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Isolamento físico não reduz morte no trânsito

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No primeiro semestre, foram 94 vítimas ante 100 em 2019; vias vazias aumentam velocidade média


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

24/07/2020 | 00:01


A quantidade de mortes causadas por acidentes de trânsito ficou estável no primeiro semestre no Grande ABC, registrando 94 vítimas ante 100 no mesmo período do ano passado. Chama atenção o fato de a região ter passado ao menos três dos seis meses na quarentena, o que deveria ter reduzido as ocorrências. Os dados foram divulgados pelo Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo) nesta semana.

Uma das justificativas é que as vias sem congestionamento fizeram com que os motoristas aumentassem a velocidade. “Teoricamente, todo mundo estava confinado, mas observamos que as prefeituras tiveram dificuldade em atingir a meta de isolamento, então, as pessoas que saíam de casa tinham as vias mais livres, circulando acima ou muito próximo à velocidade máxima permitida”, afirmou Eduardo Biavati, sociólogo e consultor em segurança no trânsito.

Segundo Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), agravante é o aumento na circulação de motocicletas no período, já que pessoas que perderam o emprego recorreram aos aplicativos de entrega que, por sua vez, viram a demanda crescer. “O delivery exige tempo hábil para entregar rapidamente e as vias passaram a ser utilizadas como pista de corrida. Fora isso, eles trabalham até 14 horas por dia, gerando fadiga, que também pode causar acidentes, e usam o celular para se comunicar com o empregador e o cliente.”

Não à toa, 38 (40,4%) das 94 vítimas estavam em motocicletas no momento do acidente. Já 36 (38,3%) eram pedestres, dez (10,6%) estavam em automóveis, oito (8,5%) guiavam bicicletas e dois (2,1%) estavam em caminhões. Em relação ao perfil dos acidentes, 39 (41,5%) das mortes foram causadas por atropelamento, 28 (29,8%) resultaram de colisão, 13 (13,8%) foram ocasionadas por choque e 14 (14,9%) foram causados por outros fatores ou não foram classificados.

“Se a pandemia pudesse ter algum aspecto positivo, seria a diminuição de acidentes de trânsito, principalmente aqueles com vítimas fatais, porém, essa tese não se confirmou na região”, assinalou Biavati. “No início (da quarentena) até tivemos queda da frota na rua, mas se tem veículos colidindo e motos se envolvendo em acidentes, significa que o povo está saindo à rua com o adicional de menos trânsito e mais possibilidade de atingir velocidade média maior”, reforçou.

Na avaliação de Alves Júnior, as campanhas de segurança no trânsito já costumam ser escassas e a pandemia fez com que as diversas esferas do governo deixassem o assunto de lado. Tradicionalmente, o mês de maio é dedicado a ações de conscientização sobre o tema. “O governo não agiu preventivamente. Além disso, ele não vê a quantidade de pessoas que ficam incapacitadas permanentemente para o trabalho, acarretando em pensões e despesas médicas para o próprio Estado”, apontou.

Em dezembro, o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC firmou parceria com o Observatório Nacional de Segurança Viária, por meio da campanha Laço Amarelo, para mapear a região e traçar medidas para tornar o trânsito mais seguro. Em razão da pandemia, Edgard Brandão, secretário executivo da entidade, explicou que as ações do Maio Amarelo foram adiadas para 2021. “A solução que encontramos foi intensificar nas redes sociais a conscientização para um trânsito mais seguro, humano e responsável. A estratégia foi adotada tanto pelo Consórcio quanto pelas sete prefeituras”, salientou. 



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