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Na região, 75% dos mortos eram idosos

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Comorbidade, observada em 80% deles, e redução da resposta imunológica, agravam quadro


Flavia Kurotori
Diário do Grande ABC

12/07/2020 | 08:20


A cada dia a pandemia ganha nomes e rostos de pessoas que morreram em razão da Covid-19. Na região, onde o primeiro óbito pela doença foi em 25 de março, os idosos são 75% das vítimas, sendo que 80% deles tinha ao menos uma comorbidade e a maioria (56%) era homem. O perfil diz respeito às 887 mortes registradas pelas prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Ribeirão Pires até quinta-feira – as demais não informaram dados das vítimas fatais.

Segundo Munir Ayub, consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e professor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), as pessoas com mais de 60 anos começam a ter redução da resposta imunológica, ou seja, o corpo não reage a infecções na velocidade ideal. “Além disso, começam a surgir outros problemas, como hipertensão, diabete e, dependendo do estilo de vida, se é fumante ou sedentário, por exemplo, os riscos vão aumentando”, explicou.

Por esse motivo, quatro em cada cinco vítimas fatais tinham uma ou mais doenças preexistentes que agravaram o quadro da Covid-19. As mais comuns são os problemas cardiovasculares, registrados em 248 dos óbitos. Na sequência aparecem diabetes (192), hipertensão (78), doenças respiratórias (23) e a obesidade (19), além de 149 pessoas que tinham outras comorbidades. “O sistema mais frágil (dos idosos) somado a esses riscos aumentam a chance de desenvolver quadro mais grave”, afirmou Ayub.

O infectologista assinala que, atualmente, há hipótese de que o vírus precisa de receptores no corpo humano para se manter. Esses receptores estão presentes em grande quantidade no pulmão, justificando os danos da doença ao órgão, e mais frequentes em idosos do que em crianças e jovens, por isso cidadãos acima de 60 anos seriam mais afetados. Porém, a questão ainda está sendo estudada por especialistas.

A região não foge do perfil observado no Estado, onde 58% dos 17.118 mortos eram homens, 74,5% tinham mais de 60 anos e, 80%, ao menos uma comorbidade, tais como cardiopatia, pneumopatia, doenças neurológica e renal.

Ayub lembra que toda população será infectada pelo novo coronavírus e, mesmo que a maioria das mortes seja de idosos, os mais jovens também correm risco – no Grande ABC, 6% (49) das vítimas tinha entre 50 e 59 anos, enquanto 3% (30) tinha até 49 anos. “Embora não seja o padrão, os jovens também podem evoluir mal e ter a forma mais grave da doença”, alertou. Por esse motivo, o especialista orienta que pessoas de todas as faixas etárias mantenham o isolamento físico.

Epidemiologista e professora do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Sônia Regina Pereira de Souza lembrou que apenas com a vacina a população estará segura. “A vacina é para todos, inclusive para quem não pode tomar por alguma restrição, pois fará com que o vírus pare de circular, protegendo toda a sociedade”, detalhou. Vale lembrar que, conforme o Diário tem noticiado, a vacina do laboratório chinês Sinovac Biotech deve começar a ser testada no dia 20 na universidade são-caetanense.

Até que a imunização seja aprovada e comece a ser distribuída pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a orientação é que, quem pode, mantenha o isolamento físico. “A população precisa estar muito envolvida, todos devem usar máscara corretamente, adotar medidas de higiene e, quem pode, fazer o home office. É uma questão de saúde pública”, destacou. 



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Na região, 75% dos mortos eram idosos

Comorbidade, observada em 80% deles, e redução da resposta imunológica, agravam quadro

Flavia Kurotori
Diário do Grande ABC

12/07/2020 | 08:20


A cada dia a pandemia ganha nomes e rostos de pessoas que morreram em razão da Covid-19. Na região, onde o primeiro óbito pela doença foi em 25 de março, os idosos são 75% das vítimas, sendo que 80% deles tinha ao menos uma comorbidade e a maioria (56%) era homem. O perfil diz respeito às 887 mortes registradas pelas prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Ribeirão Pires até quinta-feira – as demais não informaram dados das vítimas fatais.

Segundo Munir Ayub, consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e professor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), as pessoas com mais de 60 anos começam a ter redução da resposta imunológica, ou seja, o corpo não reage a infecções na velocidade ideal. “Além disso, começam a surgir outros problemas, como hipertensão, diabete e, dependendo do estilo de vida, se é fumante ou sedentário, por exemplo, os riscos vão aumentando”, explicou.

Por esse motivo, quatro em cada cinco vítimas fatais tinham uma ou mais doenças preexistentes que agravaram o quadro da Covid-19. As mais comuns são os problemas cardiovasculares, registrados em 248 dos óbitos. Na sequência aparecem diabetes (192), hipertensão (78), doenças respiratórias (23) e a obesidade (19), além de 149 pessoas que tinham outras comorbidades. “O sistema mais frágil (dos idosos) somado a esses riscos aumentam a chance de desenvolver quadro mais grave”, afirmou Ayub.

O infectologista assinala que, atualmente, há hipótese de que o vírus precisa de receptores no corpo humano para se manter. Esses receptores estão presentes em grande quantidade no pulmão, justificando os danos da doença ao órgão, e mais frequentes em idosos do que em crianças e jovens, por isso cidadãos acima de 60 anos seriam mais afetados. Porém, a questão ainda está sendo estudada por especialistas.

A região não foge do perfil observado no Estado, onde 58% dos 17.118 mortos eram homens, 74,5% tinham mais de 60 anos e, 80%, ao menos uma comorbidade, tais como cardiopatia, pneumopatia, doenças neurológica e renal.

Ayub lembra que toda população será infectada pelo novo coronavírus e, mesmo que a maioria das mortes seja de idosos, os mais jovens também correm risco – no Grande ABC, 6% (49) das vítimas tinha entre 50 e 59 anos, enquanto 3% (30) tinha até 49 anos. “Embora não seja o padrão, os jovens também podem evoluir mal e ter a forma mais grave da doença”, alertou. Por esse motivo, o especialista orienta que pessoas de todas as faixas etárias mantenham o isolamento físico.

Epidemiologista e professora do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Sônia Regina Pereira de Souza lembrou que apenas com a vacina a população estará segura. “A vacina é para todos, inclusive para quem não pode tomar por alguma restrição, pois fará com que o vírus pare de circular, protegendo toda a sociedade”, detalhou. Vale lembrar que, conforme o Diário tem noticiado, a vacina do laboratório chinês Sinovac Biotech deve começar a ser testada no dia 20 na universidade são-caetanense.

Até que a imunização seja aprovada e comece a ser distribuída pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a orientação é que, quem pode, mantenha o isolamento físico. “A população precisa estar muito envolvida, todos devem usar máscara corretamente, adotar medidas de higiene e, quem pode, fazer o home office. É uma questão de saúde pública”, destacou. 

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