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Região, aeroporto e desenvolvimento


Volney Gouveia
Lucio Freitas*

07/06/2019 | 07:20


Nos últimos meses, o Observatório da USCS tem publicado trabalhos sobre a implantação de novo aeroporto no Grande ABC no contexto de esgotamento da capacidade aeroportuária dos dois principais aeroportos da Região Metropolitana (Congonhas e Guarulhos). Tal iniciativa tem se juntado a importantes movimentos na região, como o projeto da nova linha do Metrô, ligando o Grande ABC à Capital; a instalação da fábrica de componentes aeronáuticos SAM (Saab Aeronáutica Montagens) em São Bernardo, o pioneiro curso de ciências aeronáuticas da USCS e a recente polêmica envolvendo a suspensão das operações da fábrica da Ford. A reconfiguração da utilização dos espaços regionais e a necessidade de se criar oportunidades de produção, emprego e renda exigem olhar mais estratégico para a região e para os desafios que lhe são impostos.

Aeroporto exerce importante papel na dinâmica do comércio global e local, pois, ao conectar pessoas e viabilizar os fluxos de mercadorias e serviços, integra a cadeia de suprimentos e se constitui em importante ‘porta de entrada’ para os corredores de comércio. Como apontam alguns autores, o ritmo acelerado das transações econômicas globais tornou o aeroporto um ímã, que passou a agregar conjunto de atividades de entrada e saída de recursos produtivos. Esta característica vem ao encontro das potencialidades do Grande ABC, razão pela qual identificar os efeitos econômicos promovidos por novo sítio aeroportuário na região se torna pertinente.

Especialistas ressaltam a importância da infraestrutura para o desenvolvimento e crescimento econômico de uma região na medida em que elimina custos imputados às empresas quando a infraestrutura é precária ou inexistente. A ampliação da infraestrutura elimina custos extras e evita que os produtores, públicos ou privados, incorram em perda de eficiência, pois estes deixam de deslocar recursos indevidamente. Ainda segundo o autor, o aprimoramento da infraestrutura produtiva promove impulsos relevantes no nível de competitividade de uma região e melhora o seu engajamento nos fluxos internacionais de comércio, o que coloca o aeroporto particularmente em papel central.

A mais recente matriz de insumo-produto brasileira, juntamente com as tabelas de recursos e usos, calculadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para o ano de 2015, permitem conhecer um pouco mais sobre o setor de transporte aéreo e seus impactos sobre o conjunto da economia e sobre cada um dos demais setores produtivos. O setor gerou 56.660 ocupações e, quando considerados os multiplicadores da análise de insumo-produto, observa-se que para cada emprego criado no transporte aéreo, 4,5 o são para o conjunto da economia. Assim, para estimar os efeitos de emprego e renda da instalação de um aeroporto no Grande ABC tomou-se como referência o aeroporto de Congonhas, São Paulo, com potencial para movimentar 17 milhões de passageiros/ano e o projeto do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, Rio Grande do Norte, inaugurado em 2014 para atender a 6,2 milhões de passageiros. As estimativas de custos de implantação e operação foram obtidas da Aeroservice-BNDES (2010), e atualizados pelo INCC e IPCA até 2018. Tais valores também foram ajustados linearmente conforme a capacidade operacional proposta para o empreendimento no Grande ABC, por hipótese: a metade do projeto original, isto é, 10 milhões de passageiros e 20 mil toneladas de carga, operando apenas com uma pista de pouso e decolagem (primeira fase).

O investimento inicial para a construção de um aeroporto em São Bernardo, estimado em R$ 649 milhões, teria impacto superior a R$ 1,1 bilhão na economia e geraria algo próximo a 13 mil empregos diretos e indiretos, apenas para a instalação do aeroporto, sobretudo na atividade de construção civil. Já a manutenção do aeroporto é estimada em R$ 34 milhões por ano, gerando ao longo da cadeira produtiva R$ 53,7 milhões por ano e geração de mais 306 postos de trabalho. Quanto à operação do aeroporto, estima-se um valor investido de R$ 312,5 milhões, que, por sua vez, geraria na economia um impacto de R$ 580 milhões e um total de 2.200 empregos. Assim, a estimativa total de valor investido estaria próximo de R$ 1 bilhão (construção, manutenção e operação), com geração de 15,5 mil novos empregos e impacto econômico total de R$ 1,7 bilhão. Isso ressalta a relevância do investimento, que contribuirá para ampliar o protagonismo econômico da região em âmbitos regional e nacional.


* Economistas e pesquisadores do Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). 



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Região, aeroporto e desenvolvimento

Volney Gouveia
Lucio Freitas*

07/06/2019 | 07:20


Nos últimos meses, o Observatório da USCS tem publicado trabalhos sobre a implantação de novo aeroporto no Grande ABC no contexto de esgotamento da capacidade aeroportuária dos dois principais aeroportos da Região Metropolitana (Congonhas e Guarulhos). Tal iniciativa tem se juntado a importantes movimentos na região, como o projeto da nova linha do Metrô, ligando o Grande ABC à Capital; a instalação da fábrica de componentes aeronáuticos SAM (Saab Aeronáutica Montagens) em São Bernardo, o pioneiro curso de ciências aeronáuticas da USCS e a recente polêmica envolvendo a suspensão das operações da fábrica da Ford. A reconfiguração da utilização dos espaços regionais e a necessidade de se criar oportunidades de produção, emprego e renda exigem olhar mais estratégico para a região e para os desafios que lhe são impostos.

Aeroporto exerce importante papel na dinâmica do comércio global e local, pois, ao conectar pessoas e viabilizar os fluxos de mercadorias e serviços, integra a cadeia de suprimentos e se constitui em importante ‘porta de entrada’ para os corredores de comércio. Como apontam alguns autores, o ritmo acelerado das transações econômicas globais tornou o aeroporto um ímã, que passou a agregar conjunto de atividades de entrada e saída de recursos produtivos. Esta característica vem ao encontro das potencialidades do Grande ABC, razão pela qual identificar os efeitos econômicos promovidos por novo sítio aeroportuário na região se torna pertinente.

Especialistas ressaltam a importância da infraestrutura para o desenvolvimento e crescimento econômico de uma região na medida em que elimina custos imputados às empresas quando a infraestrutura é precária ou inexistente. A ampliação da infraestrutura elimina custos extras e evita que os produtores, públicos ou privados, incorram em perda de eficiência, pois estes deixam de deslocar recursos indevidamente. Ainda segundo o autor, o aprimoramento da infraestrutura produtiva promove impulsos relevantes no nível de competitividade de uma região e melhora o seu engajamento nos fluxos internacionais de comércio, o que coloca o aeroporto particularmente em papel central.

A mais recente matriz de insumo-produto brasileira, juntamente com as tabelas de recursos e usos, calculadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para o ano de 2015, permitem conhecer um pouco mais sobre o setor de transporte aéreo e seus impactos sobre o conjunto da economia e sobre cada um dos demais setores produtivos. O setor gerou 56.660 ocupações e, quando considerados os multiplicadores da análise de insumo-produto, observa-se que para cada emprego criado no transporte aéreo, 4,5 o são para o conjunto da economia. Assim, para estimar os efeitos de emprego e renda da instalação de um aeroporto no Grande ABC tomou-se como referência o aeroporto de Congonhas, São Paulo, com potencial para movimentar 17 milhões de passageiros/ano e o projeto do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, Rio Grande do Norte, inaugurado em 2014 para atender a 6,2 milhões de passageiros. As estimativas de custos de implantação e operação foram obtidas da Aeroservice-BNDES (2010), e atualizados pelo INCC e IPCA até 2018. Tais valores também foram ajustados linearmente conforme a capacidade operacional proposta para o empreendimento no Grande ABC, por hipótese: a metade do projeto original, isto é, 10 milhões de passageiros e 20 mil toneladas de carga, operando apenas com uma pista de pouso e decolagem (primeira fase).

O investimento inicial para a construção de um aeroporto em São Bernardo, estimado em R$ 649 milhões, teria impacto superior a R$ 1,1 bilhão na economia e geraria algo próximo a 13 mil empregos diretos e indiretos, apenas para a instalação do aeroporto, sobretudo na atividade de construção civil. Já a manutenção do aeroporto é estimada em R$ 34 milhões por ano, gerando ao longo da cadeira produtiva R$ 53,7 milhões por ano e geração de mais 306 postos de trabalho. Quanto à operação do aeroporto, estima-se um valor investido de R$ 312,5 milhões, que, por sua vez, geraria na economia um impacto de R$ 580 milhões e um total de 2.200 empregos. Assim, a estimativa total de valor investido estaria próximo de R$ 1 bilhão (construção, manutenção e operação), com geração de 15,5 mil novos empregos e impacto econômico total de R$ 1,7 bilhão. Isso ressalta a relevância do investimento, que contribuirá para ampliar o protagonismo econômico da região em âmbitos regional e nacional.


* Economistas e pesquisadores do Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). 

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