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Estância usou ambulância irregular


Roney Domingos
Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

04/10/2005 | 08:18


A Central de Ambulâncias – responsável pelo atendimento médico no Estância Alto da Serra, em São Bernardo, durante a festa Metôfolia, dia 24 – funciona de forma irregular há dois anos. É da empresa a equipe que prestou o primeiro atendimento ao estudante Rafael Rogério Dourado, 16 anos, que morreu vítima de traumatismo craniano ao sofrer uma queda na estrada Velha, a 150 metros do Estância, de onde acabara de sair.

A microempresária Mauricéia Amaro de Araújo apresenta-se como única dona da empresa, mas não lembra sequer o número do CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica). Ela nega falhas no socorro ao garoto e afirma que o serviço médico contratado – nove profissionais e duas ambulâncias – mostrou-se inferior à demanda, já que cerca de 10 mil pessoas participavam do evento.

Mauricéia afirma que em vez de um ambulatório, transformado por ela improvisadamente em dois locais de atendimento, deveriam haver quatro ambulatórios no local. Na equipe da Central de Ambulâncias havia um médico, do qual ela não lembra o registro profissional e cinco atendentes de enfermagem. A equipe que atendeu Rafael tinha três pessoas: auxiliar-bombeiro, médico e técnico de enfermagem.

Rafael foi atendido por uma equipe com três profissionais (médico, atendente de enfermagem e bombeiro) em ambulância embarcada numa van Mercedes-Benz Sprinter ano 1999, que, segundo Mauricéia, respondeu ao chamando por rádio em "cinco ou oito minutos". Ela conta que no momento do aviso, ao final do evento, a ambulância estava desmontada para retornar à garagem, mas ainda tinha todos os equipamentos necessários ao socorro. "A falha não foi da equipe médica. A quantidade de pessoas que a Estância pediu foi mandado (sic). Agora se veio mais público do que suportava, então, a responsabilidade (é deles), que tinham de ter pedido mais reforço em toda a parte da segurança, bombeiro, enfermagem, médico e ambulância."

Diante da afirmação de testemunhas de que o atendimento médico local demorou pelo menos 20 minutos, Mauricéia afirma que, assim que acionada por um dos seguranças, a equipe deslocou-se rapidamente, apesar da distância, segundo ela de 800 metros e do grande número de pessoas em circulação. Também disse que havia sim balões de oxigênio dentro da ambulância, embora não tenha sido possível utilizar o equipamento. Ela e o bombeiro Walmir Macedo Silva afirmaram que a boca e o nariz do rapaz tinham secreção em excesso.

Sem sede própria, a Central existe há dois anos, mas funcionava provisoriamente dentro da clínica "Equilíbrio" no bairro da Mooca, em São Paulo, interditada sexta-feira pela vigilância sanitária. A Central aluga equipamentos e contrata equipes profissionais para cobrir eventos e, há um ano, trabalha "de vez em quando" para o Estância. "A gente tenta reestruturar e fazer as coisas serem direitinho. O pessoal quer ver papel e acaba dificultando as coisas. Estamos trabalhando para regularizar tudo o que é preciso. Para não ter esses problemas." A Covisa (Coordenação de Vigilância e Saúde) da Prefeitura de São Paulo fechou o local onde funcionava a empresa devido à falta da documentação necessária e do alvará de funcionamento.

Mauricéia afirma que tem licença do Coren (Conselho Regional de Enfermagem) e "firma aberta", mas não quis mencionar os documentos que faltam para formalizar a empresa. "Estou com dificuldades junto à Prefeitura de São Paulo. Não estou trabalhando com a firma. Estou tentando pedir documentação e não sei porque demoram tanto. A firma não atua", afirmou.

O chefe da fiscalização do Coren, Cláudio Porto, afirma que não existe nenhuma empresa chamada Central de Ambulâncias em seu cadastro. Ele afirma que as empresas precisam procurar o conselho, se inscrever e sofrer vistoria, fato que não aconteceu com a Central de Ambulâncias. Profissionais que trabalham para essas empresas podem responder a processo ético. Ele diz ainda que é comum empresas irregulares usarem os serviços de técnicos e auxiliares de enfermagem ao invés de enfermeiros, devido ao custo menor desses profissionais. "O problema é que o preparo deles não é o mesmo."

O Estância Alto da Serra afirma que nada sabia sobre a situação irregular da empresa. Informa que, se soubesse, não teria realizado tal contratação. Já a Polícia informou que se manifestará sobre o fato de a Central de Ambulâncias estar atuando de forma irregular somente após ouvir os responsáveis pela empresa.



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