Policial de Diadema, dois infratores de 17 e 15 anos mataram na madrugada de segunda-feira a carcereira Diva Aparecida Soares, 44 anos. Para golpeá-la, eles teriam usado o cabo de uma colher e uma marreta. O adolescente mais velho é acusado de furto, mas teria passagem também por lesão corporal. O mais jovem, recapturado, responde por roubo. Todas as infrações foram cometidas em São Bernardo, onde a possibilidade da construção de duas unidades da Febem (Fundação do Bem-Estar do Menor) ficou mais distante segunda-feira, quando novamente representantes de Prefeitura e Febem se reuniram. Previstos para o final deste ano, os prédios não devem sair do papel tão cedo. Uma novo encontro entre as partes só vai acontecer em 3 de fevereiro de 2006.

A dupla de infratores estava presa no 3º DP de Diadema porque em São Bernardo não há espaço para menores nas carceragens. Segundo o artigo 185 do Estatuto da Criança e do Adolescente, cinco dias é o prazo máximo que menores podem ficar em delegacias. A polícia não informou há quanto tempo os dois rapazes estavam no local.

Segundo a polícia, os menores eram mantidos na cela do seguro, separados dos demais presos por sofrerem ameaças. Às 23h30, eles teriam pedido à carcereira que recolhesse o lixo da cela. Diva abriu a grade sem pedir apoio aos colegas. Os jovens teriam rendido a policial usando um cabo de colher raspado, que teria sido espetado no ouvido da policial. Depois, ela foi levada até a sala da carceragem. Lá, os menores teriam encontrado uma marreta, que segundo a polícia estava sendo utilizada numa obra da carceragem. A polícia supõe que a marreta foi usada para golpear a cabeça da carcereira até que ela parasse de se mexer.

Em seguida, segundo depoimento do adolescente de 15 anos à polícia, o mais velho da dupla teria revistado a sala a fim de encontrar a arma de Diva, mas não achou. Enquanto isso, o mais novo estourava o cadeado para fugir.

Durante a ação, os demais presos começaram a gritar e fazer barulho. O que chamou a atenção dos dois policiais que estavam na sala do plantão. Para entrar na carceragem, segundo o delegado Alexandre Fuchicami Brisola, a pessoa que está fora precisa tocar uma campainha e se identificar para quem está na carceragem, e só então a porta é aberta. Os policiais tocaram a campainha, sem resposta. Percebendo que algo estava errado, correram por fora da delegacia para acessar a carceragem por uma entrada lateral. Encontraram a porta aberta. A carcereira estava caída na sala. Os policiais chamaram o resgate, que levou a policial até o Hospital Municipal de Diadema. Ela chegou morta na unidade de saúde.

Após a constatação da fuga dos menores e da morte da policial, diversas unidades das polícias Civil e Militar começaram a patrulhar o Grande ABC em busca da dupla de menores. O acusado de 15 anos foi encontrado na avenida Francisco Prestes Maia, no Centro de São Bernardo, onde teria chegado de ônibus. Segundo a polícia, ele “ofereceu resistência moderada” à captura – sendo necessário o “emprego de força” para dominá-lo e levá-lo novamente à delegacia, onde está detido. No DP, ele teria assumido a participação na ação. Mas transferiu a responsabilidade pelo planejamento da fuga e pelos golpes na cabeça da policial ao outro menor. Agora, a dupla deve responder por homicídio em Diadema.

Carceragem – Além da cela do seguro, existem duas celas na carceragem do 3º DP de Diadema, de acordo com o delegado titular do Distrito, Marcos Dario Mariano da Silva. A divisão entre presos maiores e menores de idade é feita por um muro no meio das celas. Segunda-feira à noite, cerca de 16 infratores ocupavam a cela para menores.

O fechamento da carceragem para menores de Diadema é uma antiga reivindicação de entidades de direitos humanos. Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, do Movimento Nacional de Direitos Humanos, o local, onde ficam em média 15 jovens, chegou a abrigar 50 menores. “Essa é uma tragédia que poderia ter sido evitada se existissem unidades da Febem na região”, afirma.

Diva – Natural de Auriflama (município paulista a 570 quilômetros da capital), Diva morava em São Paulo há cerca de 10 anos, segundo seu irmão, o contador Olivar Soares, 39. Era divorciada e não tinha filhos. De acordo com o irmão, antes de trabalhar no 3º DP de Diadema ela já tinha trabalhado em carceragens de delegacias de Mogi das Cruzes e Santo André.

 Como foi o caso

1. Por volta das 23h30 de domingo, os menores D.F.S, 17 anos, e C.F.S., 15, pediram para a carcereira Diva Aparecida Soares, 44, recolher o lixo da cela. Sem pedir apoio, a policial civil atendeu ao pedido e entrou na cela. Os menores escondiam um cabo de colher de metal raspado, que seria usado como uma faca.

2. Assim que abriu a porta a cela, Diva foi rendida pelos dois. Eles fincaram um pedaço de metal no ouvido da policial, que teria desmaiado. Os presos das outras duas celas começaram a gritar e bater nas grades para chamar a atenção dos policiais no plantão da delegacia.

3. Os garotos arrastaram a policial até a sala da carceragem, onde encontraram um martelo. Com a ferramenta, deram vários golpes na cabeça da policial.

4. Após acertar os golpes, eles estouraram o cadeado e saíram pela porta lateral da delegacia, que não tem contato direto com a sala do plantão. Um dos garotos fugiu e o outro permaneceu alguns instantes na carceragem procurando o revolver da policial. Como não encontrou a arma, fugiu sem nada.

5. Um dos adolescentes foi capturado por uma viatura do Garra no Centro de São Bernardo, por volta da 1h30 de segunda-feira. O outro estava foragido até segunda-feira.

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