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Crianças querem viver e precisam de nós


Don Pedro Cipollini

23/07/2018 | 07:00


O sofrimento do mundo é grande, e boa parte dele toca às crianças. Haja vista o que acontece com crianças, imigrantes ilegais nos Estados Unidos, separadas dos pais e confinadas em centros de detenção destinados especialmente a elas. Estes centros são um misto de escola interna, creche e presídio. Ali as crianças devem seguir regrar rígidas: não toque em outra criança, mesmo sendo irmão ou irmã, não reparta sua comida, lave banheiros e privadas, não chore etc.

Os Estados Unidos são país que se formou com imigrantes. Inicialmente europeus e, depois, vindos de todas as partes. Eles foram confinando os ‘indígenas’ ali existentes para tomar posse da terra. E hoje rejeitam imigrantes! Esta atitude de crueldade com as crianças, separando-as de seus pais e confinando-as, provocou indignação, fazendo surgir comparação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Adolf Hitler, com seu nazismo discriminatório. Talvez haja exagero na comparação, mas esta atitude pode trazer forma embrionária de horror, propenso a se desenvolver e a chegar onde menos se espera.

E aqui bem perto de nós a situação também não é boa. O Ministério da Saúde alerta que a crise econômica atual aumenta a mortalidade infantil, que vem crescendo desde 2016, o que não acontecia há duas décadas. O desemprego diminui a renda em geral, e também a possibilidade de se manter o nível na alimentação, nos tratamentos de saúde e, ainda, a estagnação das políticas sociais.

Embora diminua o número de nascimentos, as crianças são numerosas em nossa população, trazendo alegria e a lembrança de que a vida recomeça. “Cada criança, ao nascer, nos traz a mensagem de que Deus não perdeu ainda a esperança nos homens” (R. Tagore). Muitas são as opiniões disparatadas, como a crítica ao crescimento populacional com a consequente defesa do aborto; outros atribuem ao sistema injusto de acumulação de bens e à ganância pelo lucro a situação crítica das crianças. Mas há de se crer que as crianças não devem ser vistas como problema, mas como solução. As crianças querem viver e precisam de nós.

A sociedade não pode se omitir e muito menos continuar criando novas formas de consumismo e luxo, pouco se importando com a miséria das crianças e a desorientação dos jovens. O preço que se pagará por esta omissão será pesado para todos, se não for revertida. Numa realidade como a nossa, onde cortiços e favelas abrigam centenas de crianças, são necessários somar esforços e agir rápido com projetos sociais inteligentes. É preciso favorecer as crianças antes que elas abandonem o lar.

A solução está na prática da justiça social e pessoal. O sistema escolar municipal contribuiria muito se conseguisse acolher as crianças por um período maior, dando a elas, além do estudo, alimento, lazer, tratamento de saúde.

Existem iniciativas complementares ao que faz o Estado e o município, levadas avante pelas comunidades onde vivem as crianças. Andando pela nossa Diocese de Santo André (Grande ABC) constato iniciativas generosas desenvolvidas pela Igreja Católica. Desde o primeiro bispo, dom Jorge Marcos de Oliveira, que se preocupou em fundar o Lar Menino Jesus, existente até hoje, passando pela Pastoral da Criança, as paróquias e comunidades desenvolvem com criatividade vários esforços. É um trabalho pastoral e voluntário que merece louvor.

Que a atenção e o atendimento às crianças sejam o princípio de uma nova ordem social mais humana e fraterna. Quando as crianças pobres se sentirem amadas e acolhidas, certamente constataremos a diminuição da violência e aumento da paz que tanto almejamos. 



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