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Quedas de raios no Grande ABC mais que dobram em 2019

Fotos Públicas Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Para especialistas, temperaturas elevadas são responsáveis; região tem incidência grande do fenômeno


Flávia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

31/10/2019 | 07:00


O número de raios que caíram na região mais do que dobrou de janeiro a outubro em comparação com os 12 meses do ano passado, subindo de 5.174 para 12.399. Na avaliação de especialistas, as temperaturas médias mais elevadas ocasionaram o aumento de tempestades e, consequentemente, da incidência das descargas elétricas. Os dados são do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e foram levantados a pedido do Diário.

Para se ter ideia, conforme pesquisa mensal do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), a temperatura média no mês passado foi de 23,6 °C, enquanto em setembro de 2018 foi de 20,5 °C – 3,1 °C menos. “Nos últimos dois anos, o Grande ABC não sofreu com fatores externos, como a temperatura dos oceanos, portanto, é uma questão local”, explica Osmar Pinto Júnior, coordenador do Elat.

“Este resultado está associado às mudanças climáticas extremas que estamos passando”, completa Mario Longato, gestor da Escola Politécnica da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). Exemplo foram as tempestades acompanhadas de rajadas de vento que atingiram a região no início do ano, resultando em dez mortes, no desabamento de parte do teto da universidade e outros transtornos, principalmente em Santo André, São Bernardo e São Caetano. 

O Grande ABC figura entre as regiões do Estado com maior incidência de raios, classificada como de frequência muito alta. Segundo Júnior, um dos fatores que justificam é a presença de ilhas de calor em razão da saturação da urbanização, ou seja, alta concentração de asfalto e concreto das construções agravada pela falta de áreas verdes e pela poluição, ocasionando aumento das temperaturas.

Por sua vez, Longato avalia que a proximidade com o Litoral paulista, que envia massas de ar do oceano para a região, e a presença da Represa Billings, impactam diretamente na quantidade de nuvens e na formação das descargas elétricas nas sete cidades. Vale lembrar que os raios são mais comuns durante a primavera e o verão – neste ano, a previsão é a de que a média de tempestades seja similar à temporada passada, dado que não há influência dos fenômenos El Niño e La Niña. 

INCIDÊNCIA

O município que recebeu a maior quantidade de descargas elétricas no período foi São Bernardo, com 6.160 registros, ante 1.720 em 2018. Além da urbanização que torna o clima mais quente, a maior extensão territorial em comparação às demais cidades da região faz o número disparar, aponta Longato.

Em seguida, Santo André teve 2.670 casos, depois Ribeirão Pires (1.336), Mauá (770), Diadema (566), Rio Grande da Serra (520) e São Caetano (377). 

Lugares altos costumam atrair o fenômeno

Quando há a formação de raios em determinada região, eles tendem a cair em lugares mais altos, tais como árvores e prédios, que atraem o fenômeno. Portanto, a recomendação é evitar ficar no topo destes lugares durante tempestades. Pelo mesmo motivo, o Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), recomenda evitar o uso de objetos metálicos longos, caso esteja na rua, assim como empinar pipas e aeromodelos com fio. A orientação é sempre buscar abrigo.

Se estiver dentro de casa, o ideal é evitar o uso de telefones fixo, além de permanecer longe de tomadas e canos, janelas e portas metálicas e tocar equipamentos ligados à rede elétrica.

Para reduzir as chances de danos aos aparelhos conectados à energia, opção é utilizar protetor contra surtos. A instalação de para-raios nas residências é recomendada apenas quando a probabilidade do imóvel ser atingido for grande.

Cuidados são necessários, já que 80% das mortes causadas por descargas elétricas poderiam ter sido evitadas caso as pessoas soubessem como se proteger, afirma o Elat. O País é campeão na incidência do fenômeno e, a cada 50 mortes por raio no mundo, uma é em solo brasileiro. 



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Quedas de raios no Grande ABC mais que dobram em 2019

Para especialistas, temperaturas elevadas são responsáveis; região tem incidência grande do fenômeno

Flávia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

31/10/2019 | 07:00


O número de raios que caíram na região mais do que dobrou de janeiro a outubro em comparação com os 12 meses do ano passado, subindo de 5.174 para 12.399. Na avaliação de especialistas, as temperaturas médias mais elevadas ocasionaram o aumento de tempestades e, consequentemente, da incidência das descargas elétricas. Os dados são do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e foram levantados a pedido do Diário.

Para se ter ideia, conforme pesquisa mensal do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), a temperatura média no mês passado foi de 23,6 °C, enquanto em setembro de 2018 foi de 20,5 °C – 3,1 °C menos. “Nos últimos dois anos, o Grande ABC não sofreu com fatores externos, como a temperatura dos oceanos, portanto, é uma questão local”, explica Osmar Pinto Júnior, coordenador do Elat.

“Este resultado está associado às mudanças climáticas extremas que estamos passando”, completa Mario Longato, gestor da Escola Politécnica da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). Exemplo foram as tempestades acompanhadas de rajadas de vento que atingiram a região no início do ano, resultando em dez mortes, no desabamento de parte do teto da universidade e outros transtornos, principalmente em Santo André, São Bernardo e São Caetano. 

O Grande ABC figura entre as regiões do Estado com maior incidência de raios, classificada como de frequência muito alta. Segundo Júnior, um dos fatores que justificam é a presença de ilhas de calor em razão da saturação da urbanização, ou seja, alta concentração de asfalto e concreto das construções agravada pela falta de áreas verdes e pela poluição, ocasionando aumento das temperaturas.

Por sua vez, Longato avalia que a proximidade com o Litoral paulista, que envia massas de ar do oceano para a região, e a presença da Represa Billings, impactam diretamente na quantidade de nuvens e na formação das descargas elétricas nas sete cidades. Vale lembrar que os raios são mais comuns durante a primavera e o verão – neste ano, a previsão é a de que a média de tempestades seja similar à temporada passada, dado que não há influência dos fenômenos El Niño e La Niña. 

INCIDÊNCIA

O município que recebeu a maior quantidade de descargas elétricas no período foi São Bernardo, com 6.160 registros, ante 1.720 em 2018. Além da urbanização que torna o clima mais quente, a maior extensão territorial em comparação às demais cidades da região faz o número disparar, aponta Longato.

Em seguida, Santo André teve 2.670 casos, depois Ribeirão Pires (1.336), Mauá (770), Diadema (566), Rio Grande da Serra (520) e São Caetano (377). 

Lugares altos costumam atrair o fenômeno

Quando há a formação de raios em determinada região, eles tendem a cair em lugares mais altos, tais como árvores e prédios, que atraem o fenômeno. Portanto, a recomendação é evitar ficar no topo destes lugares durante tempestades. Pelo mesmo motivo, o Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), recomenda evitar o uso de objetos metálicos longos, caso esteja na rua, assim como empinar pipas e aeromodelos com fio. A orientação é sempre buscar abrigo.

Se estiver dentro de casa, o ideal é evitar o uso de telefones fixo, além de permanecer longe de tomadas e canos, janelas e portas metálicas e tocar equipamentos ligados à rede elétrica.

Para reduzir as chances de danos aos aparelhos conectados à energia, opção é utilizar protetor contra surtos. A instalação de para-raios nas residências é recomendada apenas quando a probabilidade do imóvel ser atingido for grande.

Cuidados são necessários, já que 80% das mortes causadas por descargas elétricas poderiam ter sido evitadas caso as pessoas soubessem como se proteger, afirma o Elat. O País é campeão na incidência do fenômeno e, a cada 50 mortes por raio no mundo, uma é em solo brasileiro. 

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