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Palavras e desenhos de apoio

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Alunos de colégio de Santo André enviam cartas para habitantes de Brumadinho, em Minas Gerais


Luís Felipe Soares
Diário do Grande ABC

10/03/2019 | 07:00


 É nos momentos mais difíceis que o sentimento de apoio ao próximo se mostra importante. Segundo o dicionário, a palavra compaixão remete a ‘pesar que nos causa o sofrimento de outrem (outra pessoa)’, ou seja, sentir piedade dos problemas vivenciados por alguém. Foi justamente para trabalhar essas ideias entre crianças que o Jornal Joca, com noticiário para o público infantojuvenil, começou a recolher cartas de apoio a estudantes mirins e bombeiros que sobreviveram ao caos vivido em Brumadinho, em Minas Gerais. Em janeiro, uma barragem estourou no local e o fato foi considerado a maior tragédia socioambiental do País. Escolas de todo o Brasil fizeram parte do projeto especial.

O Colégio Stocco, de Santo André, enviou, em fevereiro, cerca de 300 documentos escritos e ilustrados feitos por alunos do infantil até estudantes do 9° ano do ensino fundamental. Algumas já foram entregues e outras ainda serão levadas neste mês. “Você saber que as pessoas de lá perderam as casas, roupas e comidas é bem triste. Escrever uma carta para esses sobreviventes pode ajudar o pessoal a tentar se animar e para continuarem suas vidas da melhor forma possível”, explica Carolina Souza Bueno, 9 anos. Ela confessa que ainda está impressionada com a irresponsabilidade dos ‘donos’ da barragem. “Parecem não se importar com tudo o que aconteceu.”

Os participantes estiveram envolvidos em atividades que fizeram com que os alunos tivessem visão completa sobre o assunto, como causas, efeitos, conscientização, impactos e apontamento de vítimas e responsáveis pela tragédia.

Segundo Tarsila Schultheis Trevisan Assolini, 9, as cartas não poderiam ter qualquer tipo de escrita, uma vez que o material poderia deixar os destinatários ainda mais tristes por conta de tudo. “O desafio foi montar algo para animar, ‘levantar’ tudo. Falei para a pessoa ficar feliz e que o que ocorreu foi ruim, mas que ela tinha sorte porque poderia ter acontecido coisas piores. Também escrevi que estamos rezando para mandar boas energias sempre”, conta a andreense.

Quem também se empolgou com o projeto especial foi Luiza Collado de Moura, 9. A moradora de São Bernardo afirma que gostaria de receber cartinhas como as que foram enviadas para ter certo conforto. “Eu ia perceber que posso batalhar muito mais e seguir com minha vida até o fim”, diz. “Deve ser triste demais perder casa, familiares e amigos. Sinto muito por tudo o que aconteceu. É sempre importante ajudar.”

Projeto faz jovens abrirem a cabeça

A atividade de mostrar apoio às vítimas da tragédia ocorrida na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, no início do ano, também foi responsável por abrir a cabeça dos estudantes, seja para a seriedade do tema, realidades diversas e em relação aos diferentes tipos de apoio.

“Já tinha escrito cartas, mas nunca uma com tanta responsabilidade. Disse o que sentia em relação ao que via e só imaginava como essas pessoas estão. Procurei pedir para ela voltar a sonhar grande sabendo que vai virar o jogo”, diz Lucas Melati Pereira, 13 anos, ainda irritado sobre como os responsáveis deixaram isso ocorrer.

Durante as conversas nas aulas, Julia Barbosa Macedo, 13, se mostrou indignada sobre como as consequências afetaram a comunidade e a natureza. “A tragédia abriu minha mente para perceber que a humanidade vive um caos, fora que muitas dessas pessoas sofrem silenciosamente. Achei a oportunidade (de escrever as cartas) linda para ampliar a discussão e demonstrar um mínimo de apoio nosso.”

Ambos contam com familiares que vivem – ou viviam – em pequenas cidades no Estado de Minas Gerais e possuem certa perspectiva de como era Brumadinho (local bem pequeno, onde, praticamente, todos os habitantes se conhecem e sem todo o desenvolvimento visto onde a dupla mora, em Santo André). O sentimento de compaixão sobre os atingidos afetou bastante os amigos do 9° ano.

Segundo Julia, “quase tudo mesmo foi perdido. Temos que pensar não só em dar ajuda com coisas, porque é necessário se pensar na parte emocional”. “Doar comidas, roupas e acessórios é importante, mas o apoio afetivo é essencial e nem sempre lembramos disso”, completa o menino.

Barragem localizada na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, se rompeu em 25 de janeiro. O material acumulado despencou e atingiu o entorno da obra e distâncias maiores. O projeto era responsabilidade da Vale, grande empresa mineradora multinacional brasileira. Pelo menos 270 hectares de terra foram devastados e, até agora, 193 pessoas morreram



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Alunos de colégio de Santo André enviam cartas para habitantes de Brumadinho, em Minas Gerais

Luís Felipe Soares
Diário do Grande ABC

10/03/2019 | 07:00


 É nos momentos mais difíceis que o sentimento de apoio ao próximo se mostra importante. Segundo o dicionário, a palavra compaixão remete a ‘pesar que nos causa o sofrimento de outrem (outra pessoa)’, ou seja, sentir piedade dos problemas vivenciados por alguém. Foi justamente para trabalhar essas ideias entre crianças que o Jornal Joca, com noticiário para o público infantojuvenil, começou a recolher cartas de apoio a estudantes mirins e bombeiros que sobreviveram ao caos vivido em Brumadinho, em Minas Gerais. Em janeiro, uma barragem estourou no local e o fato foi considerado a maior tragédia socioambiental do País. Escolas de todo o Brasil fizeram parte do projeto especial.

O Colégio Stocco, de Santo André, enviou, em fevereiro, cerca de 300 documentos escritos e ilustrados feitos por alunos do infantil até estudantes do 9° ano do ensino fundamental. Algumas já foram entregues e outras ainda serão levadas neste mês. “Você saber que as pessoas de lá perderam as casas, roupas e comidas é bem triste. Escrever uma carta para esses sobreviventes pode ajudar o pessoal a tentar se animar e para continuarem suas vidas da melhor forma possível”, explica Carolina Souza Bueno, 9 anos. Ela confessa que ainda está impressionada com a irresponsabilidade dos ‘donos’ da barragem. “Parecem não se importar com tudo o que aconteceu.”

Os participantes estiveram envolvidos em atividades que fizeram com que os alunos tivessem visão completa sobre o assunto, como causas, efeitos, conscientização, impactos e apontamento de vítimas e responsáveis pela tragédia.

Segundo Tarsila Schultheis Trevisan Assolini, 9, as cartas não poderiam ter qualquer tipo de escrita, uma vez que o material poderia deixar os destinatários ainda mais tristes por conta de tudo. “O desafio foi montar algo para animar, ‘levantar’ tudo. Falei para a pessoa ficar feliz e que o que ocorreu foi ruim, mas que ela tinha sorte porque poderia ter acontecido coisas piores. Também escrevi que estamos rezando para mandar boas energias sempre”, conta a andreense.

Quem também se empolgou com o projeto especial foi Luiza Collado de Moura, 9. A moradora de São Bernardo afirma que gostaria de receber cartinhas como as que foram enviadas para ter certo conforto. “Eu ia perceber que posso batalhar muito mais e seguir com minha vida até o fim”, diz. “Deve ser triste demais perder casa, familiares e amigos. Sinto muito por tudo o que aconteceu. É sempre importante ajudar.”

Projeto faz jovens abrirem a cabeça

A atividade de mostrar apoio às vítimas da tragédia ocorrida na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, no início do ano, também foi responsável por abrir a cabeça dos estudantes, seja para a seriedade do tema, realidades diversas e em relação aos diferentes tipos de apoio.

“Já tinha escrito cartas, mas nunca uma com tanta responsabilidade. Disse o que sentia em relação ao que via e só imaginava como essas pessoas estão. Procurei pedir para ela voltar a sonhar grande sabendo que vai virar o jogo”, diz Lucas Melati Pereira, 13 anos, ainda irritado sobre como os responsáveis deixaram isso ocorrer.

Durante as conversas nas aulas, Julia Barbosa Macedo, 13, se mostrou indignada sobre como as consequências afetaram a comunidade e a natureza. “A tragédia abriu minha mente para perceber que a humanidade vive um caos, fora que muitas dessas pessoas sofrem silenciosamente. Achei a oportunidade (de escrever as cartas) linda para ampliar a discussão e demonstrar um mínimo de apoio nosso.”

Ambos contam com familiares que vivem – ou viviam – em pequenas cidades no Estado de Minas Gerais e possuem certa perspectiva de como era Brumadinho (local bem pequeno, onde, praticamente, todos os habitantes se conhecem e sem todo o desenvolvimento visto onde a dupla mora, em Santo André). O sentimento de compaixão sobre os atingidos afetou bastante os amigos do 9° ano.

Segundo Julia, “quase tudo mesmo foi perdido. Temos que pensar não só em dar ajuda com coisas, porque é necessário se pensar na parte emocional”. “Doar comidas, roupas e acessórios é importante, mas o apoio afetivo é essencial e nem sempre lembramos disso”, completa o menino.

Barragem localizada na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, se rompeu em 25 de janeiro. O material acumulado despencou e atingiu o entorno da obra e distâncias maiores. O projeto era responsabilidade da Vale, grande empresa mineradora multinacional brasileira. Pelo menos 270 hectares de terra foram devastados e, até agora, 193 pessoas morreram

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