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Aspectos sociais para o desenvolvimento


Alexandre Borbely

10/08/2019 | 07:00


Em 25 de agosto de 2018 publicamos texto neste Desvendando a Economia denominado ‘Brasil, o País do futuro? Será?’ Foram coautores três ex-alunos (Anderson Dos Santos, Ângelo Grasino e Thiago Farias), já formados em ciências econômicas pela nossa universidade e bem colocados no mercado de trabalho. ‘Brasil, o País do futuro?’ surgiu da ideia de que nossos avós já falavam isso no passado e, após algumas gerações, a sociedade não viu, em termos de prosperidade econômica, o futuro chegar. Na época da publicação neste Diário abordamos série histórica de informações que tratavam sobre o crescimento econômico brasileiro desde a década de 1970. Elencamos os principais aspectos que contribuíram para a expansão da economia em cada período.

Pudemos observar que tal crescimento não chegou para quem mais necessitava. Ou seja, eram apenas números sobre a alta da atividade produtiva do País. A sociedade não obteve o retorno desse aumento da produção agregada de cada período na melhoria do seu bem-estar.

Um dos aspectos que abordamos sobre crescimento econômico refere-se ao baixo nível de produtividade do País. Muitos confundem produtividade com produção. São diferentes. A produtividade tem como objetivo alcançar a máxima produção no menor tempo possível e com baixo custo. Para tanto, é necessário que recursos produtivos sejam utilizados de maneira eficiente. Dentre tais recursos destaca-se o fator mão de obra. A baixa produtividade deste fator está diretamente associada à má qualificação profissional e isso ocorre, por exemplo, por conta da baixa formação escolar. País como o Brasil necessita investir muito em educação. Cortar recursos deste segmento significa não permitir que a indústria se desenvolva. Nosso País necessita produzir a própria tecnologia. Dessa forma, nos tornaremos mais independentes em termos econômicos em relação aos países mais desenvolvidos. Para que isso aconteça, investimento em educação é primordial.

Alguns avanços puderam ser observados por meio das políticas sociais realizadas entre meados da década de 1990 e primeira década dos anos 2000. Podemos destacar o aumento dos anos de estudos de nossas crianças, adolescentes e jovens, assim como a maior quantidade de alunos matriculados nas escolas. Por si só, os investimentos realizados nas políticas sociais atreladas à educação contribuíram, mesmo que de maneira modesta, para redução do nível de pobreza e, consequentemente, para redução da desigualdade social. No entanto, falta muito para o Brasil atingir níveis de países desenvolvidos.

Recentemente ouvimos que “não há fome no Brasil”. Infelizmente, grande equívoco. Temos institutos que fazem pesquisas, como, por exemplo, o Mapa da Fome, que constata que muitos brasileiros passam fome, sim. Essa realidade pode ser observada nas merendas das escolas, muitas vezes a única refeição da criança na família. Tal problemática também contribui para os baixos níveis de produtividade de nossa mão de obra.

O problema da fome no Brasil não é de hoje. Vale ressaltar que em pleno período do ‘milagre econômico brasileiro’ da década de 1970 mais de 50% dos trabalhadores ganhavam até um salário mínimo. Para não aprofundar esta questão, é melhor deixar de lado o arrocho salarial e a inflação do período, que corroía o poder de compra do trabalhador.

Outro grande problema divulgado na mídia nos últimos dias refere-se ao saneamento básico. No Brasil, praticamente 50% da água não é tratada. Quando nos deparamos com tratamento de esgoto, os números são alarmantes. Em muitas cidades brasileiras o esgoto corre a céu aberto. Nos últimos anos, os investimentos nestes segmentos foram reduzidos. Os dados são comparáveis a países da África Subsaariana. A falta de tratamento do esgoto repercute diretamente na saúde. Doenças são transmitidas à população que mais carece de atenção. Infelizmente, este fato afeta a atividade escolar das crianças que vivem nestas regiões, assim como o trabalhador.

Além disso, está em discussão a possibilidade de construir novo autódromo no Rio de Janeiro para que seja o novo palco da Fórmula 1. Mas já existe espaço para esse evento no Brasil. Seria esta a prioridade para um momento tão delicado? Estes recursos poderiam ser destinados para saneamento básico, infraestrutura, sistema de logística (como bem lembravam nossos ex-alunos) ou ainda para construção de casas à população de baixa renda. Isso geraria mais empregos.

Muitos podem imaginar que os recursos financeiros do setor público são insuficientes para resolver todos os problemas do Brasil. De fato, apesar da alta carga tributária que incide sobre os agentes econômicos, não é suficiente. No entanto, o maior problema não está na arrecadação, e sim nos gastos públicos. O Estado brasileiro gasta muito, e gasta mal. Elencar prioridades é essencial na gestão dos recursos públicos. Ainda não sabemos quais são as prioridades do atual governo.

Erradicar a fome, a pobreza e o analfabetismo, melhorar a capacidade produtiva do País, dentre outros aspectos de cunho social e produtivo, não parecem ser prioridades para os próximos anos. Estes aspectos são essenciais para o desenvolvimento econômico brasileiro.

Afinal, o Brasil será o País do futuro? 



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Aspectos sociais para o desenvolvimento

Alexandre Borbely

10/08/2019 | 07:00


Em 25 de agosto de 2018 publicamos texto neste Desvendando a Economia denominado ‘Brasil, o País do futuro? Será?’ Foram coautores três ex-alunos (Anderson Dos Santos, Ângelo Grasino e Thiago Farias), já formados em ciências econômicas pela nossa universidade e bem colocados no mercado de trabalho. ‘Brasil, o País do futuro?’ surgiu da ideia de que nossos avós já falavam isso no passado e, após algumas gerações, a sociedade não viu, em termos de prosperidade econômica, o futuro chegar. Na época da publicação neste Diário abordamos série histórica de informações que tratavam sobre o crescimento econômico brasileiro desde a década de 1970. Elencamos os principais aspectos que contribuíram para a expansão da economia em cada período.

Pudemos observar que tal crescimento não chegou para quem mais necessitava. Ou seja, eram apenas números sobre a alta da atividade produtiva do País. A sociedade não obteve o retorno desse aumento da produção agregada de cada período na melhoria do seu bem-estar.

Um dos aspectos que abordamos sobre crescimento econômico refere-se ao baixo nível de produtividade do País. Muitos confundem produtividade com produção. São diferentes. A produtividade tem como objetivo alcançar a máxima produção no menor tempo possível e com baixo custo. Para tanto, é necessário que recursos produtivos sejam utilizados de maneira eficiente. Dentre tais recursos destaca-se o fator mão de obra. A baixa produtividade deste fator está diretamente associada à má qualificação profissional e isso ocorre, por exemplo, por conta da baixa formação escolar. País como o Brasil necessita investir muito em educação. Cortar recursos deste segmento significa não permitir que a indústria se desenvolva. Nosso País necessita produzir a própria tecnologia. Dessa forma, nos tornaremos mais independentes em termos econômicos em relação aos países mais desenvolvidos. Para que isso aconteça, investimento em educação é primordial.

Alguns avanços puderam ser observados por meio das políticas sociais realizadas entre meados da década de 1990 e primeira década dos anos 2000. Podemos destacar o aumento dos anos de estudos de nossas crianças, adolescentes e jovens, assim como a maior quantidade de alunos matriculados nas escolas. Por si só, os investimentos realizados nas políticas sociais atreladas à educação contribuíram, mesmo que de maneira modesta, para redução do nível de pobreza e, consequentemente, para redução da desigualdade social. No entanto, falta muito para o Brasil atingir níveis de países desenvolvidos.

Recentemente ouvimos que “não há fome no Brasil”. Infelizmente, grande equívoco. Temos institutos que fazem pesquisas, como, por exemplo, o Mapa da Fome, que constata que muitos brasileiros passam fome, sim. Essa realidade pode ser observada nas merendas das escolas, muitas vezes a única refeição da criança na família. Tal problemática também contribui para os baixos níveis de produtividade de nossa mão de obra.

O problema da fome no Brasil não é de hoje. Vale ressaltar que em pleno período do ‘milagre econômico brasileiro’ da década de 1970 mais de 50% dos trabalhadores ganhavam até um salário mínimo. Para não aprofundar esta questão, é melhor deixar de lado o arrocho salarial e a inflação do período, que corroía o poder de compra do trabalhador.

Outro grande problema divulgado na mídia nos últimos dias refere-se ao saneamento básico. No Brasil, praticamente 50% da água não é tratada. Quando nos deparamos com tratamento de esgoto, os números são alarmantes. Em muitas cidades brasileiras o esgoto corre a céu aberto. Nos últimos anos, os investimentos nestes segmentos foram reduzidos. Os dados são comparáveis a países da África Subsaariana. A falta de tratamento do esgoto repercute diretamente na saúde. Doenças são transmitidas à população que mais carece de atenção. Infelizmente, este fato afeta a atividade escolar das crianças que vivem nestas regiões, assim como o trabalhador.

Além disso, está em discussão a possibilidade de construir novo autódromo no Rio de Janeiro para que seja o novo palco da Fórmula 1. Mas já existe espaço para esse evento no Brasil. Seria esta a prioridade para um momento tão delicado? Estes recursos poderiam ser destinados para saneamento básico, infraestrutura, sistema de logística (como bem lembravam nossos ex-alunos) ou ainda para construção de casas à população de baixa renda. Isso geraria mais empregos.

Muitos podem imaginar que os recursos financeiros do setor público são insuficientes para resolver todos os problemas do Brasil. De fato, apesar da alta carga tributária que incide sobre os agentes econômicos, não é suficiente. No entanto, o maior problema não está na arrecadação, e sim nos gastos públicos. O Estado brasileiro gasta muito, e gasta mal. Elencar prioridades é essencial na gestão dos recursos públicos. Ainda não sabemos quais são as prioridades do atual governo.

Erradicar a fome, a pobreza e o analfabetismo, melhorar a capacidade produtiva do País, dentre outros aspectos de cunho social e produtivo, não parecem ser prioridades para os próximos anos. Estes aspectos são essenciais para o desenvolvimento econômico brasileiro.

Afinal, o Brasil será o País do futuro? 

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