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Qualidade do ar melhora com greve dos caminhoneiros

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Diminuição de veículos nas ruas, devido à falta de combustível, colabora com o meio ambiente; especialistas cobram transporte menos poluentes


Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

02/06/2018 | 07:00


 Se por um lado a falta de combustíveis em razão da greve dos caminhoneiros dificultou a locomoção das pessoas nos últimos dias, por outro, contribuiu com a melhora da qualidade do ar. Justamente pela menor circulação de veículos pelas ruas, a emissão de poluentes foi reduzida.

Embora a umidade relativa do ar tenha sido baixa – entre 30% e 40% – durante a última semana, tipicamente seca, conforme o esperado para o outono, os sete pontos de monitoramento das condições do ar da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) na região registraram índices dentro do padrão considerado bom pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A avaliação ocorre em Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá.

No dia 23, por exemplo (dois dias após o início da paralisação da categoria e, por isso, ainda com pouco impacto), todos os pontos da região monitorados apresentavam qualidade do ar moderada. por grande prevalência de partículas inaláveis (entre 20 e 40 microgramas/m³), emitidas pela queima de combustível.

Já nos dias posteriores, os índices melhoraram. O fato pode ser visto até mesmo a olho nu, já que diminuiu a cortina de poluição no horizonte da região. “A paralisação das atividades na maioria das empresas e a dificuldade de circulação de veículos atuaram diretamente na emissão de poluentes”, explica o especialista em epidemiologia ambiental Alfésio Braga.

Com a situação de caos na economia e falta de combustíveis a saúde da população foi poupada. “Os poluentes são responsáveis pela piora das doenças crônicas já existentes, levam a processos inflamatórios e dificultam o sistema de defesa de remoção de partículas e bactérias que entram pelas vias aéreas, situação em que ficamos mais suscetíveis a esses agentes”, fala Braga.

Com cada vez mais pessoas sendo impactadas pela poluição e ficando doentes, aumenta significativamente também os custos da Saúde pública. “(A redução de poluentes) Diminui o número de pessoas que precisam de atendimento médico, de internação e que necessitam comprar remédio para tratar doenças causadas pela exposição à poluição”, lista. “Também reduz o número de dias em que as pessoas se afastam da escola e do trabalho, porque ficaram adoentadas, ou seja, é uma questão que impacta a economia de maneira absurda e, a Saúde, de maneira importante”, completa o especialista.

Estudo feito em 2014 por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da USP (Universidade de São Paulo) estimou um valor anual de US$ 1,7 bilhão para os gastos associados a eventos de saúde relacionados à poluição do ar em regiões metropolitanas brasileiras.

Especialista cobra políticas públicas

A melhora na qualidade do ar no período em que a circulação de veículos ficou reduzida evidencia a necessidade da aplicação de políticas públicas na área de Mobilidade Urbana mais modernas e eficientes, pontua o especialista em epidemiologia ambiental Alfésio Braga. “Essa situação mostrou que é fundamental que se faça um investimento maciço e sério em transporte coletivo menos poluidor, sobre trilhos, por exemplo, com trens que percorram longas distâncias também”, fala. “É preciso ter trasporte que utilize mais eletricidade e menos diesel”, acrescenta.

Braga ponta ainda que, apesar da implantação do Proconve (Programas de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), criado em 1986 pelo governo federal, para que os veículos saiam menos poluidores das fábricas, é realmente o investimento em transporte público que fará diferença significativa. “A tendência é que tenhamos cada vez mais carros emitindo poluentes, porque a frota só cresce.”

Outra alternativa para contribuir com um ar mais puro é a ampliação de ciclovias. No entanto, como mostrado em reportagem do Diário em 19 de maio, a questão não é tratada como prioridade na região. Os 30,8 quilômetros de ciclovias existentes em quatro das sete cidades (Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá) não são suficientes nem bem estruturados para estimular o uso de bicicleta como meio de transporte.

CLIMA

No que depende do fator meteorológico, a poluição tem se acentuado ainda mais pela baixa umidade do ar. Segundo boletim divulgado ontem pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a cidade de São Paulo registrou o mês de maio mais seco dos últimos 18 anos. “O ar seco que entra pela narina exige que o corpo disponibilize maior quantidade de ar para umedecê-lo. Por isso, é importante, nesses períodos, ingerir água suficiente para se manter hidratado”, ressalta Braga.  



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Qualidade do ar melhora com greve dos caminhoneiros

Diminuição de veículos nas ruas, devido à falta de combustível, colabora com o meio ambiente; especialistas cobram transporte menos poluentes

Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

02/06/2018 | 07:00


 Se por um lado a falta de combustíveis em razão da greve dos caminhoneiros dificultou a locomoção das pessoas nos últimos dias, por outro, contribuiu com a melhora da qualidade do ar. Justamente pela menor circulação de veículos pelas ruas, a emissão de poluentes foi reduzida.

Embora a umidade relativa do ar tenha sido baixa – entre 30% e 40% – durante a última semana, tipicamente seca, conforme o esperado para o outono, os sete pontos de monitoramento das condições do ar da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) na região registraram índices dentro do padrão considerado bom pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A avaliação ocorre em Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá.

No dia 23, por exemplo (dois dias após o início da paralisação da categoria e, por isso, ainda com pouco impacto), todos os pontos da região monitorados apresentavam qualidade do ar moderada. por grande prevalência de partículas inaláveis (entre 20 e 40 microgramas/m³), emitidas pela queima de combustível.

Já nos dias posteriores, os índices melhoraram. O fato pode ser visto até mesmo a olho nu, já que diminuiu a cortina de poluição no horizonte da região. “A paralisação das atividades na maioria das empresas e a dificuldade de circulação de veículos atuaram diretamente na emissão de poluentes”, explica o especialista em epidemiologia ambiental Alfésio Braga.

Com a situação de caos na economia e falta de combustíveis a saúde da população foi poupada. “Os poluentes são responsáveis pela piora das doenças crônicas já existentes, levam a processos inflamatórios e dificultam o sistema de defesa de remoção de partículas e bactérias que entram pelas vias aéreas, situação em que ficamos mais suscetíveis a esses agentes”, fala Braga.

Com cada vez mais pessoas sendo impactadas pela poluição e ficando doentes, aumenta significativamente também os custos da Saúde pública. “(A redução de poluentes) Diminui o número de pessoas que precisam de atendimento médico, de internação e que necessitam comprar remédio para tratar doenças causadas pela exposição à poluição”, lista. “Também reduz o número de dias em que as pessoas se afastam da escola e do trabalho, porque ficaram adoentadas, ou seja, é uma questão que impacta a economia de maneira absurda e, a Saúde, de maneira importante”, completa o especialista.

Estudo feito em 2014 por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da USP (Universidade de São Paulo) estimou um valor anual de US$ 1,7 bilhão para os gastos associados a eventos de saúde relacionados à poluição do ar em regiões metropolitanas brasileiras.

Especialista cobra políticas públicas

A melhora na qualidade do ar no período em que a circulação de veículos ficou reduzida evidencia a necessidade da aplicação de políticas públicas na área de Mobilidade Urbana mais modernas e eficientes, pontua o especialista em epidemiologia ambiental Alfésio Braga. “Essa situação mostrou que é fundamental que se faça um investimento maciço e sério em transporte coletivo menos poluidor, sobre trilhos, por exemplo, com trens que percorram longas distâncias também”, fala. “É preciso ter trasporte que utilize mais eletricidade e menos diesel”, acrescenta.

Braga ponta ainda que, apesar da implantação do Proconve (Programas de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), criado em 1986 pelo governo federal, para que os veículos saiam menos poluidores das fábricas, é realmente o investimento em transporte público que fará diferença significativa. “A tendência é que tenhamos cada vez mais carros emitindo poluentes, porque a frota só cresce.”

Outra alternativa para contribuir com um ar mais puro é a ampliação de ciclovias. No entanto, como mostrado em reportagem do Diário em 19 de maio, a questão não é tratada como prioridade na região. Os 30,8 quilômetros de ciclovias existentes em quatro das sete cidades (Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá) não são suficientes nem bem estruturados para estimular o uso de bicicleta como meio de transporte.

CLIMA

No que depende do fator meteorológico, a poluição tem se acentuado ainda mais pela baixa umidade do ar. Segundo boletim divulgado ontem pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a cidade de São Paulo registrou o mês de maio mais seco dos últimos 18 anos. “O ar seco que entra pela narina exige que o corpo disponibilize maior quantidade de ar para umedecê-lo. Por isso, é importante, nesses períodos, ingerir água suficiente para se manter hidratado”, ressalta Braga.  

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