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Abastecimento está sob risco na região

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Regime de chuvas irregular prejudicou nível dos mananciais; falta planejamento a longo prazo


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

02/12/2020 | 00:01


O nível dos mananciais que abastecem a região está crítico, acendendo o alerta para possível crise no abastecimento durante o verão. Mais crítico, o Cantareira, que supre São Caetano, está em 32%. Há um ano, o índice era de 37,8%. Já o Sistema Rio Claro, que abastece cerca de 1,5 milhão de moradores de Santo André, Mauá e Ribeirão Pires, está em 49,1%, ante 102% em 1º de dezembro de 2019.

O Rio Grande, responsável pelo abastecimento de 1,2 milhão de pessoas em Santo André, São Bernardo e Diadema, está em 78,5%, 5,2 pontos percentuais abaixo do índice registrado no ano passado. Os dados são da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e especialistas avaliam que o regime irregular de chuvas é um dos principais fatores que contribuíram para os percentuais.

“Já deveríamos ter entrado na época de chuvas desde meados de setembro, mas este ano está muito diferente do normal. Mas isso era esperado, tivemos desmatamentos recordes neste ano e, sem floresta, não há água (já que a vegetação contribui para o ciclo da água)", assinala Marta Marcondes, bióloga e coordenadora do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). Por este motivo, ela defende o endurecimento de políticas públicas para frear o desmatamento.

Ainda que o nível do Rio Grande seja confortável, o reservatório também pode sofrer as consequências. Isso porque, com o volume baixo dos outros mananciais, pode ser necessário retirar água do sistema para suprir a demanda de outras regiões. Marta exemplifica que na crise hídrica de 2015 foi necessário bombear água do Rio Grande para suprir o Alto Tietê.

Henrique Costa, CEO da Accell, distribuidora de medidores de água, luz e gás, acrescenta que, além da falta de chuvas durante todo 2020, a pandemia fez com que o consumo de água aumentasse, já que o recurso foi mais demandado para higienização. Porém, ele avalia que problemas no abastecimento devem ser evitados com ações de médio e longo prazos. “A gestão da água deve melhorar. Estudos mostram que há perda de até 40% do total que se capta, gerando desperdício da própria água, fora a energia elétrica e os insumos químicos usados no tratamento”, explica.

Existem dois tipos de perdas, as chamadas reais, que incluem problemas na distribuição, como vazamento nas tubulações, e as aparentes, a exemplo de vazamento em medidores. “É necessário investir mais na gestão e na redução de perdas de água”, afirma Costa. Ele aponta que, embora a população deva fazer o uso consciente da água, esta é uma medida paliativa contra crise no abastecimento.



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Abastecimento está sob risco na região

Regime de chuvas irregular prejudicou nível dos mananciais; falta planejamento a longo prazo

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

02/12/2020 | 00:01


O nível dos mananciais que abastecem a região está crítico, acendendo o alerta para possível crise no abastecimento durante o verão. Mais crítico, o Cantareira, que supre São Caetano, está em 32%. Há um ano, o índice era de 37,8%. Já o Sistema Rio Claro, que abastece cerca de 1,5 milhão de moradores de Santo André, Mauá e Ribeirão Pires, está em 49,1%, ante 102% em 1º de dezembro de 2019.

O Rio Grande, responsável pelo abastecimento de 1,2 milhão de pessoas em Santo André, São Bernardo e Diadema, está em 78,5%, 5,2 pontos percentuais abaixo do índice registrado no ano passado. Os dados são da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e especialistas avaliam que o regime irregular de chuvas é um dos principais fatores que contribuíram para os percentuais.

“Já deveríamos ter entrado na época de chuvas desde meados de setembro, mas este ano está muito diferente do normal. Mas isso era esperado, tivemos desmatamentos recordes neste ano e, sem floresta, não há água (já que a vegetação contribui para o ciclo da água)", assinala Marta Marcondes, bióloga e coordenadora do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). Por este motivo, ela defende o endurecimento de políticas públicas para frear o desmatamento.

Ainda que o nível do Rio Grande seja confortável, o reservatório também pode sofrer as consequências. Isso porque, com o volume baixo dos outros mananciais, pode ser necessário retirar água do sistema para suprir a demanda de outras regiões. Marta exemplifica que na crise hídrica de 2015 foi necessário bombear água do Rio Grande para suprir o Alto Tietê.

Henrique Costa, CEO da Accell, distribuidora de medidores de água, luz e gás, acrescenta que, além da falta de chuvas durante todo 2020, a pandemia fez com que o consumo de água aumentasse, já que o recurso foi mais demandado para higienização. Porém, ele avalia que problemas no abastecimento devem ser evitados com ações de médio e longo prazos. “A gestão da água deve melhorar. Estudos mostram que há perda de até 40% do total que se capta, gerando desperdício da própria água, fora a energia elétrica e os insumos químicos usados no tratamento”, explica.

Existem dois tipos de perdas, as chamadas reais, que incluem problemas na distribuição, como vazamento nas tubulações, e as aparentes, a exemplo de vazamento em medidores. “É necessário investir mais na gestão e na redução de perdas de água”, afirma Costa. Ele aponta que, embora a população deva fazer o uso consciente da água, esta é uma medida paliativa contra crise no abastecimento.

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