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Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Tradicional em São Bernardo, dona Cotinha, 92 anos, realiza trabalho social incansável


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

27/06/2020 | 23:47


Do alto de seus 92 anos, Maria do Carmo Ribeiro Lemes, não se cansa de duas coisas. Uma é repartir alimento com quem tem fome. A outra é ter fé, em Deus, na vida e por tempos melhores. Carinhosamente conhecida como dona Cotinha, ela se mudou com a família de Cordislândia, no Sul de Minas Gerais, para São Bernardo no fim dos anos 1960. E da cidade do Grande ABC não saiu mais.

Ao longo da vida, dona Cotinha já viu diversos momentos difíceis da história do País, e até mesmo do mundo. Mas afirma nunca ter vivenciado nada tão grave e assustador como o que acontece agora, com a pandemia da Covid-19. Em busca de dias melhores, ela reza. “Este é o momento mais complicado que já vi”, assegura a senhora de fala calma e doce. Com toda a sabedoria que a vida lhe deu, se apega na oração. “Ela (prece) é poderosa, e tem que ser feita com fé, sem duvidar”, avisa.
E mesmo agora, diante da pandemia da Covid-19 que tem arrasado o País, dona Cotinha não se intimida e segue com o trabalho voluntário, claro, tomando todas as precauções necessárias e contando sempre com a ajuda dos oito filhos.

A família Lemes é muito conhecida no Parque São Bernardo – e também fora dele. Entre as várias ações que realizam, “sempre com as próprias mãos e a ajuda de quem Deus manda para sua porta”, como diz dona Cotinha, uma das mais prestigiadas é o almoço de Natal, que já chegou na 21ª edição e, no último ano, alimentou cerca de 5.000 moradores da região. “Tenho muita preocupação (com as pessoas). Se vem alguém na minha porta a gente reparte a comida”, comenta a veterana.

Benedito da Silva Lemes, 68, conhecido como Ditinho da Congada, é o filho mais velho de dona Cotinha. Ele explica que a porta da casa está à disposição para quem tem fome. A família arrecada alimentos como pode. E quem precisa, bate à porta. “Este trabalho acontece, independentemente da pandemia. Não podemos parar”, afirma. São cerca de 50 cestas básicas por mês que os Lemes angariam e repassam aos necessitados. Isso sem contar roupas, brinquedos, produtos de higiene e o que mais for possível.

As doações funcionam sem cadastro prévio das famílias que necessitam. Se precisar, basta chegar. Ditinho explica que a preocupação em não desperdiçar comida acontece tanto por parte de sua família, quanto de quem busca ajuda. “Tem gente que vem aqui precisando de arroz, pois ainda tem feijão em casa. Daí deixa o alimento para outra pessoa que necessita mais daquilo naquele momento”, conta Ditinho. “Minha mãe chegou a conclusão de que funciona melhor assim. Abrimos a cesta, pegamos o que a pessoa mais precisa. Quem precisar, é claro, leva tudo”, frisa.

José da Silva Lemes, 56, o Zé Neguinho, outro filho de Dona Cotinha, diz que com a pandemia, a casa, que sempre recebeu todo mundo, agora está com portão fechado por precaução. “Aqui em casa a maioria é idosa, mas as pessoas lá do lado de fora ainda precisam de nossa ajuda”, lamenta Zé Neguinho. Para ele, a gratidão em poder ajudar o próximo é algo que transborda. “A gente se sente feliz por fazer isso. E seria mais feliz ainda se ninguém precisasse ajuda”, reflete.

Ditinho pensa da mesma forma. Ele diz que uma vez lhe perguntaram o que eles ganham com todo este trabalho que desenvolvem. Na resposta, foi certeiro. “Nós já ganhamos. Somos em oito irmãos e nunca brigamos. Somos em 40 na família e todo mundo ajuda”. Ele conta que nunca viu sua mãe, ou seu pai, Antônio da Silva Lemes, que morreu há 14 anos, falarem um palavrão. “Já vi eles chorando por não terem o que colocar na panela. Agora, a gente ajuda e compartilha com quem precisa. Temos uma dívida com Deus”, encerra.

Benzimento segue por telefone na pandemia

Além da ajuda aos que precisam de alimentos e outras necessidades, a família Lemes presta auxílio espiritual em São Bernardo. A casa conta com duas benzedeiras: dona Cotinha, a matriarca, e a filha, Ana Maria Lemes, 66 anos, católica e devota de Nossa Senhora da Graça, que herdou esta missão de seu pai e realiza hoje em dia a maior parte do trabalho.

 É na residência onde vivem que o benzimento acontece, faça chuva ou sol, em uma sala ilustrada por imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora Aparecida e Preto Velho, por exemplo, entre outros. E dona Ana, como é carinhosamente conhecida, mesmo com a pandemia da Covid-19, segue atendendo, trabalho que realiza gratuitamente. 

 Agora, com a quarentena, o atendimento segue pelo telefone, forma que tem sido muito procurada neste momento, em que as pessoas buscam ficar em casa, isoladas. Segundo Benedito da Silva Lemes, irmão de Ana, cerca de 70 pessoas ligam diariamente em busca e auxílio. “Houve até quem ofereceu mais uma linha telefônica para a gente, mas não adianta”, brinca.

 Quando o atendimento precisa ser presencial, ela o faz, mas com distância segura e devidamente protegida. “Está tendo bastante movimento, benzo de longe, de máscara, as pessoas estão ficando bem. Gosto de fazer isso”, diz Ana. 

 Segundo a benzedeira, as pessoas dizem que estão com medo da doença. “Daí benzo, converso e dou conselhos também”, afirma. Segundo dona Ana, idosos e crianças têm prioridade no atendimento. 

 Dona Ana costumava ir aos hospitais para benzer as pessoas, geralmente a pedido de familiares. Agora, por causa da pandemia, não pode realizar a ação. Mas ela não deixa de ajudar. Reza por quem precisa, mesmo que a distância. “Faço a minha parte. E as pessoas ficam se sentindo bem”, comemora.



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Família se une para ajudar ao próximo

Tradicional em São Bernardo, dona Cotinha, 92 anos, realiza trabalho social incansável

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

27/06/2020 | 23:47


Do alto de seus 92 anos, Maria do Carmo Ribeiro Lemes, não se cansa de duas coisas. Uma é repartir alimento com quem tem fome. A outra é ter fé, em Deus, na vida e por tempos melhores. Carinhosamente conhecida como dona Cotinha, ela se mudou com a família de Cordislândia, no Sul de Minas Gerais, para São Bernardo no fim dos anos 1960. E da cidade do Grande ABC não saiu mais.

Ao longo da vida, dona Cotinha já viu diversos momentos difíceis da história do País, e até mesmo do mundo. Mas afirma nunca ter vivenciado nada tão grave e assustador como o que acontece agora, com a pandemia da Covid-19. Em busca de dias melhores, ela reza. “Este é o momento mais complicado que já vi”, assegura a senhora de fala calma e doce. Com toda a sabedoria que a vida lhe deu, se apega na oração. “Ela (prece) é poderosa, e tem que ser feita com fé, sem duvidar”, avisa.
E mesmo agora, diante da pandemia da Covid-19 que tem arrasado o País, dona Cotinha não se intimida e segue com o trabalho voluntário, claro, tomando todas as precauções necessárias e contando sempre com a ajuda dos oito filhos.

A família Lemes é muito conhecida no Parque São Bernardo – e também fora dele. Entre as várias ações que realizam, “sempre com as próprias mãos e a ajuda de quem Deus manda para sua porta”, como diz dona Cotinha, uma das mais prestigiadas é o almoço de Natal, que já chegou na 21ª edição e, no último ano, alimentou cerca de 5.000 moradores da região. “Tenho muita preocupação (com as pessoas). Se vem alguém na minha porta a gente reparte a comida”, comenta a veterana.

Benedito da Silva Lemes, 68, conhecido como Ditinho da Congada, é o filho mais velho de dona Cotinha. Ele explica que a porta da casa está à disposição para quem tem fome. A família arrecada alimentos como pode. E quem precisa, bate à porta. “Este trabalho acontece, independentemente da pandemia. Não podemos parar”, afirma. São cerca de 50 cestas básicas por mês que os Lemes angariam e repassam aos necessitados. Isso sem contar roupas, brinquedos, produtos de higiene e o que mais for possível.

As doações funcionam sem cadastro prévio das famílias que necessitam. Se precisar, basta chegar. Ditinho explica que a preocupação em não desperdiçar comida acontece tanto por parte de sua família, quanto de quem busca ajuda. “Tem gente que vem aqui precisando de arroz, pois ainda tem feijão em casa. Daí deixa o alimento para outra pessoa que necessita mais daquilo naquele momento”, conta Ditinho. “Minha mãe chegou a conclusão de que funciona melhor assim. Abrimos a cesta, pegamos o que a pessoa mais precisa. Quem precisar, é claro, leva tudo”, frisa.

José da Silva Lemes, 56, o Zé Neguinho, outro filho de Dona Cotinha, diz que com a pandemia, a casa, que sempre recebeu todo mundo, agora está com portão fechado por precaução. “Aqui em casa a maioria é idosa, mas as pessoas lá do lado de fora ainda precisam de nossa ajuda”, lamenta Zé Neguinho. Para ele, a gratidão em poder ajudar o próximo é algo que transborda. “A gente se sente feliz por fazer isso. E seria mais feliz ainda se ninguém precisasse ajuda”, reflete.

Ditinho pensa da mesma forma. Ele diz que uma vez lhe perguntaram o que eles ganham com todo este trabalho que desenvolvem. Na resposta, foi certeiro. “Nós já ganhamos. Somos em oito irmãos e nunca brigamos. Somos em 40 na família e todo mundo ajuda”. Ele conta que nunca viu sua mãe, ou seu pai, Antônio da Silva Lemes, que morreu há 14 anos, falarem um palavrão. “Já vi eles chorando por não terem o que colocar na panela. Agora, a gente ajuda e compartilha com quem precisa. Temos uma dívida com Deus”, encerra.

Benzimento segue por telefone na pandemia

Além da ajuda aos que precisam de alimentos e outras necessidades, a família Lemes presta auxílio espiritual em São Bernardo. A casa conta com duas benzedeiras: dona Cotinha, a matriarca, e a filha, Ana Maria Lemes, 66 anos, católica e devota de Nossa Senhora da Graça, que herdou esta missão de seu pai e realiza hoje em dia a maior parte do trabalho.

 É na residência onde vivem que o benzimento acontece, faça chuva ou sol, em uma sala ilustrada por imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora Aparecida e Preto Velho, por exemplo, entre outros. E dona Ana, como é carinhosamente conhecida, mesmo com a pandemia da Covid-19, segue atendendo, trabalho que realiza gratuitamente. 

 Agora, com a quarentena, o atendimento segue pelo telefone, forma que tem sido muito procurada neste momento, em que as pessoas buscam ficar em casa, isoladas. Segundo Benedito da Silva Lemes, irmão de Ana, cerca de 70 pessoas ligam diariamente em busca e auxílio. “Houve até quem ofereceu mais uma linha telefônica para a gente, mas não adianta”, brinca.

 Quando o atendimento precisa ser presencial, ela o faz, mas com distância segura e devidamente protegida. “Está tendo bastante movimento, benzo de longe, de máscara, as pessoas estão ficando bem. Gosto de fazer isso”, diz Ana. 

 Segundo a benzedeira, as pessoas dizem que estão com medo da doença. “Daí benzo, converso e dou conselhos também”, afirma. Segundo dona Ana, idosos e crianças têm prioridade no atendimento. 

 Dona Ana costumava ir aos hospitais para benzer as pessoas, geralmente a pedido de familiares. Agora, por causa da pandemia, não pode realizar a ação. Mas ela não deixa de ajudar. Reza por quem precisa, mesmo que a distância. “Faço a minha parte. E as pessoas ficam se sentindo bem”, comemora.

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