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Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Espaços que fomentam artista independente sofrem com falta de público e recursos


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

22/01/2020 | 00:02


O universo artístico do Grande ABC está triste e preocupado e isso não se refere apenas à situação caótica da cultura no âmbito nacional. Enquanto o Gambalaia Espaço de Artes e Convivência, um dos locais responsáveis por fomentar arte na região, tem futuro incerto a partir do da 31, a Casa da Lagartixa Preta, em funcionamento desde 2004, acaba de fechar. Ambas estão situadas em Santo André.

Prestes a completar uma década de existência e de fomento ao artista independente, o Gambalaia, encabeçado desde o início por Humberto Alex de Lima, segue com a programação até o fim do mês. A partir de 1º de fevereiro tudo é uma dúvida. O dono do prédio na Rua das Monções, onde está situado o acolhedor espaço, pediu o imóvel de volta. “Como estamos no início do ano, tivemos apenas que suspender alguns poucos agendamentos. Só não sei o tempo que vai demorar para retomar a atividade”, explica Alex.

A dificuldade, segundo o responsável, está no valor da locação de outros lugares. “Em locais mais próximos do Centro, os preços estão muito altos e não teremos retorno do investimento. Algumas pessoas já achavam que o Gambalaia era fora de mão”, explica.

O local sempre foi conhecido por abrigar exposições, poesias, saraus, música, teatro. A ideia de Alex foi criar projeto democrático verdadeiramente, sem burocracias ou filtros. “Ao longo destes dez anos o foco sempre foi a cultura na sua diversidade, sem apelos populares, sem seguir tendências, dando prioridade para o artista autoral e independente”, explica.

E como não segue modas, esbarra em algumas questões. Uma delas é a falta de público muitas vezes. “Não somos o modelo de ‘barzinhos e baladas’. Temos um propósito, um ideal”, diz. Ele cita ainda, como barreiras, falta de investimento da iniciativa privada e do poder público, além de burocracia para apresentar projetos.
Para o músico andreense Stefano Moliner, o Gambalaia é o local mais democrático de São Paulo. “Não me surpreendo se for do País, por um simples motivo: o Alex sempre abriu espaço para qualquer expressão artística, independentemente de qualquer critério e, inclusive, de seu próprio gosto.”

Ele acredita que espaços criados pela necessidade de alguém em promover arte, como no caso do Gambalaia e da Casa da Lagartixa Preta, “são as artérias por onde correm as expressões dos que promovem a cultura. Quando um destes espaços fecha, muitas vozes se calam, perdem força, a região perde identidade, o município murcha, fica sem personalidade, sem alma.”

A Casa da Lagartixa Preta, que fica no bairro Casa Branca, também devolveu o imóvel onde ficava. O espaço, que acolhia inclusive pessoas em situação de vulnerabilidade de moradia em eventos como oficinas, aulas, cursos, disse em comunicado na internet “que nos últimos dois anos, especialmente diante da crise político-econômica que o País tem vivido, temos enfrentado problemas devido à diminuição do número de membros do coletivo e a desmobilização das pessoas remanescentes”. Tudo isso dificultou a gestão da Casa e as reservas financeiras acabaram no fim do ano passado, o que impossibilitou a renovação de contrato de aluguel.

Cantora, professora de canto e escritora de Santo André Giselle Maria está preocupada. “Para mim foi um baque muito grande”, diz, sobre a Casa da Lagartixa e a incerteza com o Gambalaia, local que frequenta desde a abertura. “São lugares onde se fomenta arte e o artista. Onde há troca e compartilhamento muito grandes, onde os coletivos podem se encontrar.”

Ela explica que frequentou poucas vezes a Casa da Lagartixa Preta, mas conhece os envolvidos e o trabalho. “É muito triste, pois é espaço que exercita uma outra forma de lidar com a cultura. Ali ninguém ganha absolutamente nada. Todo mundo é voluntário. E o Gambalaia é uma dor muito grande. Para o artista, principalmente o independente, é muito complicado, pois são esses espaços que nos fortalecem. Não só a nossa arte, mas porque trocamos com outros artistas, consequentemente crescemos, e são esses lugares que temos como cerne, ponto de fomentação”, afirma.

Se depender do carinho dos artistas e da vontade de se criador, ao menos o Gambalaia segue. “A principio vai depender de achar um espaço e novos parceiros. Vamos ter fé”, encerra Alex. 



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Arte pede socorro

Espaços que fomentam artista independente sofrem com falta de público e recursos

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

22/01/2020 | 00:02


O universo artístico do Grande ABC está triste e preocupado e isso não se refere apenas à situação caótica da cultura no âmbito nacional. Enquanto o Gambalaia Espaço de Artes e Convivência, um dos locais responsáveis por fomentar arte na região, tem futuro incerto a partir do da 31, a Casa da Lagartixa Preta, em funcionamento desde 2004, acaba de fechar. Ambas estão situadas em Santo André.

Prestes a completar uma década de existência e de fomento ao artista independente, o Gambalaia, encabeçado desde o início por Humberto Alex de Lima, segue com a programação até o fim do mês. A partir de 1º de fevereiro tudo é uma dúvida. O dono do prédio na Rua das Monções, onde está situado o acolhedor espaço, pediu o imóvel de volta. “Como estamos no início do ano, tivemos apenas que suspender alguns poucos agendamentos. Só não sei o tempo que vai demorar para retomar a atividade”, explica Alex.

A dificuldade, segundo o responsável, está no valor da locação de outros lugares. “Em locais mais próximos do Centro, os preços estão muito altos e não teremos retorno do investimento. Algumas pessoas já achavam que o Gambalaia era fora de mão”, explica.

O local sempre foi conhecido por abrigar exposições, poesias, saraus, música, teatro. A ideia de Alex foi criar projeto democrático verdadeiramente, sem burocracias ou filtros. “Ao longo destes dez anos o foco sempre foi a cultura na sua diversidade, sem apelos populares, sem seguir tendências, dando prioridade para o artista autoral e independente”, explica.

E como não segue modas, esbarra em algumas questões. Uma delas é a falta de público muitas vezes. “Não somos o modelo de ‘barzinhos e baladas’. Temos um propósito, um ideal”, diz. Ele cita ainda, como barreiras, falta de investimento da iniciativa privada e do poder público, além de burocracia para apresentar projetos.
Para o músico andreense Stefano Moliner, o Gambalaia é o local mais democrático de São Paulo. “Não me surpreendo se for do País, por um simples motivo: o Alex sempre abriu espaço para qualquer expressão artística, independentemente de qualquer critério e, inclusive, de seu próprio gosto.”

Ele acredita que espaços criados pela necessidade de alguém em promover arte, como no caso do Gambalaia e da Casa da Lagartixa Preta, “são as artérias por onde correm as expressões dos que promovem a cultura. Quando um destes espaços fecha, muitas vozes se calam, perdem força, a região perde identidade, o município murcha, fica sem personalidade, sem alma.”

A Casa da Lagartixa Preta, que fica no bairro Casa Branca, também devolveu o imóvel onde ficava. O espaço, que acolhia inclusive pessoas em situação de vulnerabilidade de moradia em eventos como oficinas, aulas, cursos, disse em comunicado na internet “que nos últimos dois anos, especialmente diante da crise político-econômica que o País tem vivido, temos enfrentado problemas devido à diminuição do número de membros do coletivo e a desmobilização das pessoas remanescentes”. Tudo isso dificultou a gestão da Casa e as reservas financeiras acabaram no fim do ano passado, o que impossibilitou a renovação de contrato de aluguel.

Cantora, professora de canto e escritora de Santo André Giselle Maria está preocupada. “Para mim foi um baque muito grande”, diz, sobre a Casa da Lagartixa e a incerteza com o Gambalaia, local que frequenta desde a abertura. “São lugares onde se fomenta arte e o artista. Onde há troca e compartilhamento muito grandes, onde os coletivos podem se encontrar.”

Ela explica que frequentou poucas vezes a Casa da Lagartixa Preta, mas conhece os envolvidos e o trabalho. “É muito triste, pois é espaço que exercita uma outra forma de lidar com a cultura. Ali ninguém ganha absolutamente nada. Todo mundo é voluntário. E o Gambalaia é uma dor muito grande. Para o artista, principalmente o independente, é muito complicado, pois são esses espaços que nos fortalecem. Não só a nossa arte, mas porque trocamos com outros artistas, consequentemente crescemos, e são esses lugares que temos como cerne, ponto de fomentação”, afirma.

Se depender do carinho dos artistas e da vontade de se criador, ao menos o Gambalaia segue. “A principio vai depender de achar um espaço e novos parceiros. Vamos ter fé”, encerra Alex. 

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