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Escolas públicas da região têm um computador para 39 alunos

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Censo 2017 mostra que 60% das escolas contam com acesso à internet; números da região são tímidos


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

02/09/2018 | 07:00


Embora a tecnologia e a internet façam parte do dia a dia dos brasileiros de todas as faixas etárias, na Educação o País ainda caminha a passos lentos em relação ao tema. As escolas públicas de Ensino Fundamental do Grande ABC (1º ao 9º anos) contam com 6.340 computadores para uso dos 245.337 alunos matriculados, média de 38,7 estudantes por equipamento, conforme o Censo Escolar 2017.

Os números mostram ainda que 60,05% das 831 escolas contam com laboratórios de informática; 66,19% possuem acesso à internet e 59,81% dispõem de banda larga. O cenário regional apresenta indicadores melhores e piores do que no Estado, onde 53% das 18.621 unidades escolares contam com laboratórios de informática, 77% com acesso à internet e 70% com banda larga. A rede tem 151.538 computadores – média de 27,75 alunos para cada um.

O alerta para a necessidade de ampliar os investimentos na área a curto prazo leva em conta determinação do PNE (Plano Nacional de Educação) de universalizar na rede pública, até o próximo ano, o acesso à rede mundial de computadores com banda larga. Além disso, o plano prevê triplicar, até o fim da década, a relação computador/aluno nas escolas da rede pública de Educação Básica, promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e da comunicação.

Professor dos cursos de pós-graduação e coordenador do Observatório de Educação do Grande ABC da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Paulo Garcia destacou que os benefícios da tecnologia para o aprendizado dos alunos são inúmeros, mas que na região o uso de computadores e tablets está aquém do ideal. “Não é exclusividade do Grande ABC. Na rede pública em geral (o uso) ainda é bastante tímido. Esperamos que com a Base Nacional Comum Curricular, que aponta para o desenvolvimento de habilidades e competências dos alunos em que a tecnologia é coadjuvante vivo neste processo, os municípios e as escolas passem a dar mais importância, formar mais o professor para uso dessas tecnologias”, afirmou.

O especialista observou ainda que a formação do docente é fundamental para o sucesso dos processos educacionais com uso de tecnologias. “Sem a capacitação, o professor pode acabar utilizando um recurso rico em possibilidades de inovação da mesma forma que usava o livro, a lousa e o giz, dispondo de recursos que podem criar muitas possibilidades, mas diminuindo o potencial do recurso”, pontuou.

“A tecnologia torna a situação de aprendizagem mais rica e motivadora para os alunos, mas o computador é um meio, não um fim em si mesmo. A ideia é que seja instrumento para que o estudante aprenda cada vez mais”, frisou Garcia.

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgou na quinta-feira que a Educação pública do Grande ABC avançou entre 2015 e 2017, mas o nível de conhecimento dos alunos em Português (leitura) e Matemática (resolução de problemas) ainda está abaixo do adequado.

Estado afirma que todas as unidades de ensino têm banda larga

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que todas as escolas da rede no Grande ABC contam com computadores com acesso à internet banda larga para uso pedagógico dos alunos. “Os equipamentos estão disponíveis para todos os estudantes, independente da série. A Pasta possui a Plataforma Currículo +, que visa incentivar a utilização da tecnologia como recurso pedagógico articulado ao currículo do Estado de São Paulo, para inspirar práticas inovadoras em sala de aula. O intuito da plataforma é promover maior motivação, engajamento e participação dos estudantes com o processo educativo, visando, prioritariamente, o desenvolvimento da aprendizagem”, informou, em nota.

Segundo o comunicado, a secretaria investe em tecnologia para fomentar a disponibilização de acesso à internet à comunidade escolar. “Neste momento, existem estudos internos em andamento para viabilizar o aperfeiçoamento do uso da rede por dispositivos móveis”, concluiu.

Estudantes de S.Bernardo usam software para programação

Desde 2011, escolas de São Bernardo utilizam o software Scratch, linguagem de programação em blocos desenvolvida pelo MIT Media Lab (Laboratório de Mídias do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA), criado especialmente para crianças. O projeto é usado no laboratório de informática, integrado com as aulas e foi ampliado ano passado para 50 escolas de Ensino Fundamental.

“Desenvolvemos trabalhos alinhados com o que está sendo ensinado na sala de aula. Se o tema é sustentabilidade, os alunos são convidados a desenvolver projetos envolvendo a programação e a construção de dispositivos no mundo físico utilizando materiais recicláveis”, explicou a professora Ana Cláudia Gomes, responsável pelo laboratório de informática da Emeb (Escola Municipal de Educação Básica) José Luiz Jucá.

Considerado mais acessível do que linguagens de programação textuais, o Scratch utiliza interface gráfica que permite a construção de programas com blocos encaixados, lembrando o brinquedo Lego. Os alunos criam animações, histórias interativas e jogos no navegador. Usado por alunos do 4º e do 5º ano do Fundamental, o aplicativo ajuda a desenvolver o raciocínio matemático.

Segundo a Prefeitura, todas as escolas já possuem acesso à Infovia do município (projeto de malha de fibra óptica com internet de alta velocidade), sendo apenas duas em processo de implantação da banda larga de alta velocidade. “Todas as séries do Fundamental fazem uso dos computadores e netbooks. A secretaria visa diversificar o uso da tecnologia em sala de aula, com programas de formação e capacitação dos professores e parcerias com Google e Microsoft”, destacou, em nota.

S.Caetano prioriza formação docente e utiliza tablets em sala de aula

Em São Caetano, todas as escolas contam com internet banda larga e computadores para uso dos alunos, além de lousas digitais e tablets. A cidade mantém o Cecape (Centro de Capacitação de Profissionais da Educação), que qualificou 1.300 professores para utilização dos novos recursos tecnológicos, por meio de parceria entre a Prefeitura e o Google. “A Seduc (Secretaria de Educação) tem a preocupação de buscar algo novo, que agregue na educação dos alunos”, destacou o responsável por Tecnologia Educacional da Pasta, José Carlos Brancatelli.

A Prefeitura está investindo em fibra óptica em toda rede para melhorar a qualidade do acesso à internet e já realizou, de forma inédita no País, avaliação totalmente digital, por meio de tablets. “A gente percebe uma concentração maior dos alunos, lêem com mais atenção e notamos também leve aumento na média de notas”, relatou a diretora da escola Olinto Tortorello, Rosana Campana Chacon.

Aluna do 4º ano, Sophia Aparecida Kouzoukian, 9 anos, relatou que, com o tablet, é possível estudar e também realizar a avaliação. “A gente se sente mais confortável e também é mais legal”, afirmou. “Nitidamente (os alunos) demonstram mais interesse. É um esquipamento que já dominam”, explicou a professora da turma, Priscila Quinto de Carvalho, 38.

A Prefeitura promete trocar todos os tablets utilizados na rede pelo chromebook, computadores desenvolvidos pela Google especificamente para uso educacional.



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