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Fanático é osso duro de roer


Rodolfo de Souza

21/05/2020 | 00:01


Sabe, não é de hoje que escrevo crônicas. Alguém até chegou a me perguntar um dia onde é que eu arrumo tanto assunto. Expliquei-lhe que assunto é o que não falta, o que pode escassear é inspiração para deitá-los com graça numa folha branca e irresistível como esta.

É compreensível, inclusive, que este escritor venha a se tornar repetitivo em algum momento, quando alguns temas que não podem esperar vêm lhe bater à porta. Tenho certeza, inclusive, que já andei desfolhando aqui o manual do fanatismo e a sua nefasta presença em nosso meio. 

Pois é. Dia destes vivi uma saia justa que me colocou de frente a um espécime da raça. Talvez o pior tipo, tendo em vista o fato de sempre lidarmos com fanáticos por artistas, por futebol, por doenças, religiosos, enfim, uma vasta e diversificada gama. Mas o sujeito, objeto desta conversa, é um fanático, digamos, não político, uma vez que nada entende do riscado. Serei mais preciso se descrevê-lo como um fanático por determinada liderança deste triste e cada vez mais sombrio rincão. Defende o ídolo com unhas e dentes, alterando a voz alguns decibéis acima do aconselhável para explicar o inexplicável.

E são tipos assim que eu tenho visto na TV e na internet. Refiro-me às aberrações que desfilam pelas avenidas em finais de semana, batendo bumbo contra o isolamento e na defesa de uma torpe figura a quem chamam de líder. São criaturas que carregam no coro a marca do obscurantismo, que levará à ruína uma sociedade já em convulsão.

De qualquer forma, quando me deparo com situação semelhante à que vivi, procuro ser empático e permitir que o oponente fale. Mesmo porque, é preciso entender que o outro tem direito a uma explanação a respeito daquilo que julga correto. E um sujeito como estes é normalmente áspero numa discussão, já que está vazia a sua gaveta de argumentos e, portanto, não tem como auxiliá-lo na defesa de sua ideia. Aliás, usa do expediente da ofensa gratuita, porque sabe que não dispõe de outra ferramenta para lidar com a questão. Chego a pensar que entra em conflito consigo mesmo, recusando-se a enxergar aquilo que está bem diante de seus olhos.

Mas ele, em algum instante da vida, jurou fidelidade ao déspota. O que há de se fazer? Provavelmente seu parco saber tenha se deixado levar pela conversa fiada que a mídia corporativa lhe impingiu durante considerável tempo. Talvez a vida toda. É assim que funciona, afinal. E é isso que faz do brasileiro a mais frágil criatura dentre todas as criaturas. Apesar de que, pensando bem, não deve ser privilégio desta imensa pátria a ignorância congênita. Exagero meu, admito. Por certo que há um sem fim de países atrasados mundo afora, que se somam ao Brasil nesse contexto. Mas a nossa querida e idolatrada terra é, sem sombra de dúvida, a maior, a que carrega a maior população, a que tem algum destaque internacional pela sua economia, arte, ciência... É bom parar por aqui. Entristece-me pensar na grandiosidade da nossa Pátria Tupinambá. Pobre dela, que anda jogada às traças!



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Fanático é osso duro de roer

Rodolfo de Souza

21/05/2020 | 00:01


Sabe, não é de hoje que escrevo crônicas. Alguém até chegou a me perguntar um dia onde é que eu arrumo tanto assunto. Expliquei-lhe que assunto é o que não falta, o que pode escassear é inspiração para deitá-los com graça numa folha branca e irresistível como esta.

É compreensível, inclusive, que este escritor venha a se tornar repetitivo em algum momento, quando alguns temas que não podem esperar vêm lhe bater à porta. Tenho certeza, inclusive, que já andei desfolhando aqui o manual do fanatismo e a sua nefasta presença em nosso meio. 

Pois é. Dia destes vivi uma saia justa que me colocou de frente a um espécime da raça. Talvez o pior tipo, tendo em vista o fato de sempre lidarmos com fanáticos por artistas, por futebol, por doenças, religiosos, enfim, uma vasta e diversificada gama. Mas o sujeito, objeto desta conversa, é um fanático, digamos, não político, uma vez que nada entende do riscado. Serei mais preciso se descrevê-lo como um fanático por determinada liderança deste triste e cada vez mais sombrio rincão. Defende o ídolo com unhas e dentes, alterando a voz alguns decibéis acima do aconselhável para explicar o inexplicável.

E são tipos assim que eu tenho visto na TV e na internet. Refiro-me às aberrações que desfilam pelas avenidas em finais de semana, batendo bumbo contra o isolamento e na defesa de uma torpe figura a quem chamam de líder. São criaturas que carregam no coro a marca do obscurantismo, que levará à ruína uma sociedade já em convulsão.

De qualquer forma, quando me deparo com situação semelhante à que vivi, procuro ser empático e permitir que o oponente fale. Mesmo porque, é preciso entender que o outro tem direito a uma explanação a respeito daquilo que julga correto. E um sujeito como estes é normalmente áspero numa discussão, já que está vazia a sua gaveta de argumentos e, portanto, não tem como auxiliá-lo na defesa de sua ideia. Aliás, usa do expediente da ofensa gratuita, porque sabe que não dispõe de outra ferramenta para lidar com a questão. Chego a pensar que entra em conflito consigo mesmo, recusando-se a enxergar aquilo que está bem diante de seus olhos.

Mas ele, em algum instante da vida, jurou fidelidade ao déspota. O que há de se fazer? Provavelmente seu parco saber tenha se deixado levar pela conversa fiada que a mídia corporativa lhe impingiu durante considerável tempo. Talvez a vida toda. É assim que funciona, afinal. E é isso que faz do brasileiro a mais frágil criatura dentre todas as criaturas. Apesar de que, pensando bem, não deve ser privilégio desta imensa pátria a ignorância congênita. Exagero meu, admito. Por certo que há um sem fim de países atrasados mundo afora, que se somam ao Brasil nesse contexto. Mas a nossa querida e idolatrada terra é, sem sombra de dúvida, a maior, a que carrega a maior população, a que tem algum destaque internacional pela sua economia, arte, ciência... É bom parar por aqui. Entristece-me pensar na grandiosidade da nossa Pátria Tupinambá. Pobre dela, que anda jogada às traças!

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