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Dá-lhe, Cony!

Morre, aos 91 anos, o jornalista, escritor e ocupante da cadeira três da Academia Brasileira de Letras


Marcela Munhoz

07/01/2018 | 07:00


 Ele não pronunciou uma palavra sequer até os 5 anos. Depois descobriu que podia se comunicar muito melhor com caneta e papel em mãos – “Escrever foi à tábua a qual me agarrei para não ser considerado um idiota”, dizia. Passou anos em um seminário pela experiência de reclusão e reflexão. Lá cursou Humanas e Filosofia.

Na época da ditadura militar, deixou-se levar pelo sentimento de ‘dever de consciência’ e escreveu, sem parar, dezenas de crônicas. ‘Dá-lhe, Cony’, era o que mais se ouvia dos que enxergavam nele oxigênio em meio ao caos. Foi preso algumas vezes por isso, se exilou em Cuba e na Europa, mas nunca parou de produzir.

Até os 91 anos assinou mais de 65 publicações de vários gêneros, incluindo novelas, sem contar com as que fez em parceria. O foco sempre foi, essencialmente, discutir a natureza humana. Ganhou diversos prêmios, incluindo três Jabutis. Escreveu seu principal romance, Quase Memória, em 1995. Em 2000, aos 74 anos, foi escolhido imortal pela ABL (Academia Brasileira de Letras).

O também ensaísta e tradutor, que se despediu do mundo na noite de sexta-feira, ocupou a cadeira de número três da Academia. O carioca Carlos Heitor Cony morreu aos 91 anos com o diagnóstico de falência múltipla de órgãos. Ele estava internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde realizou, no dia 1º, cirurgia no intestino, mas não resistiu às complicações. O velório e enterro serão reservados para a família. Cony deixa mulher e três filhos.

GRANDE LEGADO
Foram muitas as manifestações pela morte do jornalista. O presidente Michel Temer (MDB) lamentou a despedida de “um dos mais cultos e preparados pensadores nacionais”. Já Moreira Franco, ministro da Secretaria-Geral, disse que Cony “ajudou a amar a democracia, respeitar o contraditório, sonhar com a liberdade”. Ele destacou também sua carreira jornalística e elogiou sua “memorável atuação “com militância intelectual e política”. Para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o escritor tinha “capacidade espetacular de ora nos comover, ora nos indignar, de nos fazer refletir sempre sobre a condição humana”.

Também foi homenageado entre os colegas de escrita. “O bom é que ele foi ativo até o final. Um intelectual rigoroso que vai fazer muita falta”, desabafou Luis Fernando Verissimo. A Academia Brasileira de Letras decretou luto de três dias. O presidente Marcos Lucchesi expressou suas condolências: “Fui seu leitor fervoroso e perdi a conta dos charutos compartilhados ao longo dos anos. Perdemos um nome certo para o Nobel”.



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